O Casamento - Parte 1

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"Os Meus momentos raros de distração e tranquilidade estão aumentando... Mas mesmo assim, o passado não deixa de ser lembrado"

- Ei! – Ouvi alto próximo de mim, alguém me chamar de maneira escandalosa.

- O que foi?! – Respondi do mesmo jeito, abrindo meus olhos normais de pessoa e olhando onde eu estava naquela noite de primavera.

Eu estava em uma escola, grande e mais precisamente em um pátio com chão de pedra e altos muros com ladrilhos que contavam histórias.

- Vai ficar parado ai por quanto tempo Felipe? – Me perguntou um outro jovem, deveria ter a mesma idade que a minha, vinte e tantos anos, porém mais branco, de cabelos curtos e loiros, corpo grande e físico adequado.

- Ah! – Respondi eu já sorrindo e mostrando os caninos afiados que não brilharam apenas por que o céu estava muito encoberto e cinza – Por quanto tempo eu achar que devo olhar Arnord!

Me aproximei e os outros jovens estavam rindo do que eu havia falado. Todos Estavam bem tranquilos, e o lugar não me parecia estranho, e sim familiar.

Parecia o reino de Wanttz, só que depois de anos e anos. Agora os castelos estavam mais simples e com algumas paredes rachadas, mas os locais dos ladrilhos próximo a mim estavam impecáveis.

Comecei a rir de uma piada contada por um dos garotos e notei a roupa que todos usavam: uniformes azuis e brancos, como se fossem marinheiros.

Entre eles havia o Jhonathan, que estava sem camisa com o seu corpo também, muito bem torneado e tão branco quanto o de Arnold a mostra para todos verem.

- Que há Felipe? – Perguntou ele quando reparou que eu o observava.

- Nada – Menti para ele.

- Será? – Me perguntou ele se levantando e cruzando os braços com um sorriso de alguém que sabia quando admiravam ele.

Jhonathan era um cara bem sociável pelo que eu sabia e via, viva cercado de pessoas, fossem homens ou mulheres, mas geralmente homens, e todos sempre de corpo bem trabalhado.

- O que você quer? – Me perguntou enquanto me olhava fixo nos olhos.

- Nada – Respondi mentindo novamente.

Nesse momento senti o meu coração bater forte e ele pegou em minha mão.

Notei estar usando a minha convencional mochila, mas estando de bermuda e uma regata branca, além de descalço.

Ele levantou a minha mão e foi levando em direção ao seu peito.

Rapidamente tratei de me soltar dele e o empurrei para trás, o derrubando em cima do banco de pedra que havia encostado ao muro de pedra com ladrilhos e sai correndo em direção a um portão grande ao sul.

- Felipe! – Berrou ele – Espera! – Falou se levantando, meio tarde pois eu já estava bem a frente dele, mas ele tentou me seguir enquanto podia.

Corri rápido, muito rápido pelas passagens da faculdade. Era tudo realmente grande, além de escuro. Não demorou para que eu conseguisse ouvir o barulho de alguns pingos de chuva.

Quando parei de correr e prestei mais atenção aonde eu havia chegado.

Percebi que estava em outro pátio, bem menor que o anterior, mas este bem mais conservado, com ladrilhos no chão da mesma cor e tipo dos que haviam no grande anterior. E diferente do outro que tinha apenas pedras e mais pedras além dos bancos de pedra, este havia alguns pequenos jardins com flores e plantas que mexiam quando alguns dos pingos as acertava. Tive uma breve visão aérea do local e percebi que as plantas e flores estavam dispostas de uma maneira bem singular.

Havia uma parte maior que formava um canteiro num canto que se estendia até a beirada da entrada, mas este canteiro possuía cantos pontudos que se estendiam quase até o centro e na ponta de cada um dos três cantos, haviam um pequeno espaço arredondado sem ladrilhos onde havia apenas uma espécie de flor em cada uma.

- Pois não? – Chamou uma moça morena de longos e lisos cabelos de um tom de marrom escuro, ela estava com um vestido longo e de um azul bebe que parava logo depois das canelas mas deixava à mostra o seu salto simples.

- O moço gosta de flores? – Perguntou uma menininha também morena, de cabelos longos mas mais encaracolados, ela estava com uma blusinha que nas pontas tinha uma renda simples feita a mão, uma lacinho no pescoço fino e branco, e uma saia que cobria toda a sua perna mas não escondia a sapatilha.

Fiquei parado por um momento observando as duas e notei que os pingos que iam se tornando mais constante não as molhava, se quer as tocava.

- Sim, amo flores – Finalmente respondi, piscando e respirando mais calmamente enquanto caminhava para mais perto delas.

Logo eu estava conversando com as duas. Eu sentado no chão, no ladrilho enquanto a garotinha me mostrava as flores de várias cores e perfumes.

Não demorou muito e notei algumas conversas paralelas e olhos que olhavam para mim do corredor interno.

"Ele está falando sozinho?" – Murmurou uma garota que passou com sua amiga colega, ambas vestidas com uma camisa também azul e branca, como marinheiras mas, com pastas nas mãos.

"Deve ser um daqueles estranhos" – Respondeu a colega diminuindo os passos para olhar para o que acontecia comigo ali.

"Uma Pena não é? ... Tão bonitinho..." – Comentou a garota com uma pasta na mão.

"De fato não é? ... Um Desperdício..." – Respondeu ao comentário.

- Você não se importa com essas pessoas falando de você pelas suas costas jovem? – Me perguntou a moça enquanto eu sorria e falava de flores com a garotinha.

- Não senhora – Respondi e logo emendei demonstrando estar bem e normal para a criança – Não tenho por que me importar com pessoas como elas.

- Felipe?! – Chamou alto Jhonathan parado e suado, me olhando e respirando ofegante da entrada.

Assim que ouvi, acabei ficando sério, e estando de joelho, me virei para ele, o encarando de maneira séria enquanto o via se aproximar de mim, passo a passo.

Contos de Um Lobo na Cidade - Vol. 3 - Histórias de Vidas ParalelasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora