8 - Sem Compaixão

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Após algumas horas daquela noite sangrenta, no acampamento da floresta, Morgane cuidava de Malasya, que permanecia em sono profundo desde o ataque. Murilo estava na companhia, ao pé da cama, também preocupado com sua irmã de criação.

Enfim, as dezenas de sobreviventes do exército dela chegam ao escondido acampamento. Rami apareceu minutos depois em um cavalo roubado, direto do castelo.

Ainda abatido com fortes dores nos músculos, foi logo encontrar ela, entrando em sua tenda. Os dois de pé, frente a frente. Ele estava com o olhar triste, como fosse pedir perdão por não concluir a simples missão. Já ela, séria.

- E então? - indo direto ao ponto.

Rami era de fato o melhor amigo de Morgane. Além de Malasya, era a pessoa em que ela mais confiava. Ao longo dos dozes anos convivendo ao seu lado, ele sentia afeição por ela. E com a intimidade adquirida pelo tempo, o sentimento se transformou em paixão. E para nutrir ainda mais tal sentimento, mentiu para ela. Mas em sua mente, funcionava como omissão:

- Infelizmente não encontrei. Fomos direto ao quarto real e o corpo não estava lá. - dizia ofegante - Kai e os outros foram capturados. Provavelmente estão mortos agora.

De fato, ela já esperava aquela resposta, mas não sentiu uma tristeza profunda. Talvez seja porque obteve êxito no assassinato do rei.

- Teve sorte. - Morgane se aproxima dele enquanto o mesmo senta-se num banco com dores.

- Sim. - o homem força um sorriso, tentando ignorar as fortes dores nos ossos. - Fugi por cima de telhados. Dá para imaginar o que aconteceu depois.

- Você é forte. - a hunimalio por trás, começa uma massagem em seus ombros. - Krikor estava certo em te treinar, sempre acreditou no seu potencial. - ela olhando para o além, como se recordasse as memórias boas do passado.

Rami compartilhava da mesma nostalgia, sentindo no instante, suas emoções o dominarem.

- E agora? Qual o próximo passo? - pergunta Murilo à Morgane.

Rami encarou o rapaz por cima do ombro, quase esquecera que ele também estava na tenda. Morgane suspirou fundo para responder.

- Precisaríamos de um exército maior para sair vencidos de lá. O rei está morto, disso podemos comemorar. Mas ainda tenho esperança que o corpo de Krikor esteja no castelo. Em algum lugar.

Rami agora, resistindo a dor, se levanta e apoia a mão ao ombro dela:

- O futuro é nosso. Vingaremos no tempo certo.

Eles cruzam olhares. E assim como Murilo que assentiu concordando, os três sustentaram os olhos em Malasya deitada naquela cama simples, sem garantia de acordar.

***

Horas depois, naquela madrugada intensa no castelo, com o fim do caos, cortava o silêncio aqueles que choravam e os que arrastavam os mortos da batalha. E após um momento natural de luto em família dentro do salão, Narcio fora chamado pelo mão direita através de Garti.

O príncipe foi levado pelo guarda pessoal até o ponto onde Rami teria caído.

Chegando lá, Narcio fingiu não estar curioso com o tapete de urso jogado no chão:

- E então? - perguntava diante de Donovan.

A voz foi ouvida apenas pelos três naquele patio aberto do castelo.

- Cinco espiões da mulher dragão invadiram o quarto real. Três estão mortos, um está vivo. E preso. Já o outro fugiu pela sacada com este tapete. - o alto homem gesticulava com a mão.

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