Capítulo 41

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Avisinho: Manuela está, oficialmente, na Amazão! (O Link vai estar no perfil!) 

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Chega de falar, Cams. As bunita quer ler o bilete da Dona Helena.

(Ninguém reparou na referência com Dona Helena não?)

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"Filho, eu sei pelo que você passou. Ninguém te entende mais do que eu, menino. Mas você não sabe o que eu passei."

Terminei de ler chorando. A ficha caía. Dona Helena nunca teve um emprego, nunca saía com amigas, nunca estudou. Vivia para o lar e para o marido. Se eu pedisse um bolo, às dez horas da noite, eu teria um. Ela varava a noite ao meu lado quando eu não estava bem. Dona Helena mal conversava com a Dona Lúcia, tampouco Dona Fernanda. Sempre dois passos atrás do marido, sempre escondida. Sorria quando ele soltava uma piada, mas nunca ria. Nem comia açúcar porque açúcar engordava.

Vivia vigiada num cárcere. Sempre acreditei que, quando ele bateu em mim, aquele foi seu único rompante. Meu pai nunca foi violento. Ninguém ao nosso redor poderia acreditar, se eu não tivesse saído tão machucado, que apanhei dele como apanhei.

Caso é que ele controlava a narrativa. Ele é um santo para a própria família, para os sócios, para os vizinhos. Eu era o moleque degenerado viado que escolheu se perder no mundo do que ouví-lo. Ele era um santo. Todo mundo amava meu pai e eu acreditei que minha mãe fosse omissa porque era cega de amor por ele.

"Filho, eu quis fugir, mas eu não tinha para onde. Não tenho amigas, não tenho parentes, não tenho a quem pedir socorro. Fui até uma delegacia, mas eu não podia provar que apanhava do marido porque ele nunca me deixou marcas. Ele sempre bateu nas minhas mãos, nos meus pés, e na minha barriga. Lugares que nunca deixam marcas".

Ela era omissa porque temia apanhar. Porque apanhava por qualquer coisa. Porque meu pai tem a mão pesada e eu sei. Se escondeu no quarto porque passou trinta anos apanhando quieta sem ajuda de ninguém e sempre longe da minha vista. Não conseguiu me apoiar quando fui expulso de casa porque era questão de sobrevivência para ela. Trinta anos, amarrada ao meu pai, sempre atrás dele, sempre cozinhando sua comida, passando suas camisas, limpando seu chão. Não respondeu para o Gustavo quando ele confrontou meu pai, e mesmo assim, apanhou como nunca. Disse que mal conseguia se levantar da cama no dia seguinte.

Me pergunto, até hoje, por que ela não foi atrás de mim quando fui expulso. Por que é que não pediu abrigo para mim.

Com a carta em mãos, dentro do IML e a roupa escolhida enviada para a funerária, só me restava me despedir dela do velório.

Aos frangalhos, entrei pelo cemitério, a noite virada sem conseguir pregar o olho, e o velório dela não tinha um parente sequer. Ninguém de sua família, só eu e a família dos meus. A Ferreirada em peso, todos lá, cada um deles. Dona Lúcia com uma garrafa d'água para mim, os olhos magoados, entristecidos.

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