23. Benito vs Aurora

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BENITO

Assim que o sinal tocou alto indicando o intervalo, Benito levantou mais rápido que o habitual, mas tinha excelentes motivos para isso.

— Ei, por que tanta pressa? — Helena perguntou rindo com o jeito afoito do irmão ao sair da sala sem olhar para trás.

— Preciso ir no banheiro — respondeu dando de ombros e continuou caminhando rápido, sem se preocupar em deixar a irmã para trás.

Ao banheiro — Helena corrigiu alto.

— Você entendeu! — Benito respondeu também alto e andou rápido pelo pátio da escola.

Passou pelo pátio principal sem olhar para ninguém e foi até a parte mais afastada, que ficava escondida por alguns arbustos e árvores cheias de flores coloridas que quando caíam pintavam o cinza do chão com as suas multicores.

Ali sempre tinha uma pessoa ou outra lendo, ouvindo música ou simplesmente tirando um cochilo de quinze minutos. Naquela segunda-feira tranquila havia apenas um menino deitado no chão com os fones de ouvido e os olhos fechados.

Benito foi para o canto oposto ao carinha sonolento e sorriu quando viu quem o estava esperando.

A menina sorriu. O sorriso mais lindo que ele havia visto nos últimos anos. A única garota que conseguia ficar realmente linda com aquele uniforme feio do São Mariano. A calça vermelha e a camiseta branca eram a marca registrada do tradicional colégio.

— Você veio... — Mirella falou tranquila, mas com o rosto ficando tão vermelho quanto a sua calça do uniforme.

Benito sorriu e se aproximou dela, parando cara a cara com a menina.

— Recebi sua mensagem — ele falou baixo.

— Que bom — Mirella respondeu dando um passo para frente e passando os braços pelo pescoço dele. — Estava com saudades, é muito chato não poder conversar com você na sala de aula.

Benito abraçou a cintura da menina e suspirou baixo, dando um beijo leve na têmpora dela.

— Eu sei, eu também queria mudar isso, mas... — ele falou baixinho, deixando a frase morrer no meio caminho. Não era necessário completar a frase, pois os dois sabiam como iria terminar: é complicado.

O complicado deles tinha nome, sobrenome e uma mão pesada: Lívia Becchio.

O fato é que, no dia do aniversário deles, Benito ficou o dia inteiro conversando com Mirella. Havia sido verdadeiramente divertido e era como se os dois tivessem quebrado uma regra que não havia sido estabelecida por eles.

Passaram a noite inteira trocando mensagens e no domingo, quando Benito deveria estar na arquibancada torcendo pelo time de vôlei feminino, ele estava na sorveteria com Mirella.

Sorveteria onde começaram a dar os primeiros beijos que nem sabiam que estavam guardando. Quer dizer, Benito sabia que estava guardando, mas não imaginava que a menina estivesse fazendo o mesmo.

Era um sonho virando realidade e mesmo que não estivesse sendo ideal, era o que eles tinham para o momento.

Haviam combinado de se encontrar naquele lugarzinho escondido do colégio e pretendiam ficar ali o máximo de tempo possível. Entre beijos e afagos, Benito estava perdido no momento.

Beijar Mirella era a realização de um sonho infantil. Desde que viu a menina pela primeira vez, quando tinham seis anos de idade, ele sempre soube que queria estar ali, em momentos preciosos com ela, mesmo que a sua versão infantil não soubesse ao certo o que tudo aquilo significava.

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