Capítulo 2 - parte II

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Cassie se abraçou quando sentiu o vento gelado adentrar pelas frestas da tenda e tocar a pele nua de seus braços. Olhou para a fenda que a levaria para fora. Seu primeiro impulso foi sair correndo. Iria fugir parta bem longe, correr enquanto houvesse ar em seus pulmões, livrar-se de tudo e finalmente ser livre. Porém, a sua vida lhe parecera um pouco mais preciosa do que nos últimos dias. Poderia correr, mas para onde iria? Não sabia caçar nem cuidar de si mesma, sem contar os perigos com os quais poderia se deparar. Todo o território do oeste era uma terra sem lei, outros bandoleiros e nativos poderiam ser mais hostis.

Tinha três opções naquele momento: conseguir regressar à propriedade de seu pai e casar-se com Isaac, correr se rumo para um certo destino pior ou permanecer ali. Talvez não fosse sua melhor opção, porém sua cautela a levou a pensar que poderia dar uma chance à hospitalidade que lhe era oferecida.

Tomou um susto quando Drake entrou como se sua preocupação em se manter aquecida houvesse a inibido de ouvir os passos do homem. Ela deu um pulinho e se encolheu.

Drake riu.

- Não precisa ficar com medo de mim. Não lhe farei nenhum mal. – Ele se sentou na cama ao lado dela. – Trouxe algumas peles para que se proteja do frio.

- Obrigada! – Cassandra ergueu a cabeça para encará-lo.

Dessa vez Drake estava sem o chapéu e a jovem pode observá-lo sob a pouca luz do crepúsculo. Os olhos negros eram tão profundos e intensos. Os lábios eram finos e ressecados e ela sentiu um calafrio quando Drake passou a língua por eles para umedecê-los. Ele se curvou em sua direção e tirou uma mecha de cabelo que atravessava o rosto de Cassie e a colou atrás da orelha, a moça sentiu seu coração saltar a galopes.

- Vai... Vai...

- O quê? – Drake tombou na direção dela esperando ouvir o que a moça tinha a dizer.

- Vai me molestar?

Ele se levantou como se tivesse tomado um choque e arregalou os olhos.

- Por Deus, não! Já disse que não lhe farei mal algum. Enquanto estiver sob meus cuidados não sofrerá mal algum.

- Ah! – Cassie desviou o olhar.

Drake ficou extremante surpreso com o desapontamento da moça. Foi como se ela não tivesse ficado contente com a resposta que lhe dera.

- Não é isso que homens como você fazem? – Voltou a encará-lo.

- Homens como eu? Não sei que tipo de homem pensa que sou, senhorita Cassandra, mas tenho meus princípios. Dentre eles está não me deitar com uma mulher contra a vontade dela.

- Cassie. Prefiro que me chame de Cassie.

Drake franziu o cenho e a observou de esgueiro.

- Tudo bem, Cassie. Cubra-se com as peles, as noites costumam ser geladas.

Ela o observou sair da tenda, deixando-a sozinha outra vez. Cassie mordeu os lábios, arrependida pela pergunta que fizera a ele. A verdade é que Drake era o primeiro homem bonito de verdade que via em anos depois que um entregador da Pony Express batera em sua porta com uma carta para seu pai. Diante da cama de Isaac Jones, ser tomada por Drake Knight parecia muito mais agradável. O homem era bonito e despertava em Cassie desejos que seu marido jamais despertaria. Pegou-se surpresa ao lamentar que ele não estivesse disposto a tomá-la. Logo um temido bandoleiro. Drake era um ladrão procurado e com recompensas por sua cabeça, Cassie jamais imaginou que depois de tudo, ele viesse a lhe dizer que tinha princípios. Ou será que ela não era atraente o bastante?

Drake saiu da tenda balançando a cabeça, confuso. Não sabia a caveira que faziam dele desde que se tornara um famoso fora da lei, porém nunca havia violentado mulher alguma para que Cassandra pensasse isso dele. Era uma mulher bonita, ele não podia negar. A mistura exótica da beleza indígena e inglesa com seus melhores elementos mexia com a cabeça de qualquer homem, porém deitar-se com ela a força era impensável.

Roubada do altar #1 Amores do oeste (Degustação)Leia esta história GRATUITAMENTE!