Capítulo Vinte e Três

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Castiel Almeida

Continuo olhando fixamente para o homem a minha frente, assim como ele também me retribui um olhar surpreso e cheio de questionamentos. Mas ele não tem o direito de questionar nada na minha vida, já que não sou eu quem deve explicações aqui.

Me levanto com rapidez da cadeira e me ponho ao lado de Adrian, levando minha mão a sua em seguida e a aperto com força, o que faz ele me olhar em dúvida.

- Castiel... - O homem começa, mas com o olhar que eu lanço para ele, ele para de falar.

- Eu quero ir embora. - Falo e olho para Adrian, que me lança um olhar preocupado agora.

- Por que? Ainda está cedo, está sentindo alguma coisa? - Ele pergunta e sua atenção se volta totalmente a mim.

- Raiva... agora vamos. - Falo sério e pego Evan de seu colo, saindo sem olhar para trás.

- Cas, espera! - Escuto Adrian gritar, mas não paro.

Caminho depressa com Evan em meu colo e após uns cinco minutos, eu chego até onde a caminhonete de Adrian está estacionada. Solto um palavrão baixinho, já que a chave está com ele. Frustrado, me encosto na porta e ajeito Evan em meu colo, que resmunga com manha. Olho para ele e vejo seus olhos pequenos de sono. Deito sua cabeça em meu ombro e começo a me balançar, tentando fazer ele dormir, enquanto espero o idiota do cowboy aparecer.

Eu estava tão bem com minha nova vida aqui, e então me aparece um fantasma do passado... uma pessoa que eu não faço a mínima questão de ter sua presença por perto. E agora mais essa, como Débora pode ser minha irmã? Ela é bem mais velha que eu, e eu não consigo encontrar uma explicação para isso nesse momento. Na verdade, eu queria que esse encontro nunca tivesse acontecido, queria me ver longe dessas duas pessoas. Assim como quero me ver longe de todas as pessoas que já me causaram mal ou me abandonaram no passado.

Saio dos meus pensamentos quando escuto o barulho do alarme sendo destravado. Olho para o lado e vejo Adrian vindo em nossa direção. Sem dizer nada, abro a porta traseira e coloco o corpo já adormecido de Evan na cadeirinha. Fecho a porta com cuidado e logo me sento no banco do carona. Adrian coloca nossas coisas no banco de trás e logo toma seu assento no banco do motorista, dando partida em seguida. Percebo que seu rosto está sério e pelo que conheço, ele não deve ter gostado da forma como sai do parque. Mas eu não poderia fazer nada, não iria suportar ficar mais tempo na presença daqueles dois.

Nosso caminho para casa é feito em absoluto silêncio e fico aliviado quando Adrian estaciona em frente à casa da minha avó. Me apresso em sair do carro e logo pego Evan, entrando em casa em seguida. Sinto Adrian me seguir e vou para o quarto de Evan.

Deito meu filho em seu berço e tiro os pequenos tênis e a calça jeans, deixando ele mais confortável. Cubro ele com uma pequena coberta e ligo o ar em uma temperatura que não vá o prejudicar.

Assim que me viro, vejo Adrian me olhando fixamente em silêncio e solto um suspiro.

- Vai me explicar o que houve? - Ele pergunta após alguns segundos, e concordo com um aceno.

Ainda em silêncio, pego em sua mão e saio do quarto de Evan, seguindo para o meu. Fecho a porta atrás de mim e ligo a babá eletrônica em cima da cômoda.

- Senta aqui. - Peço quando estou sentado na cama e sem muita cerimônia, Adrian também se senta.

- Eu não entendi nada do que aconteceu hoje Castiel. Você conhece o Alessandro? - Ele pergunta e posso ver a confusão em seu olhar.

Solto uma risada amarga e aperto minhas mãos juntas, respirando fundo em seguida.

- Ele é o meu pai, ou melhor... é apenas o homem responsável por eu existir. - Falo com amargura.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora