Capítulo Cinquenta e Um

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Os dois adormeceram logo em seguida. Marco ainda pensou em conferir se o despertador continuava configurado para o horário correto, mas esticar o braço até o celular parecia muito cansativo.

De qualquer forma, nem foi necessário. Os barulhos e cheiros característicos de um café da manhã vindos pela porta se encarregaram de acordá-lo. Ou melhor, acordar Elisa.

E ela parecia um tanto quanto verde quando se mexeu em cima dele.

- Mas que froga, estavam demorando essas portarias de enjoo - grunhiu, rolando de cima de Marco.

Nua, ela saltou da cama e correu para o banheiro.

Enquanto a assistia, ele considerou se valia a pena segui-la. Até se levantou e se aproximou da porta, mas a ouviu amaldiçoando todas as gerações dos Greier que foram responsáveis por sua situação e parou, em dúvida sobre o que fazer.

Abriu a boca para lembrá-la de que estava com os pés no piso frio, mas achou que seria mais seguro deixar os chinelos dela ali perto, como que por um acaso.

Melhor ficar na minha e esperar um pouco do lado de fora, pensou, e ali permaneceu, até escutar a descarga seguida do chuveiro.

Então, tomando coragem, Marco pegou os chinelos, abriu a porta e entrou. Em silêncio, colocou-os em cima do tapete para quando ela saísse, ao mesmo tempo em que Elisa deslizou a porta do box e colocou a cabeça para o lado de fora.

- Tem espaço aqui para dois, MC. Ou melhor, para quatro.

Marco levou uns bons segundos a perceber que ela já não estava com raiva dele. Parecia cansada, apenas.

Ainda assim, sabendo com quem lidava, dispensou o convite. Elisa poderia querer bater nele ou atacá-lo sexualmente de novo.

Além do mais, não sabia que horas eram e queria comer antes de sair.

- Não sei que horas são e preciso ir cedo para o escritório. Vou recusar o convite hoje. Depois de vocês eu tomo o meu banho - disse, e logo foi para o quarto novamente, em busca da cueca no meio das cobertas.

- Azar o seu! - ele a ouviu gritar do banheiro.

Não vestiu nada mais para se dirigir à cozinha. Apesar de ser inverno, a temperatura dentro de casa estava agradável, graças ao aquecedor que ficou boa parte da noite ligado. Sem falar que Fernando e ele já tinham superado aquele constrangimento inicial depois de tantas e tantas vezes em que foi flagrado com menos roupas do que isso. Já não havia motivo para Marco ficar de frescuras, como dizia Elisa sempre que o irmão aparecia.

Você é um novo homem, MC. Não deixe que o fato de ter se tornado também um pai de família o faça voltar a ser empoado.

Foi pensando nisso que Marco entrou na cozinha. Focado em adivinhar o que cheirava tão bem, não viu que, na verdade, o ruivo que estava ali era uma ruiva.

Uma ruiva conhecida também como Dona Nonô.

- Bom dia, querido. Dormiu bem?

O sangue dele gelou. Dona Nonô se virou no fogão e o encarou com uma expressão sorridente e para lá de satisfeita.

Que baita de uma froga!

Ele conteve a vontade de se cobrir com as mãos, ou com um dos panos de prato. Não adiantaria nada e ainda o faria parecer ridículo.

O jeito seria tratar aquilo com naturalidade. Era comum ele ser visto de cueca pela cozinha, supertranquilo...

Ai, portaria. Será que Elisa havia deixado algum chupão perdido pelo seu pescoço? Não tinha muita certeza de todos os pormenores do que fizeram naquela manhã, mas se recusava a acreditar que era tão azarado assim. Portanto, tratou de fazer cara de paisagem e cumprimentar sua sogra:

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