Capítulo 2 - parte II

Começar do início

Imaginou que a fala tivesse vindo diante do medo da situação toda. A pobre mulher era só uma vítima e não tinha culpa alguma sobre a situação toda, porém Drake não podia permitir que Cassandra se casasse com Isaac Jones, enquanto não tivesse uma solução mais efetiva para tirar a fortuna que a moça herdaria das mãos do maldito, teria que mantê-la sob sua custodia.

Foi para o perímetro, aquela era a sua noite de fazer vigília. Já era perseguido por Isaac, considerando que estava com a noiva dele sabia que o homem viria como um demônio em seu encalço e esperava ter a chance de poder matá-lo.

Cassie se encolheu debaixo da pele de urso se protegendo do frio que sibilava por dentro da tenda.

Se achou uma tola, sua estúpida pergunta certamente havia afastado o homem logo no momento em que não queria ficar sozinha. Drake se mostrara um homem mais gentil do que pensara em toda a sua vida que seria um salteador. Queria conversar com ele, saber mais sobre o tal sujeito, mas sua pergunta pra lá de inapropriada pareceu ofendê-lo.

Por impulso se levantou e saiu da tenda a procura dele. Enrolada na pele para se proteger da brisa fria da noite que já havia tomado a capina onde estavam, percebeu que poderia sair dali correndo se quisesse, talvez demorassem ao menos uma hora para notar já que ninguém a vigiava, porém não quis. Drake era o primeiro homem que se lembrava de ser gentil com ela.

Não foi difícil encontrá-lo. O homem estava sentado sobre um velho tronco caído, rodando o revólver entre os dedos. Até que ele atirou contra um galho e Cassie pulou de susto.

- Deveria estar dormindo, senhorita.

Ela abriu os lábios, surpresa por ele ter notado a sua presença, porém não proferiu som algum.

- Não estou com sono. – Caminhou até ele e se sentou ao lado do tronco. – Não tem ninguém me vigiando, eu poderia ter fugido.

- Sim, poderia. – Ele se virou para ela com o rosto encobrido pelas sombras da noite. – Mas não sabe onde está tão pouco como voltar para casa. Se fugisse apenas se perderia não sei se os animais que encontraria pelo caminho seriam gentis.

Cassie engoliu em seco.

- Não pretendia fugir.

- Imagino que não. Seria tolice chamar a minha atenção e depois sair correndo.

- É seria. - Ela riu. – Queria lhe agradecer.

- Agradecer-me? – Drake arregalou os olhos. Aquela era uma das frases mais improváveis que imaginou que ouviria na vida. – Eu a trouxe contra a sua vontade, não imaginei que ficaria grata por isso.

- Digamos que eu não queria me casar com o xerife.

- Por que não?

Drake se aproximou, ficando lado a lado de Cassie e ela pode jurar estar sentindo a respiração quente e a proximidade da mão dele. estranhou seu coração acelerar de novo. Era essa a reação que um homem atraente poderia provocar em uma mulher?

- Ele é homem ruim e tem mais do que o dobro da minha idade.

- Ao menos não sou o único a achar ele um homem ruim, pois sei que é um grande amigo de seu pai.

- Acho que aliado seria uma palavra mais coerente.

- Tem razão. – Tem razão, Drake riu. Uma risada que aqueceu ainda mais o coração de Cassie.

Ela pensou em Elizabeth e no quanto a sua preceptora estaria horrorizada com a proximidade de uma dama solteira e um homem. Conversando sozinhos sob a lua que despautério! Diante da situação Cassie não se importou com os bons modos de uma moça britânica. Do que tudo isso lhe valera? Um terrível casamento com o xerife da cidade?

- Por que não quer que eu me case com ele?

- Já disse, não quero que o poder e a influência daquele homem se tornem ainda maiores. Ele já é terrível, imagine detentor de todo o seu dinheiro?

Cassie apenas assentiu com um movimento de cabeça, porém não estava satisfeita. Havia algo mais pessoal na motivação de Drake e gostaria de descobrir o que era.

- Vai passar a noite aqui?

- Sim. – Ele voltou a olhar para frente. – Os outros homens estão descansando, você deveria fazer o mesmo, senho... Cassie.

Os olhos dela brilharam diante da pronuncia de seu apelido pelos lábios dele.

- Posso ficar aqui?

- É mais frio do que dentro da tenda.

- Tenho a pele que me deu para que possa me aquecer. – Ela apontou para a manta que lhe envolvia os ombros.

Drake ficou em silencio por alguns minutos, não entendia onde ela pretendia chegar com aquela conversa. Esperava uma coelha assustada dentro da tenda, porém ao invés disso, ela vinha lhe agradecer por tê-la roubado do altar. Não fazia o menor sentido.

A mão dela estava tão próxima da sua sobre o tronco que Drake desejou poder tocá-la e conteve seu próprio impulso. Falou que não faria nada contra ela e estava ali cogitando tocá-la. Ouvira sobre a beleza de Cassandra Evans, mas achou exagerados os boatos, talvez não fossem...

- Deve ir dormir.

- Não posso ficar?

Ela pretendia dar o troco enlouquecendo-o? Geniosa!

- A madrugada é ainda mais gelada.

Cassie percebeu que ele estava a evitando e isso a deixou inquieta. Talvez devesse mesmo voltar para o interior da tenda, porém seu amago queria permanecer ao lado dele. Algo naquele estranho homem a incitava e atraia. A beleza dele era indiscutível, mas seria apenas isso? Ou talvez o visse como um salvador por tê-la tirado daquele pesadelo.

- Por que se tornou um bandoleiro? – Cassie estendeu a mão e tocou a dele, quente e áspera.

Drake se afastou como se houvesse tomado um choque e puxou a mão para si. Seu coração acelerou e suas pupilas se dilataram ainda mais. Uma gota de suor frio brotou em sua testa e escorreu até o queixo. Sentiu-se um menino. Assustar-se com o toque de uma mulher era no mínimo terrível. Porém o que havia o assustado fora o desejo que o simples toque provocou em seu amago. Talvez o fato de não se deitar com uma mulher há algum tempo tivesse alterado o seu juízo.

- Deite-se, senhorita Cassandra. Não serei gentil da próxima vez.

O tom ríspido na voz dele a assustou e Cassie se levantou dando passos cambaleantes na direção da tenda. Talvez tivesse cometido um erro, se aproximar do seu raptor poderia não ser como imaginava. Ele era bonito, mas não passava de um mero desconhecido. Talvez ainda fosse a sombra do casamento a impulsionando a tomar atitudes impensadas.

Cassie fechou os olhos e se aconchegou sob a pele tentando dormir. Não queria correr o risco de que ele a devolvesse para o noivo apenas por ter se irritado com ela.

Roubada do altar #1 Amores do oeste (Degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!