PRÓLOGO

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"Quando cercar o inimigo, deixe uma saída para ele, caso contrário, ele lutará até a morte."

-Sun Tzu

Rússia, Junho de 1812.

LOGHAN

Estava uma noite gelada. Ventos fortes mostravam todo o potencial do inverno russo, uivando e se manifestando contra o batalhão que montavam as tendas em volta do velho casebre. Uma grossa camada branca de neve cobria toda a extensão da colina, antes verdejante, a quilômetros do que os olhos podiam acompanhar.

A guerra na Europa iniciou ao seu atingir de 24 anos. Alistou-se com a ingênua ideia de agradar ao pai, no entanto, não veio de uma decisão precipitada ou nobre. Sim, havia um desejo irreal de ser bom o suficiente para com aqueles que amava, protegendo-os, mas, agora, acompanhando a desgraça que se abatia pelos países que iam de oposição a Napoleão Bonaparte, sentia insegurança quanto ao resultado do conflito pondo à prova sua escolha. Nada o deixava mais preocupado quando sentia a tensão estalando no ar na forma opressora do medo, receio e aflição ao segurar as armas de fogo, não podendo prever o desfecho.

A guerra se arrastava por tempo demais. O sangue marcava inúmeros terrenos. Espanha. Noruega. Dinamarca. Seu peito e dos demais apertados e um peso imenso na consciência ao lembrar das mortes que causavam diariamente. Na guerra não se existem pessoas comuns, humanos, existe aquilo classificados de soldados. Falecer significava que sua família receberia apenas um anúncio oficial. Ou, o estresse poderia suscitar a loucura em um homem e a única desculpa era a perturbação ao ver a barbárie que presenciava e participava.

Loghan sempre se surpreendia com uma paisagem branca tão bela carregando o cheiro enjoativo e nauseante de sangue, fazendo reconhecer o quão bom a casa de Yorkshire era com toda a grama e relva saudável, dava tudo de si para sentir o cheiro de terra e ar puro preenchendo os pulmões. Sentia falta dos pais e da irmã, da casa e comida fresca. Estava afastado de toda a alegria, sendo enviado cada dia mais para o centro da podridão.

Vivia a beira do precipício, pressentindo constantemente o perigo e com a coluna em prontidão em total alerta. Dormir inexistia no vocabulário do exército. Desde o anúncio da guerra a tensão fazia parte dos dias longos e intermináveis. Desde os banhos desnecessários de sangues e perdas de amigos que levaria uma eternidade para esquecer. Desde do assumir de um ditador ao poder que conquistava terras ao tirar vidas inocentes.

Loghan conseguiu diversos feitos extraordinários e impensados. Estudava diariamente como a artilharia inimiga atacavam e aperfeiçoou a ideia de barricadas, que a França optava para abater os rivais, para os aliados. Como capitão, conquistou diversas medalhas e a confiança daqueles que liderava.

Ao assumir o posto como coronel, ruminou vários questionamentos: havia tomado uma boa decisão? Sabia o que estava fazendo? Seria jovem demais para assumir o controle? Queria continuar guerreando e longe da família?

Reergueu uma tropa sofrida, deixando-os preparados e dando-lhes aquilo que faltava e somando novas habilidades para o campo. Criou um elo com seus parceiros, deixando de lado as dúvidas sobre o comando que poderia exercer. Treinou soldados, deixando os capazes de defender as fronteiras e atenuar os avanços irrefreável de Napoleão Bonaparte.

Ele sabia que, durante os nove anos, perderá uma parte importante de seu âmago. Presenciava a capacidade dos homens por um pequeno pedaço de terra e poder. Uma palavra, mas carregada de diversos significados diferentes que levaram aquele momento consequente. Certo, talvez tenha perdido algo essencial naquela guerra.

QUANDO A LUA AQUECE O CORAÇÃOLeia esta história GRATUITAMENTE!