Conversa com o chefe

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Dave Griffin

Aquele babaca do residente apanha como um banana e a culpa ainda é minha?! Precisei sim sacar uma arma para ver se ele parava de me agredir. Queria profundamente ter atirado naquele imbecil. Admito que gosto de usar minha 'força policial' de vez em quando. No entanto, não queria fazê-lo dessa forma tão escrota, mas ele não me deu outra opção.

Sigo diretamente para a sala de Thiago. Não é para fazer fofoca, mas preciso deixar claro que essa palhaçada precisa acabar. Não sou bucha nem garoto de recados. Eles não são nada além de mim, muito menos aquele loirinho com cara de metido. Bati com pressa na porta do chefe até ouvi-lo dizer que podia entrar.

Lá está ele, com seu terno bem aprumado, tomando um suco de laranja e com uma marca no pescoço grande o suficiente para mostrar para todo mundo que Maya esteve ali. Ele deveria se dar mais ao respeito sendo o dono desse inferno particular. Seu olhar parece calmo, sereno, superior. Parece o olhar de quem não precisa se preocupar com nada além da cor da sua próxima gravata.

O que houve? Pensei que estivesse fazendo sua ronda. – Ele diz sereno e forte. Suas palavras tem um tom doce ameaçador como jamais vi. Agora começo a repensar se foi realmente uma boa ideia ter vindo aqui.

Coloco as minhas mãos no bolso, tentando disfarçar o fato de ter ficado sem graça. Minha timidez logo vai embora quando lembro-me do motivo pelo qual precisei vir até aqui.

Eu estava, mas o João Lucas resolveu me chamar para ajuda-lo em uma contenção. – Ele já me observa com cara de tédio. Merda. – O problema foi que a menina se soltou e agrediu ele de novo. Eu avisei que ainda não sabia conter direito! Ele ficou bravinho e veio para cima de mim!

Vejo o olhar divertido do chefe, que encostava-se na parte de trás de sua poltrona confortável.

– E o que você acha que eu posso fazer? – Ele pergunta deixando escapar um sorrisinho debochado. Ele está achando graça de mim. Deve estar pensando que sou um bebê chorão. Não devia ter vindo aqui.

Eu quero que saiba logo que apontei a minha arma para ele. – Ele fecha um pouco mais a cara, dando um tom de preocupação. Cacete! É muito difícil ler esse homem.

Pois bem, já sei. – Ele apoia os cotovelos na mesa, mostrando-se interessado e ainda preocupado. – O que me preocupa realmente é o que ele poderia fazer. A sua irmã é um alvo fácil aqui dentro.

Minha irmã. Calo-me imediatamente. Eu não pensei nela quando me meti nesse problema. Não vou me
Perdoar se algo acontecer com ela. É só uma menina... Isso, porém me ensinou que aqui até os médicos são loucos. Ninguém, de forma alguma é confiável nesse lugar, nem mesmo o dono que está em minha frente.

Eu preciso proteger minha irmã. – Digo assertivo. Eu faria tudo para mante-la em segurança. Não posso deixar que nada aconteça com ela. Fui eu quem a colocou aqui. Eu jamais me perdoaria.

Então vai precisar se esforçar um pouco mais, Dave. Vocês, só por serem Griffin são odiados por 90% desse lugar. Não dê mais motivos.

Eu sei muito bem o que Erick fez nesse lugar e as vítimas que deixou após tantos anos trabalhando aqui. Eu acredito que Thiago seja muito mais esperto do que realmente se mostra. Deixar escapar que sabe de Clara ser filha de Erick foi o que faltava para eu fechar.

Eu entendi. Vou tomar mais cuidado... – Já retiro-me lentamente do lugar, mas sou parado pela voz dele ecoando na sala tão bonita.

Griffin, você quer um quarto individual para deixar sua irmã mais protegida?

De maneira alguma! Minha vontade foi voar em seu pescoço e machucar ainda mais sua cara feia, rasgada. Minha irmã não vai ficar em um quarto sozinha na mão de quem quiser entrar. Eu nunca vou deixar minha irmã dormir em um lugar tão vulnerável quanto em um quarto sozinha.

– De jeito nenhum. Ela vai ficar comigo. Vou protegê-la. – Disse entre os dentes, irritado.

Boa sorte. O Castelli tem uma fama que não é muito agradável. – Soou mais como um aviso do que uma ameaça, mas senti muito bem o que ele queria dizer.

Eu vou cuidar dela. Agradeço pela consideração. — Respondi seco e firme.

Dou as costas para o chefe e saio de sua luxuosa sala batendo porta. Estou irritado. Por que não me mostraria assim?! Dou um soco na parede para descontar minha raiva. Outro. Outro.

Estou certo que se alguém passasse em minha frente agora, independentemente de quem fosse levaria uma direto na cara.

Vou para o quarto, que minha irmã me recebe apenas com um levantar de olhos, tirando-o de seu livro predileto.

Você está proibida de sair, entendeu Clara? Proibida de colocar um só pé para fora desse quarto. — Digo irritado, descontando tudo aquilo em cima dela. Toda minha raiva contra Thiago e o maldito Castelli.

Ela me olha com deboche, mas logo desfaz a careta. Talvez tenha percebido a gravidade do que eu falo.

Não se preocupe, Dave. Estou muito bem aqui com meu livro e um cobertor. – Ela fala leve, quase em tom de brincadeira. Então levanta-se e me dá um abraço. — Eu sei que você está preocupado, mas não precisa. Eu sei me virar muito bem.

Solto o ar tentando me acalmar, ela me conforta ao dizer que sabe se cuidar e que não vai sair do quarto. Meu maior medo é perde-la.

Obrigado. Muito obrigado.

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