Capítulo I - Episódio 1

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Junto com o sol nascente, o pelotão da Primeira Infantaria de Proteção Imperial chegou nas redondezas de Aderol. Liderando os soldados, montado a cavalo, vinha Anthony Gabras com sua bela armadura dourada, carregando sobre ela o símbolo do sol.

— Soldados! — gritou com a voz abafada de dentro do capacete de aço e com a espada ao alto. — Sentido!

Os soldados sob comando do Primeiro Comandante pararam batendo suas botas no chão. O estalo das botas ecoou longe e todos pararam, em perfeita ordem.

Na frente, três linhas de infantaria com escudos grandes, lanças e armaduras pesadas aguardavam a ordem de seu comandante. A infantaria imperial era muito conhecida pela sua disciplina e resistência em combate organizado. Em um dia como aquele, com sol e em um terreno limpo, não teriam dificuldade com sua função: defender e executar.

Logo atrás da infantaria, um grande pelotão de arqueiros com seus arcos longos também aguardavam a ordem para iniciar a chuva de flechas.

Além dos dois pelotões, Anthony também contava com uma pequena cavalaria, que poderia usar em situações estratégicas. Apesar de ser o maior criador de cavalos, o Império do Sol não conseguia ter uma forte cavalaria como em Vanatoris ou como os Terras-Ruins de Llanuras Perdidas. Estes cavaleiros precisariam ser utilizados com cuidado para não perder seus homens em uma ação mal planejada.

Anthony sentia falta de seus magos. Um poderoso pelotão com técnicas diversificadas que poderia fazer muita diferença em um conflito. Entretanto, o Imperador tinha outros planos para os magos e hoje Anthony teria que lutar sem eles.

Distante deles, do outro lado do campo de vista, os seus inimigos esperavam. O batalhão de Terras-Ruins se preparava para atacar ou para se defender.

Era impossível não percebê-los. Eles gritavam e berravam, fazendo parecer que seus gritos eram o único som no universo.

O exército inimigo parecia desorganizado e mal armado. A fila se estendia lado a lado, com homens de tudo quanto é tamanho e cor. No centro e atrás do pelotão, uma grande pedra emergia no chão. O inimigo parecia ter escolhido o lugar logo à frente para não precisar se dividir em uma investida.

Segundo informações, os Terras-Ruins não tinham armas e armaduras para todos, o que implicava que muitos deles estariam utilizando ferramentas como pás e picaretas para batalhar, e outros ainda estariam desprotegidos.

Um inimigo ínfimo perante a força do batalhão imperial.

Anthony saltou de seu cavalo e deu alguns passos em direção ao inimigo, cravando sua espada no chão, se apoiou e descansou. Tirou o capacete e deixou o vento acariciar seus cabelos loiros e curtos. A vida era tão bela fora de seu capacete.

Enquanto relaxava após a longa viagem a cavalo, ficou ouvindo os gritos e ovações dos Terras-Ruins. Pareciam determinados a defender o seu objetivo e pagariam com a morte.

— Eles ainda têm a cidade? — perguntou Anthony, quando um de seus capitães se aproximou, com um arco entrelaçado em seu corpo e um capacete de couro.

— Sim, comandante. Eles têm total controle sobre Aderol e muitos Homens do Sol como reféns. A escolha da cidade para esse motim foi bem estratégica, estando ao sul e às margens da nova linha do mar impedia que eles fossem flanqueados, apesar de não ter visto guardas no limite do mar.

— Duvido que eles tenham pensado na posição estratégica da cidade. Temos bastante escravos ao sul. Muitos desses que estão lutando são escravos libertos. É por isso que temos esse motim aqui. Mesmo assim, se fosse interessante, poderíamos ter a frota naval atacando pelo outro lado e teríamos uma bela manobra de flanqueamento. Essa luta vai ser fácil. Resolvemos isso e voltamos a ter paz.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora