Capítulo 4

1.2K 253 45

Capítulo 4

Rose

— O Vicente? Mentira.

— Se fosse mentira, eu não estaria na terceira tequila, em plena segunda-feira — respondo Thais, de forma ríspida, e sei que isso é culpa da bebida.

Sempre me fecho quando estou com raiva. E agora a resposta simplesmente... deslizou pela minha língua.

— Cara. Isso vai ser hilário.

— Eu achei que você era minha amiga — choramingo e deito a cabeça no mármore frio do bar.

— E sou. Você já pensou que será chefe do Vicente, por um tempo? Poderá fazê-lo pagar os pecados que você acha que ele tem.

— Thais, nem se eu me tornasse chefe dele pelo resto da vida, ele conseguiria pagar todos os pecados que tem.

— Não sei por que fala isso. Vicente faz rodízio na cama porque não tem namorada.

— Você acha que ele seria fiel? — Busco minha amiga com os olhos, mas já estou enxergando duas loiras.

Sou fraca para bebida. O máximo que consigo consumir são algumas taças de vinho.

Por que eu bebi tequila?

— Acho que sim. Ele tem os genes do Sr. Romeo e do Vinícius.

— Eu não acredito nisso. Vicente é um canalha e ponto final.

— Isso é o que você quer que seja.

— Eu quero ir embora — resmungo e afasto o copo quando o barman aparece no meu campo de visão. — Para mim, já deu de tequila por hoje.

— Vou ao banheiro e já podemos ir — avisa Thais e, depois de pagar a conta, levanto-me, meio zonza. Fico feliz em saber que ainda sou capaz de caminhar sozinha até a porta. Isso, claro, se uma pilastra não tivesse entrado na minha frente.

— Opa. — Preparo para o baque, mas não acontece.

— Sinto muito. — Uma voz grave soa acima de mim e dois braços fortes seguram minha cintura. — Rose?

Olho para cima e reconheço Patrick.

— Oi. Desculpe o mal jeito. Não te vi aí.

— Ainda bem que te segurei a tempo. — Só agora reparo que suas mãos ainda não saíram do meu corpo. — Você já está indo embora?

— Já sim. — Tapo a boca para evitar que um soluço escape. Que vergonha.

— Estava pensando em tomar uma bebida. Me acompanha?

— Desculpe... — droga de soluço —... Patrick, mas acabei bebendo mais do que eu podia.

— Em plena segunda-feira? Tem algo a ver com a reunião? Que tal, então, comermos algo e você me explica tudo.

— Vamos, Rose? — Thais chega para me salvar no momento certo.

— Fica para a próxima, Patrick.

— Vou aguardar, ansioso.

Cambaleio para longe de suas mãos e Thais me ampara pelos ombros.

— Passou mel na periquita? Por que só homem gostoso anda aparecendo, dando bola para você, e eu fico chupando dedo? — caçoa, assim que estamos a uma distância segura.

Pelo menos, acho que estamos.

— Você não me disse que tinha achado o amor da sua vida? — Tento falar sem rir, mas é impossível. Meu nível alcoólico está realmente alto.

*Degustação* A Promessa Onde as histórias ganham vida. Descobre agora