Como era antes

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O meu novo amigo dividiu comigo o cigarro e depois me levou até meu quarto

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O meu novo amigo dividiu comigo o cigarro e depois me levou até meu quarto. Pedi para que ele me ajudasse com o corpo do Bida... Pobre Bida... O clone matou ele. Será que todos os clones são assassinos que nem eu?

— Como esse cara morreu, Ana? — Meu amigo Andy pergunta. Ele ficou achando estranho o Bida morto. Já tem cheiro ruim. Eu não me importo.

— O clone queimou a cabeça dele. Ele ficou chateado por que tentamos fugir. — Fico triste. Bida era estranho, mas era legal. Seria um bom amigo.

— Queimou a cabeça?! Cara... Que horror! — Ele ficou pasmo, branco. Será que ta pensando que fui eu?

— Não fui eu. Foi o clone! — Digo alto, pulando em cima da cama. Deixo as pernas pra cima, com medo que ele apareça para matar Andy também.

— O que foi, Ana? Está com medo? — Concordo com a cabeça. — Não precisa ter medo de mim. Somos amigos, lembra?

— Lembro... — Aponto para Bida — Ele morreu.

— Está com medo que me fritem também? — Concordo coma cabeça. A minha amiga foi pega pelo que sabe de tudo e o Bida foi queimado pelo clone. — Eles não vão me queimar. Não se preocupe.

Ele põe a mão no nariz para entrar no quarto, chegando perto de Bida. Ajudo ele a levar o meu amigo morto para fora do hospital, para o mar. Quando levantamos o cheiro fica pior. Já estava estragado.

O meu amigo queria tanto ir para o mar... Agora ele conseguiu ir para o mar, para fora aqui. Eu também queria poder voltar para minha casa, queria ficar de novo com meus irmãos e Boné. Queria que voltasse ao tempo que eles não me olhavam. Que os olhos não me incomodavam. Queria voltar para casa, deitar na cama e dormir sem tudo isso que me incomoda.

O Andy coloca a mão em meu ombro vendo que eu olhava para a água, talvez esperando que o Bida acordasse. Esperando que ele voltasse... Eu sei que ele morreu por minha culpa. Ele não devia ter morrido... Ele não me incomodava.

Ele me guia para meu quarto de volta, não adianta ter um amigo que me leva de volta para a prisão...

— Como era sua vida antes de entrar aqui, Ana? — Nunca tinham me perguntado isso, não sei responder.

Era bom ficar livre, mas os olhos das pessoas me incomodavam. Minha cabeça era uma bagunça enorme, mas agora está melhorando. Talvez seja os remédios que me dão aqui... Se me tratassem direito e não machucassem meu pulso, talvez pudesse ser um bom lugar.

Sento na cama para explicar. Falo devagar o que faziam comigo lá fora. Digo que eles ficavam me olhando para mandar o que sabe de tudo ir me buscar. Foi exatamente isso que aconteceu. Ele me descobriu e trouxe para cá... Não adiantou fazer as pessoas más pararem de olhar. Ele me achou.

O cigarro começa a passar o efeito e minha cabeça fica um pouco mais bagunçada. É claro que ele não deve ter acreditado em mim. É meu amigo, mas também é amigo do que sabe de tudo. Aponto para ele.

— Você ajudou. Tem mais cigarro para depois? — Ele sorri e concorda com a cabeça.

— Tenho bastante. Posso trazer sempre para você. Tenho outras coisinhas a mais. — Aperto os olhos. Ele tem mais drogas?! Sorrio animada.

— Pode!! Pode sim trazer mais! Eu vou gostar muito de usar de novo. Estou sentindo falta.

Em casa era fácil de conseguir. Meus irmãos usavam de vez em quando. Eu sempre preferi maconha, mas usava quando a bagunça em minha cabeça estava alta demais e eu não conseguia ouvir meu pensamento.

Ele fica de pé depois de passar a mão em minha cabeça, como um carinho bruto.

— Não se preocupe. Eu vou voltar para ficar com você.

Eu prefiro ficar sozinha.

— Não. — respondi. — Eu vou ficar bem sozinha.

Eu sempre fico melhor sozinha. Não gosto de tanta gente! Não gosto não. Eles me olham com cara de quem matou. Eles mereceram morrer, olhavam para mim.

— Você precisa matar todos que sabem de tudo.

É isso... Eu preciso matar o que sabe de tudo. Assim vou poder ir embora. Ele me machucou e ainda está doendo. Eu tenho que tonar cuidado para não ter mais clones meus. Eles me deixam presa aqui. O clone que matou o Bida. Ele matou o Bida e ficou feliz. Jogou ele aqui para ficar preso mesmo depois de morto.

Ninguém devia ficar preso depois de morto. É ruim ser preso.

O Andy vai embora quando percebe que eu estou falando com o Otto dentro da minha cabeça. Eu escuto sempre o Otto. Ele me diz o que fazer e não fazer sempre. Ele me mostra quem é mau e quem não é mau. Eu sei quem quer me clonar por que ele me diz. Otto é meu amigo. Ele sabe mais do que o que sabe de tudo.

— Não confia nele. — O Otto não acredita que o Andy é meu amigo. Ele sabe que o Andy quer me fazer mal. Ele sabe quando isso acontece e isso acontece sempre assim.

Fico brava, brava com Andy. Ele fechou a porta. Por que diz que é amigo se fechou a porta? Quer que eu fique trancada e não vá para o mar igual o Bida. O Bida queria ajudar... Eu não sabia.

O novo amigo Andy não é bom assim. Ele quer brincar igual brinca com os bonecos do Andy. Ele é mau.

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