Capítulo 5

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As suas grandes asas brancas estão à minha volta como se me tivessem a abraçar e eu deito a minha cabeça no seu peito reconfortante. Nunca me senti tão segura nos braços de alguém como me sinto com ele. Como é que isto tudo pode ser fruto da minha imaginação? Parece sempre tudo tão real e verdadeiro. O modo como ele me agarra e me toca sempre com uma delicadeza imensa. Quem me dera que ele fosse real, seria tudo diferente. Levanto a cabeça e encaro-o. Claramente é impossível existir na realidade uma pessoa tão perfeita como ele. Mesmo que tivesse horas à procura de um defeito nele nunca iria encontrar e, ao invés do que sinto em relação ao Daniel, isso não me intimida. É impossível sentir-me intimidada por um ser tão perfeito.

Os seus olhos vão ao encontro dos meus e larga-se um enorme sorriso no seu rosto tão belo. Uma das minhas mãos toca na sua face e começo a percorrer todos os seus traços com ela levemente. Ele olha-me atentamente mas sempre com o seu ar tranquilizante e não me sinto nada nervosa quando estou com ele. Sinto sempre uma paz interior intensa.

Sem pensar junto ambos os nossos lábios com imenso desejo e ele reage surpreendido mas não me afasta. Como é que me iria afastar se isto é tudo fruto da minha imaginação? Ele faz o que eu quero e desejo, este sonho é meu, é nosso. Entrelaço as minhas pernas ao redor do seu tronco sem o parar de beijar e os seus grandes braços chegam-me para mais perto do seu corpo e não me afasto como fiz com o Daniel há umas horas. Desta vez era eu que tinha o controlo de tudo e mesmo que fizesse algo errado sabia que ele não me ia deixar.

Quem me dera que o Daniel fosse como o Noah. Quem me dera que o Noah fosse real.

Sinto uma leve pontada de culpa por estar assim com outro rapaz sem ser o Daniel, mesmo que seja apenas um anjo fruto da minha imaginação. Paro de o beijar e afasto-me dele escondendo o meu rosto com as mãos sentindo-me envergonhada com este meu ato ousado.

- Desculpa, Noah... Não sei porque o fiz.

Ele agarra em ambos os meus pulsos e levanta o meu rosto para o encarar. O seu rosto está tranquilo e continua com um sorriso no seu rosto.

- Não peças desculpa se era isso que te estava a apetecer no momento, Rose. Eu gostei, foi bom.

Coro com tal informação. Claro que ele gostou, nos meus sonhos seria sempre tudo perfeito. Porque não pode ser sempre assim na realidade com o Daniel?

- Gostava tanto que o Daniel fosse como tu – acabo por admitir e o Noah fica pensativo e um pouco distante – ou então que tu fosses real... - acrescento por fim.

Ele sorri e volta a abraçar-me e mete de novo as suas enormes asas brancas ao nosso redor como se fosse uma proteção.

- Serei sempre real nos teus sonhos, Rose.

Suspiro infeliz. Mas contento-me por pelo menos tê-lo de alguma forma na minha vida.

***

Mais uma manhã e mais um dia de escola.

Custou-me imenso acordar hoje, principalmente porque isso significa que o Noah vai embora e estar tanto tempo longe dele tem sido cada vez mais complicado.

Desço até à cozinha e já lá está a minha mãe e a Louise a tomar o pequeno-almoço. Junto-me a elas na mesa e começo a servir-me.

- Como foi o jantar ontem, querida? Como estava o Daniel?

Ao ouvir o nome dele estremeço. Tinha conseguido deixar de pensar nele mas a verdade é que acordei e a realidade continua presente. Sinceramente não sei como o vou encarar hoje na escola e só de pensar em vê-lo a minha ansiedade aumenta e sinto o meu estômago a contorcer-se todo.

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