O Casamento - Parte 2

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"Um Casamento depois de estar morto... De alguém que um dia você esteve lado a lado... Surpresas..."

Antes que pudesse reagir, eu já estava sentindo Jhonathan me derrubar no chão com uma força que ele não aparentava ter por ter um físico magro apesar de bem trabalhado.

- O que você...? – Perguntei para ele, já o vendo em cima de mim, com o corpo reto e os olhos fixos nos meus.

Logo ele foi para trás e segurou minhas pernas juntas, sacou de seu único bolso traseiro uma faixa azul, aparentemente grossa mas leve e começou a amarar minhas pernas com força e velocidade.

Não demorou para minha mente começar a pensar coisas subversivas da minha situação. Eu ali, sendo amarrado e um espirito de mulher com a sua filha me olhando sem saber o que fazem por mim.

- Jhonatan! – Chamei em voz alto o suficiente para que ele olhasse em meus olhos e os vi, mudarem suavemente do castanho avermelhado, para o castanho escuro.

- Felipe...? – Disse ele parando de me amarrar.

Logo me deitei e tirei a faixa de minhas pernas e da mão dele.

- Felipe me desculpe.... Eu não percebi... – Começou a falar constrangido.

Coloquei minha mão em minha testa de forma constrangedora.

Com certeza ele é forte e tem habilidades formidáveis, mas controle lhe faltava. Fechei os olhos imaginando o motivo da situação ter acontecido e abri os olhos tentando não pensar mais nisso.

- Jhonathan... – Chamei ele, o interrompendo das desculpas que eu não estava ouvindo devido a profundidade de meus pensamentos - Pode me deixar sozinho por favor?

- Mas... – Relutou ele olhando meus olhos.

Respondi com um suspira e um piscar de olhos lentos.

- Está bem... Desculpe... – Terminou ele e saio pelo mesmo lugar que havia entrado.

Aguardei um pouco mais após a saída dele e me virei para as duas atrás de mim com o rosto claramente chateado.

- Me desculpem... espero que essa situação não as tenham feito mal.... – Me inclinei para abaixo como de costume quando me desculpava.

- Está tudo bem – Respondeu a mulher abrindo um sorriso gentil enquanto a sua filha voltava a soprar as flores no canteiro.

- E o que as moças fazem aqui? – Perguntei após me levantar e ficar na posição normal, notando que o céu cinza começava a escurecer um pouco mais, mas a chuva ainda continuava fina.

- Na verdade... – Começou a falar a moça – Eu vim trazer a você mesmo um convite, a minha filha veio atrás... – Respondeu a mulher com um meio sorriso e logo o convite se fez visível na palma da mão morena dela.

Um simples envelope branco, com a parte de trás virada para cima, com o brasil da família dela carimbado em preto e vermelho.

O Brasão era bonito, reconheci na hora aquele símbolo de duas flores se entrelaçando e ervas crescentes ao lado e se tocando acima das flores.

Peguei o envelope e o virei. A frente apenas a quem era endereçado, a mim, e para o que era, o casamento.

Apesar do carimbo, o meu nome, o motivo do convite e o próprio nome da noiva estavam escritos à mão. A letra como sempre, delicada e exuberante. A assinatura então, um exemplo de arte com o nome dela.

- Marietta... – Falei em voz alta.

- Sim! – Exclamou a menina sorrindo que logo falou mais – A vovó vai casar com vovô e pediu para você ir ao casamento! Ela gostou da sua companhia! – Falou ela bem entusiasmada.

- Verdade – Completou a moça sorrindo.

Não consegui conter um sorriso de alegria e emoção que se fez bem aparente em meu rosto, e tão logo minhas asas se abriram sem que eu conseguisse impedi-las também, me deixando sem graça na frente de ambas e meio avermelhado.

- Nossa... – Abriu um pouco mais os olhos e moça falando ao mesmo tempo – Não sabíamos que você tinha asas de anjo jovem, e que belas asas – Concluiu ela.

- Poucos sabem... – Respondi muito sem jeito e sentindo o meu coração bater forte no peito, mas muito corado, não me aguento, agacho os joelhos e num salto, bato as asas para cima, indo embora para o céu, me virando para olhar para baixo e vendo apenas as duas sumindo tranquilamente e as mãos da menina balançando para os lados em sinal de até logo.

Rapidamente ouço um trovão mais longe e percebo que a chuva não demoraria a se aproximar e bato as asas novamente em direção contraria me afastando logo dela.

Enquanto estava no céu, olhei para baixo e rapidamente não via mais vilas nem estradas nem castelo, nem jhonathan. Apenas as arvores e florestas e poucas aberturas de campos.

Meus pensamentos por um momento me perguntaram o motivo dele ter feito aquilo mais cedo, e eu tranquilamente os respondi.

"Seja lá o motivo pelo qual ele fez aquilo... Não me importa mais...

Contos de Um Lobo na Cidade - Vol. 3 - Histórias de Vidas ParalelasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora