Capítulo 3

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CAPÍTULO TRÊS 

Rose

— Rose, a Thais chegou — avisa minha avó do andar de baixo.

— Já vou — grito e me estico para pegar a bolsa no armário.

Droga de despertador que não tocou tão alto como deveria. Eu nunca perco a hora. Nunca.

Seguro o par de sapatos nas mãos e desço a escada rapidamente.

— Você não desceu nem para tomar café — repreende minha avó.

— Desculpe, vó, fiquei acordada até tarde e perdi a hora.

— Não foi correr? — questiona, espantada.

Se eu não estivesse tão atrasada, até sorriria pelo semblante dela. Não perco a minha corrida matinal nem mesmo nos fins de semana. Mas o livro ontem estava tão interessante. Não consegui deixar para saber o final depois.

— Não. Amanhã terei que correr o dobro — brinco. — E onde está a Kellyane? — indago, colocando os sapatos nos pés.

— Já te disse que não preciso de babá.

— Ela não é sua... — a buzina do carro de Thais interrompe o que eu ia dizer —... preciso ir. Ligo para ela no caminho.

— Não precisa. Ela ligou dizendo que teve um problema com o carro, mas já está chegando.

— Ok. Mais tarde eu ligo para saber como vocês estão. Tchau, vó. Te amo.

— Espere — grita, quando estou passando pela porta. — Achei uma frase interessante para a sua coleção.

Levanto as sobrancelhas e seguro o papel que ela me estende.

— Vai com Deus, minha filha.

Sorrio e saio pela porta da frente. Coloco o papel dobrado na bolsa e sigo até o carro, onde uma música alta e irritante soa pelos alto-falantes.

— Isso tudo é para eu desistir de pegar carona com você?

— Eu não corro esse risco. O dia que você parar com esse medo bobo de dirigir, até pedra vai cair.

— Não é medo. É apenas um receio.

— Sei. Você é medrosa, sim, e não assume. — A loira ao meu lado ri da minha cara e sai pelo trânsito, cortando qualquer carro que ouse parar em sua frente.

Thais é um perigo ambulante.

Ajeito-me no assento de couro do seu carro e penso em seu comentário. Em 24h fui chamada de medrosa, por duas pessoas diferentes. Será que isso é um sinal de que eu preciso fazer algumas mudanças em minha vida?

Observo o trânsito caótico em volta e penso em quando meu avô pagou a minha habilitação; quando consegui comprar meu carro. O carro que só sai da garagem quando minha avó precisa de algo urgente. Algo que quase nunca acontece, pois vamos de táxi para todos os lugares.

Sei que deveria dirigir, mas o medo que tenho de fazer algo errado e machucar alguém ou me machucar, vai além da minha vontade.

— Não tem nenhuma música que preste neste carro? — digo, querendo dar fim a esses pensamentos, em plena segunda-feira. Pego o celular de Thais e olho a playlist.

Melim. Adoro as músicas dessa banda.

Ouvi dizer começa a tocar, mas assim que paramos em um sinal, Thais toma o celular da minha mão.

*Degustação* A Promessa Onde as histórias ganham vida. Descobre agora