Prólogo

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O universo é como um pedaço de vidro bruto. Pequeno, sem forma, transparente e insignificante. Mas conforme é moldado e unido a outros fragmentos, sua forma se transforma e aos poucos ganha forma.

Conforme é trabalhado pelo vidreiro, pigmentos são adicionados à sua estrutura, o vidro se molda e se torna um conjunto de elementos mais complexos, tão complexos que cada pedaço, em diferentes formas e cores, se tornam únicos.

Nas mãos do artista, os elementos são combinados e montados em desenhos que podem representar um retrato ou um momento do tempo. E combinados à luz do sol, seu brilho irradiante não só nos traz ideias sobre o passado, mas também traz a sensação de que não estamos sozinhos no universo.

E assim são os vitrais expostos no salão do trono do Imperador Rubellius, no Platô do Sol. Perfeitamente alinhados ao ângulo do sol, mostram diversos desenhos conforme a hora do dia e a estação do ano.

Assim como os quadros de Porto das Pedras, muitos desses vitrais foram construídos antes mesmo do Homem do Sol pôr os pés em Ethlon, trazidos em suas embarcações e reconstruídos na bela arquitetura da impenetrável Cidadela do Sol.

Muitos desses desenhos não significam nada aos olhos do homem comum. Mas dia após dia, os sábios refletem sobre cada pedaço de vidro pendurado no topo da fortaleza. Muitos clarividentes são contratados em Porto das Pedras para tentar ter visões sobre o que cada um dos mosaicos podem estar querendo informar.

O primeiro a ser iluminado na primeira hora, durante o verão, é os campos verdejantes. Esse, sem dúvida, representa o dia em que os Auróptis marcharam da Costa Vazia para o norte e encontraram o Planalto Solar. Um local de terras vastas, que depois do retorno do sol, vieram a se tornar o lugar mais fértil e belo de toda Ethlon.

Por ter ganhado tanta visibilidade entre os fazendeiros e produtores de alimento, ali, o primeiro Imperador declarou seu reino e desde então, o Planalto Solar vem sendo governado por gerações da família Rubellius.

A família e os juramentados do Imperador têm crescido com facilidade e abundância. Assim como mostra os outros vitrais que podem ser interpretados em ordem cronológica. O nascer do dia representa a prosperidade e a chegada do Homem Branco à Ethlon, outros representam o crescimento e a conquista.

Mas o que mais interessa a Rubellius é o último vitral, que é iluminado antes do pôr do sol, durante o inverno. A imagem de um homem alado segurando uma espada, apontando sua arma para o alto. Esse ser é feito de luz e é magnífico, mas sua espada é azul como o céu e brilha mais do que o próprio sol.

Rubellius acredita ser uma mensagem para sua conquista de tudo que o homem conhece. E hoje, enquanto seu olhar se atenta às novas terras, embaixo de seu nariz, o mundo treme em caos...

... e suas interpretações vão se mostrar erradas.

A saga dos filhos de Ethlon II - AntítesesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora