CAPÍTULO DOIS

103 19 15

"A deusa Arianrhod era uma mulher estimável. Pelas lendas, sua força e coragem encantava a todos e, me pego diariamente perguntando: como uma divindade veria nosso mundo em constante retrocesso?"

-Diário pessoal de Autumn Charpentier

AUTUMN

Autumn sofria com o tédio da conversa e gostaria de partir para casa. Incluía em seus planos mentais um cochilo e depois a leitura prazerosa do livro sobre mitologia. Lia e admirava como retratavam e discursavam sobre as deusas e mulheres inigualáveis, simbolizadas com força e esperteza.

No livro, havia várias lendas incluindo sobre a lua e o sol, mas a sua favorita havia sido uma indígena. Nele, narrava-se sobre uma índia, filha de um chefe, que se apaixona por um índio guerreiro. Eles sabiam que era improvável que o amor florescesse entre eles, já que ela havia sido prometida para outro. No desespero ambos imploram a Tupi para deixá-los seguir os próprios caminhos. Sabendo o perigo que corriam ao pedir algo para um deus, esperavam a morte, mas o grande imortal percebeu que o destino os reuniu, permitindo assim que eles fossem ao céu- um a noite e ou outro de dia- e cuidassem de seus semelhantes e ele possibilitaria o encontro durante uma vez ao ano. E, foi assim que surgiu um eclipse solar. Ou como os indígenas contavam às crianças.

Ela gostava de ver como o círculo grande e branco cintilante era associada ao amor, pureza e beleza, vendo sua paixão crescer cada vez mais ao ler aquela mito antes de dormir. A amava tanto que acabou pintando em seu teto junto as constelações que observava através do telescópio. Ao deitar-se, observava e relaxava ao lembrar que o universo era vasto.

Foi drasticamente sugada pelo buraco negro da vida ao ouvir a voz da irmã soando em seus tímpanos.

— Querida, veja! — Héstia a cutucava com força desnecessária e apontava deselegantemente para um cavaleiro do outro lado das árvores e parecia que todos os presentes no parque olhava para aquela direção. — É o Coronel, aquele a quem chamam de Fearless.

Autumn franziu as sobrancelhas ao tentar lembrar desse nome engraçado e, tinha quase certeza de ter ouvido em algum lugar, mas onde?

— Dizem que ele montou e desenvolveu estratégias que contribuíram para o recuo de Napoleão em diversos países. Outro detalhe é que, sempre que sua tropa lutava ele é quem estava a frente, lutando e combatendo com armas e corpo. Um aristocrata que arregaçou as mangas.

Autumn olhou para o homem em questão e concentrou-se naquele diferente sujeito que não dava a mínima aos cochichos. Automaticamente, ele havia conquistado seu respeito e admiração.

— O que quer dizer com estar a frente?

— Quis dizer que, ele monta a estratégia do ataque e o lidera em carne e osso.

— Então, ele não foge da luta como os outros?

— Não diga essas coisas Autumn. — Um belisco seguiu a chamada de atenção. —  Os outros não fogem, apenas tem... responsabilidades demais.

— Claro que sim. — Murmurou ao revirar os olhos.

Olhava para o homem de cabelos revoltos e barba a fazer que segurava as rédeas de maneira firme e uma postura austera demais. Devia ter no máximo 35 anos o que a deixou ainda mais curiosa a áurea ao seu redor. Misterioso o define bem.   

— Ele foi ferido na guerra e, pelas fofocas que percorrem o salão, quase perdeu a perna direita. — A informação pegou Autumn de surpresa e a deixou fascinada pela habilidade dele em cima do puro sangue. — Dizem os boatos que se o olhar diretamente congela o seu coração quase que imediatamente. — Isso a divertiu. — E não quero testar essa informação pessoalmente. — Héstia olhou para sua irmã. — Tente não se aproximar dele, ele provavelmente deve ser perigoso e ao lidar com a senhorita o faria rever sua profissão de serviço ao matá-la com felicidade momentânea apenas para calá-la.

QUANDO A LUA AQUECE O CORAÇÃOLeia esta história GRATUITAMENTE!