25. Benito vs A Culpa

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BENITO

Poderia ter sido pior.

Esse era o pensamento do garoto ao ouvir os passos pesados de Lívia subindo pela escada que levava ao sótão.

Benito estava de mãos dadas com Mirella. Os dois estáticos na sala de estar da sua casa. Helena estava com um sorriso mínimo e a mãe olhava para os dois com os braços cruzados e uma expressão indecifrável. Não parecia brava, mas também não estava exatamente feliz.

— Então, vocês dois estão namorando... — Ana falou com um tom de voz estranho. — Ok. Ok.

— Não tem nada demais... — Benito falou sentindo Mirella apertar sua mão levemente. — Lívia namora o imbecil do Tito e ninguém fala nada.

— Benito, eu não estou reprovando seu relacionamento. Não é nada contra a Mirella. Nada mesmo — Ana sorriu para a menina, tentando tranquilizá-la sem muito sucesso. — Mas percebe-se que é uma situação um pouco chata. Entretanto, eu pedirei pra Lívia maneirar. Seremos todos razoáveis.

Benito pensou em retrucar e dizer que a Lívia estava sendo uma imbecil de propósito, mas optou pelo silêncio. Não queria irritar a mãe.

— Seja bem-vinda à família, Mirella — Helena falou encolhendo os ombros e com um sorriso tímido.

Benito olhou para a namorada e ela parecia estar mais calma, ao menos não apertava mais a sua mão com tanta força.

— Eu vou subir pra falar com a Lívia — Helena se prontificou, mas Ana negou com a cabeça.

— Deixa que eu resolvo isso. Mirella, fique à vontade — a mais velha sorriu e logo subiu a escada de madeira.

Benito sentiu o olhar de Helena queimando nele e em Mirella. Ela também não parecia feliz, mas ao menos estava sendo simpática. Afinal, era Helena, sempre simpática. Sempre a melhor versão deles.

— Eu vou encontrar a Aurora, então... tchau — a garota falou saindo da sala rapidamente, mas logo Benito notou que ela deu meia volta e parou de frente com ele novamente. — Vai querer alguma coisa da casa da Aurora?

— Fala que eu confio na indicação dela e me traz o que ela quiser — Benito respondeu com um sorriso sincero e logo Helena subiu as escadas para, muito provavelmente, avisar a mãe que estava saindo.

Benito sorriu para Mirella e a puxou pela mão para que caminhassem até o quarto. Assim que a menina entrou no cômodo, ele se encarregou de deixar um selinho leve nos lábios dela.

— Que história é essa com a Aurora? — Mirella perguntou enroscando os braços em volta do pescoço dele.

— Aurora tem muitos jogos de videogame diferentes, ela sempre empresta alguns.

— Entendi — Mirella respondeu com um sorriso nitidamente forçado.

— Ah, Mi... não. Ciúmes da Aurora não — Benito reclamou apertando a cintura dela. — A gente já passou pela Lívia hoje e sobrevivemos, vamos comemorar — ele puxou ela para mais perto e deixou que os lábios se encontrassem com a saudade que nem sabia que estava sentindo.

Os dois permaneceram entre beijos e sorrisos, mas logo Mirella disse que queria explorar o quarto, ou seja, xeretar em todas as coisas do namorado.

O quarto dos trigêmeos era bem grande. Três camas de solteiro que ficavam lado a lado, sendo separadas somente por um criado-mudo ao lado de cada cama.

Havia um abajur em cima de cada um e suas próprias decorações. No de Lívia havia um porta-retratos de uma foto dela com Tito e um carregador de celular jogado de qualquer jeito. No de Helena havia sempre algum livro. Às vezes mais de um. E no do Benito tinha um fone de ouvido e uma caixinha branca.

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