Capítulo 39

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Despenteado, Gabriel fazia bico e estava a ponto de chorar. No dia de seu aniversário era muita sacanagem. Tirei o telefone da mão dele e voamos para seus braços. Alguma coisa que aquela mulher disse não o fez bem.

— O que foi? O que ela queria?

O queixo tremia e ele colocou a mão no rosto para não desabar. Rafael o deitou na cama, abraçando-o, cheio de carinhos. Fui por cima dos dois, enchendo o Gabi de beijinhos. Era seu dia especial, nem na aula eles iriam. Não era para começar assim.

— Acho que é só saudades – Ele chorou.

— Ela te ligou para te dar feliz aniversário, foi?

— É, mas... – Meses fora de casa me deu uma visão do Gabi que eu não tinha antes: dengoso. Gabriel é a coisa mais gostosa, e mais dengosa, que eu já vi!

— O que foi, amor?

— Ela me pediu desculpas.

— Já tava na hora!

— Ela pediu desculpas por tudo. E não foi, tipo... – ele coçou o nariz tentando domar o choro – não foi como uma pessoa normal faria. Foi... esquisito.

— Ignora ela. – Cochichei – Ela tá com peso na consciência, sabe que fez merda, sabe que te desamparou. Deixa ela, Gabi.

— Quando você precisava dela, ela deu as costas. Agora cê não precisa. – Rafael completou – Então deixa ela para lá e levanta, que hoje é seu dia.

Ele abriu um sorrisinho tímido, concordando, e nós nos revezamos no banheiro. O telefonema da mãe dele acabou com ele, a gente percebia, mas o sorrisinho iluminado de sua outra mãe (a Tia!) o fez melhorar com a carinha.

— Não era para ter levantado tão ceeeeedo – Ela sorria, um cafezinho fresquinho na mesa, bolinho de milho, a mesa toda arrumadinha e goiabinhas quentinhas dentro de um pote de vidro, que era para levar para a escola e comer lá – Bom dia, meu filho.

— Bom dia, tia. – Ele morre de vergonha de falar a palavra "mãe" e a tia ouvir. Sempre fala "tia" para ela, e "mãe" para e gente.

— Tá ficando velhinho... – Ela o beijou com amor, e puxou a cadeira para ele – Senta aqui, menino, vem comer para melhorar esse rostinho. Hoje não é dia de triste, então eu te proíbo.

— Ouviu ela? – Rafael sorriu e deu um beijo no Gabe – Tá proibido de ficar triste.

— E então? – Tia Lúcia derramou café nas nossas xícaras e cortou a primeira fatia do bolo quentinho para o Gabi – Faço almoço, ou vocês três têm outros planos?

— A gente... – Respondi – A gente não pensou no almoço.

— Por mim a gente come fora. Gabi tem cara de quem gosta de comer porcaria, e faz tempo que ele não come nada assim. O que você acha?

— Mc Donald's? – Eu ri – Quer almoçar lá?

— Não diria isso, mas um hamburgão cheio de batata frita e coca-cola parece que vai fazer uns e outros felizes. – A tia respondeu – O que cê acha, Gabi? Vai ficar feliz com batata frita e coca-cola?

— E tem como ficar triste?

— Então vocês dois estão de folga da Resist hoje. Meio dia, quando der o horário do almoço, eu desço e a gente vai num desses botecos gourmet que tem na Augusta. Gabriel escolhe.

Diferença de mães, não é? Parecia meu aniversário também. O cuidado e o amor que ela escolheu dar ao namorado do filho, o carinho que ela tem por nós. Deu um beijo nos três e disse que tinha muito o que fazer, mas brigou com Rafael quando ele disse que subiria para ajudá-la.

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