Cap. 15

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POV - BRANDON

-O que posso fazer pelo senhor? - o médico gentilmente perguntou, sentando-se em sua cadeira.

-O senhor já deve estar adivinhando que estou aqui para falar de Scarlett...

-Algo aconteceu?

-Eu sei que não está tudo bem, doutor. - apoiei os cotovelos na mesa. - Já se passou um mês e Scarlett está começando a me preocupar.

-O que aconteceu?

-Ela não se alimenta direito, mal abre a boca para falar, perdi a conta de quantas vezes a peguei chorando no banheiro... Eu sei, eu sei que algo assim não se supera da noite para o dia, mas... Eu fico preocupado. Ela está tomando remédios para dormir, está ficando mais magra do que já estava... Eu vou sair em turnê com a banda em três dias e estou pensando seriamente em levá-la comigo.

-Eu preciso vê-la, Brandon. Sei que não está mentindo, mas preciso vê-la.

-Eu entendo. Vou tentar trazê-la amanhã.

-Ótimo. Mas e você?

-O que tem eu?

-Você demonstra estar sendo forte com tudo isso.

-Eu quero que Scarlett saiba que pode contar comigo. Por mais desgastado que eu esteja, preciso ficar firme.

-Eu admiro isso. Enfim, de antemão eu já posso dizer que Scarlett vai precisar voltar para o acompanhamento psicológico. Se o que você me disse for como eu estou imaginando, pode ser princípio de depressão. Não queremos que isso se agrave. É comum entre mulheres que sofrem do mesmo que ela sofreu. Além disso, Scarlett já passou por muita coisa, é possível que tudo esteja se acumulando e não podemos esperar muito.

Fiquei nervoso apenas em ouvir a palavra depressão.

-Eu vou trazê-la amanhã. Obrigado por me receber.

-Tudo bem, e não foi nada. Ah, e eu acho uma boa que ela vá com você. Vai distraí-la.

-Tudo bem, então.

***

Abri a porta de casa e Scar estava sentada no sofá, vendo TV. Sua figura pequena e aparentemente frágil era coberta por um lençol.

-Está frio hoje. - eu disse, deixando as chaves na mesa. Me aproximei dela e sentei ao seu lado, a abraçando.

-Você não estava quando eu acordei. - ela disse.

-Precisei dar uma passada no estúdio e de lá fui resolver uma coisa.

-Ah.

-Você e eu vamos ao médico amanhã.

-Amanhã?! Mas...

-Nem comece. - tirei o celular do bolso. - Vem aqui. - ela se acomodou, apoiando o corpo em mim. - Ok, eu acho que esqueci como isso funciona.

-O celular?

-Não, o Twitter. Você lembra minha senha?

-Hm... - ela pareceu pensar. - Não. Tente alguma data.

-Não, não é uma data. Espere, acho que lembrei.

-Não venha me dizer que é alguma música...

-Do The Smiths, sim. - esperei um pouco e a tela mudou. - Ei, você quer rir?

-Pode ser. - ela olhou para mim. - O que você vai fazer?

-Olhe.

Abri a caixa de texto e pensei um pouco.

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