Capítulo I - Episódio 1

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E que paz é essa? Lembrou das palavras de Bart, seu tutor. Vivemos felizes com tantos deles sofrendo em nossas senzalas?

Mas no fundo, Bart também gostava de ter um escravo lhe trazendo café toda manhã.

Aderol era conhecida por ser uma grande cidade mercantil no sul do Planalto Solar. Antes da grande onda, ela produzia muito alimento e servia de rota para quem descia em direção ao mar. Agora que o nível do mar subiu, perdeu o status que tinha perante o mercantilismo.

Entretanto, a multidão de pessoas que fugiam do alagamento se alojaram e ocuparam Aderol, se tornando uma das primeiras cidades de Ethlon onde haviam Auróptis vivendo mais na miséria do que os próprios moradores Terras-Ruins.

— Nissola — disse Anthony para o capitão dos arqueiros. — E aquela pedra atrás deles?

— Eu e os rapazes procuramos por arqueiros e besteiros, não vimos muitos. Acredito que eles não vão usar aquela pedra para isso. Entretanto, sempre é bom se precaver.

— Assim será. Há anos não boto a mão na minha arma e não será agora que decepcionarei Rubellius.

Anthony dispensou Nissola e embainhou a espada. Com as mãos nas cinturas, respirou fundo.

Como resolver isso? Qual a melhor maneira?

Anthony fez um sinal com a sua mãe e chamou seu assistente, que até então esperou junto dos soldados da infantaria. Quando ele se aproximou, jogou o capacete para o rapaz, que agarrou perdendo o equilíbrio, quase caindo de costas no chão.

— Vai ser um péssimo soldado se continuar fraco — disse reprovando a reação do rapaz.

Anthony sequer sentiu remorso ao pensar que um jovem de dez anos ainda levaria muitos outros anos para ter músculos e ser um verdadeiro soldado.

— Avise Galvan para me encontrar aqui daqui a pouco. Quero ele e Nissola comigo. Enquanto isso, preciso pensar e preciso de silêncio.

O silêncio era o que o comandante da primeira infantaria precisava antes de um conflito, seja ele mental ou físico. Ouvir o vento e os pássaros lhe faziam bem, faziam o sangue fluir em sua mente e seus pensamentos acelerarem. Sentir a grama e o cheiro de terra tonificavam o seu corpo.

Entretanto, os gritos e berros dos Terras-Ruins lhe cutucavam o peito. Tiravam a calma e faziam uma pequena irritação nascer dentro de sua alma.

Escravos rebeldes! Só me faltava isso agora.

Apertando a mão, sentiu o som do couro de sua luva se contorcendo. Depois os músculos retesaram e sentiu a estrutura do braço arder.

Mas o que fazer? Era a pergunta que vinha em sua mente. O que Bart faria?

Bartholomeu Pogonato, não só General e mão Direita do Imperador, era também o superior imediato de Anthony e ainda, seu melhor amigo.

Bart e Tony cresceram juntos na cidade vertical, Platô do Sol. Ambos descendentes de família da alta classe, moravam no topo da cidade, próximo ao palácio do Imperador. Além de ter uma vida fácil, ambos tinham uma boa alimentação, saúde e educação.

Por serem filhos mais velhos, cursaram a academia do Platô do Sol com o intuito de seguir a carreira militar.

Assim como em Porto das Pedras, a capital do Planalto Solar conta com uma boa academia que tem o objetivo de trazer a educação para os Auróptis de todo o Planalto. Entretanto, os que desejam estudar magia, precisam ir morar em Porto das Pedras, coisa que aconteceu com os irmãos mais novos de Anthony e Bartholomeu.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora