Capítulo 5

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Samantha aproveitou que Sophia tirava um cochilo, lhe dando assim algumas horinhas livres, para colocar na lista os nomes das mulheres que ela conhecia e que se encaixavam nas exigências do Barão. Muitas mulheres preenchiam todos os requisitos e isso não tornava a tarefa fácil. Ela precisaria criar uma boa estratégia para isso. Ir a eventos onde essas mulheres estivessem não lhe parecia uma ideia plausível, primeiro porquê babás não eram convidadas a eventos importantes, segundo porque eventos Sophia também não tinha idade de participar de nenhum evento e ela precisaria da criança para testar o lado materno das mulheres.

A ideia de usar a criança para provar as mulheres lhe pareceu magnífica. Que melhor forma de saber se uma mulher seria uma boa mãe do que ao ver a reação de tal mulher a uma criança?

— Agora que lugar seria mais propício para encontrar essas mulheres? — Sophia sussurrou para si mesma, dando voz ao que pensava enquanto tamborilava o pequeno pedaço de carvão no queixo. Uma mania que ela tinha quando tentava se concentrar concentrada. — Tem a loja de fitas que sempre está cheia, a igreja, o lago... Não, ir atrás de uma por uma não é a opção mais inteligente... Talvez se o Barão aceitar fazer um evento aqui... Um sarau, não, um concerto, não, uma caçada, bem qualquer coisa.. Algo que justifique os convites para um final de semana no baronato. Dessa forma, o Barão poderá conhecer as mulheres e eu poderei ver se elas se adequam ao papel. Será perfeito. Tenho apenas que convencê-lo a realizar o evento.

Aquele plano a deixou mais animada. Ela teria bastante tempo para convencê-lo, já que a temporada Londrina ainda estava em alta e boa parte das moças solteiras ainda estavam longe do campo. Só precisaria decidir qual seria o evento perfeito para escolher uma esposa para o Barão.

Aproveitaria que as damas teriam contato com Sophia e com ela, e as analisaria de perto, tomando cuidado para que não descobrissem que estavam ali para uma delas ser escolhida como a nova baronesa. Tentaria manter essa informação em segredo, porém, mesmo que as mulheres descubram que estavam ali para uma seleção matrimonial, ela observaria como as damas agiam quando estivessem longe do Barão: como tratariam a Sophia e como tratariam os criados da casa. Porque querendo ou não todos seriam afetados com a escolha da nova baronesa, e como parte da escolha estava nas mãos dela, nada melhor do que procurar uma mulher que fosse boa para todos naquela casa.

Se a mulher fosse gentil com as crianças e com os criados, com certeza seria uma boa baroneza. Só esperava que tal mulher despertasse o interesse de Bernardo. Apesar de que Samantha não estava preocupada com aquele ponto em específico, uma vez que Bernardo lhe havia dito não esperar se apaixonar por sua esposa.

No fundo, quase desejava que a mulher não despertasse tal sentimento no Barão, pois uma mulher tão perfeita assim, com certeza teria qualquer homem a seus pés.

— Não, isso não é certo. É melhor que eles se apaixonem. — Resmungou balançando a cabeça para tentar afastar os pensamentos maldosos. — Se houver sentimentos eles se tornarão uma familia feliz e Sophia será muito amada pela madrasta.

Mesmo falando aquilo em voz alta, Samantha não pode deixar de sentir um pouco de ciúmes. Havia se acostumado a ter o carinho e a atenção de Sophia para si.

Batidas na porta fizeram Samantha pular em seu banquinho. Ao abri-la, deparou-se com Sophia esfregando os olhos de sono.

— Eu acordei. — A menina avisou dando um bocejo.

Samantha sorriu ao ver a menina e deixou de lado as anotações para cuidar da criança.

— Venha, pequena, vamos vestir uma roupa adequada para brincarmos lá fora. O dia está lindo e fará bem ter um pouco de ar puro.

Sophia segurou a mão de samantha ansiosa para sair e poder brincar.

***

Da janela de seu escritório, Bernardo viu Samantha sair para os jardins junto com sua filha. O Barão notou que Sophia sempre tinha um sorriso no rosto quando estava com a babá. E aquilo lhe trazia uma sensação de paz.

Sua filha nunca foi tão bem cuidada quanto o era agora por Samantha. A mulher era incrível em lidar com crianças... Bernardo se perguntava porque ela mesma não tinha ainda se casado e tido seus próprios filhos. Era evidente que amava crianças.

Apesar de trabalhar para ele há um tempo, Samantha nunca revelou muito sobre o seu passado. Bernardo sabia que ela tinha uma boa criação, pois sua eloquência e postura eram indícios de que a moça teve uma educação impecável.

Até aquele momento nunca tinha se dado conta do quão pouco sabia sobre a mulher. Passou tanto tempo grato por ela ter salvo sua filha que não se importava realmente o que a trouxera até ele, mas agora estava curioso.

Desde que a mulher o colocara contra a parede e brigara com ele sobre os cuidados e atenção com sua filha, ele tinha passado a prestar mais atenção nela. Era como se a partir daquele momento ele finalmente a tivesse enxergado e a cada dia que passava ele ficava mais interessado em conhecer aquela mulher. Sentia quase uma necessidade de saber mais sobre Samantha e precisaria encontrar as respostas para as perguntas que agora lhe atormentavam.

Estava decidido, iria investigar e descobrir quem era Samantha Hemwer...

Bernardo continuou a olhá-la por alguns minutos através da janela, ela colocava Sophia nos braços e rodopiava com ela fazendo a criança tirar os pés do chão enquanto girava e ria. Aquela cena o fez sorrir, não aceitaria uma mulher que tratasse sua filha com menos consideração ou carinho do que Samantha... Se ia se casar para dar uma mãe a Sophia, então a mulher teria que se mostrar, no mínimo, a melhor mãe do mundo.

Lembrou-se que deveria estar na sua mesa, revisando as finanças do baronato e organizando sua agenda de visita aos arrendatários. Entretanto, como fazer tais coisas quando era muito mais interessante observar a babá e sua filha?

Enquanto observava as duas, Samantha acenou para ele, e com um movimento de punho o chamou para junto delas.

Em dias passados, ele teria ignorado o chamado e voltado para os afazeres que eram sua responsabilidade, mas naquele momento tudo que fez foi abrir a porta e descer para os jardins.

Dizia para si que aquela era uma oportunidade para conhecer melhor a mulher que insistia em ficar em seus pensamentos.

Como casar um BarãoLeia esta história GRATUITAMENTE!