Capítulo 17

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Elena encontrou um ex por noite e, como imaginara, nenhum deles era o amor de sua vida. Pelos menos os encontros arranjados serviram para limpar um pouco de seu karma e fazer as pazes. Com a maioria, pelo menos...

Além disso, faltara aos ensaios. Não desistira do papel, apenas não sabia como resolver o problema "cisne". Fosse qual fosse o motivo de Ronald lhe fazer mal, não daria esse gostinho a ele.

Os telefonemas e e-mails da produção já não eram mais tão amistosos – com exceção de Samuel. Ele ligava todas as noites querendo saber como ela estava e ficavam conversando por horas. Era atualizada sobre os detalhes da peça e até ensaiavam algumas vezes. Essa era a hora do dia mais esperada por Elena – e por Samuel também.

Numa sexta à noite, depois de levar bolo de um ex-namorado, foi até o teatro para conversar com os diretores. Levava na bolsa um atestado médico falso, dizendo que estava terminantemente proibida de sair durante o dia. Tentaria convencer os diretores a mudarem os horários de ensaio. Rezava para que isso desse certo, embora não estivesse nem um pouco segura quanto a isso. Antes de sair de casa, entretanto, Lúcia lhe entregara um colar antigo de família –segundo ela, o colar estava na família havia muitas gerações e protegia quem o usava. Mesmo não acreditando, Elena usou o colar como um símbolo da força que a amiga estava lhe dando.

Tomou o metrô, indo sentido centro. Estava distraída e não notou quando alguém sentou ao seu lado. Continuou imersa no próprio desalento. Estava vivendo um verdadeiro inferno na Terra, e ainda tinha sua mãe que só a "perdoaria" por não ter contado primeiro a ela sobre o papel, se fosse almoçar qualquer dia desses com ela. Do jeito que sua vida estava, isso não ia acontecer nunca. Sabia que a vida de ninguém era fácil, mas a sua estava espetacularmente complicada.

Sentiu o celular vibrar. Era uma mensagem.

"Oi" – dizia a mensagem de Samuel.

"Oi" – respondeu com um sorriso que ele não teria visto, caso não estivesse sentado ao lado dela.

O maquinista do metrô anunciou o nome da próxima estação. Era a sua. Guardou o celular na bolsa e se levantou. Ficando de frente para a porta, encarou seu reflexo, o da Elena humana. Ficou admirando a própria beleza sem nunca ter se dado conta do quanto era bela. Quer dizer, nunca tivera baixa autoestima, mas como toda mulher contemporânea, tinha lá suas neuras – que magicamente desapareceram quando aprendeu a valorizar o que realmente importava. Suspirou.

– Como pode tanta tristeza morar num olhar tão lindo desse – uma voz masculina declamou.

Conhecia aquela voz. Conhecia aquela fala. Elena se virou em direção a ela.

– Samuel.

– Elena – cumprimentou. – Estava tão pensativa que nem me notou sentado ao seu lado.

– Ai, que vergonha! Me desculpa, Samuel. Ando cheia de problemas.

– Você está melhor?

– Não. Sim. Quer dizer, não sei.

Ele riu de leve.

– É melhor saber o que falar quando chegar ao teatro. Os diretores, em especial Ronald, não estão nada felizes com sua ausência.

– Aposto que não – reclamou. – É só que... eu não tenho culpa de ter ficado doente.

– Sinto muito – ele pareceu sincero.

– Eu também.

Caminharam em silêncio durante um bom tempo até Elena se tocar de que Samuel estava indo para o mesmo local que ela.

– Reunião com os diretores também? – quis saber.

– Isso. Chamaram todo o elenco.

– Vão me colocar na berlinda.

– Vão expor a situação e ver se tudo bem o ensaio mudar de horário. Pelo menos eu acho.

– Será? – Elena começou a sentir uma pontinha de sorte lhe abençoando. Pressionou o colar de Lúcia mais forte contra o peito. – Espero que esteja certo, Samuel. Esse papel é tudo o que eu sempre quis. Não quero perder.

– E se depender de mim não vai.

Elena olhou para Samuel com o canto do olho; ele caminhava com as mãos nos bolsos, encarando o próprio pé.

– É uma honra dividir o palco com você. Também não quero perder isso.

Ainda o observando com o canto do olho, Elena viu o raro sorriso que ele dava se desenhar nos lábios.

– A honra é minha, Samuel. Obrigada pelo apoio. É muito importante para mim. Especialmente agora.

E sem pensar bem no que fazia, deu um beijo na bochecha dele. Os dois pararam de caminhar. Samuel ficou de frente para ela. Nariz com nariz, os lábios próximos. O contato tão familiar entre eles dava a impressão de já se conhecerem há milênios. Elena ficou na ponta dos pés e fechou os olhos, pronta para o beijo, quando alguém os chamou.

– Samuel. Elena! Quanto tempo!

Samuel soltou um muxoxo. Elena suspirou frustrada. Mas sorriram quando encontraram os colegas de elenco.

O Canto do Cisne: Um conto de fadas modernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora