Capítulo 2

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No final do dia despedi-me de Catih e Louise voltou a ir-me buscar no seu carro. Perguntou-me se me tinha divertido na escola e eu revirei os olhos. Contei-lhe o que Catarina fez na aula de História e que obrigou todos os outros professores a desejar-me os parabéns. Até pessoas que eu nunca me tinha dirigido me deram os parabéns graças a ela. Louise ria enquanto abanava a cabeça e sussurrava - Essa Catih não muda - Contei as constantes perguntas de como me sentia por já ser maior de idade e que se alguém me pergunta-se isso de novo ia dar em doida. Claro que Louise perguntou de novo só para me chatear e eu semicerrei-lhe os olhos como se pudesse matá-la ao fazê-lo.

Chegámos finalmente a casa e deitei-me no sofá estafada por este dia de escola. Procurei o comando da televisão e logo que o encontrei liguei-a. Louise sentou-se ao meu lado mas continuei com as pernas estendidas em cima dela e conversámos um pouco sobre algo aleatório até a minha mãe regressar a casa.

A porta da rua abriu-se e a minha mãe entrou com o correio nas mãos e tentava perceber sobre o que se tratava.

- Contas e mais contas – referia enquanto passava as cartas uma a uma. Os seus olhos pararam numa especificamente e permaneceu em silêncio observando-a atentamente – Parece que há aqui uma carta para ti, Rose.

- Uma carta para mim? – perguntei e logo me levantei curiosa para saber de quem era.

- Quem é que anda a enviar cartas a essa pirralha? – Louise gozou e eu deitei-lhe a língua de fora mostrando desagrado ao seu comentário. Peguei na carta e paralisei ao ver o nome do remetente. A minha mãe sentou-se no sofá e ajeitou o seu cabelo nervosamente. Sentei-me perto delas, incrédula com o que possuía nas minhas mãos – Que caras são essas? Alguém morreu?

Olhei para ela e saí do transe em que me encontrava. Louise olhava consecutivamente para mim e para a mãe à espera de uma resposta. Levantou-se impaciente e logo cruzou os braços severamente à nossa frente – Alguém me vai responder?

- É uma carta do teu pai para a Rose – a minha mãe respondeu como um suspiro.

- O quê? Do Rob? – Louise nunca se referia a ele como pai, sempre o tratava pelo seu nome próprio. Dizia que na sua consideração nunca foi um pai verdadeiro para ela por isso não tinha mérito a ser tratado como tal – Não me digam que agora descobriu que tem filhas – revirou os olhos inquietante.

Permaneci quieta com a carta nas mãos sem saber se devia abrir ou não. Louise andava de um lado para o outro impaciente exclamando algumas coisas desagradáveis acerca do meu pai e a minha mãe parecia desesperada.

- Aquele bêbado maldoso... Devíamos queimar essa carta e nem lê-la – a raiva de Louise estava bastante visível. Sempre que o tema de conversa era Rob ela entrava em fúria e a minha mãe ficava quase sempre a chorar ao lembrar aqueles tempos horríveis. Por isso quase nunca tocávamos nesse assunto.

- Não acho que isso seja uma boa ideia... - a minha mãe respondeu – A Rose deveria ler o que o seu pai lhe tem a dizer.

- O seu pai? Consideras que aquela criatura foi um pai para ela? Que nunca quis saber dela e nunca acompanhou o seu crescimento? – Louise gritou enraivecida e a minha mãe levantou-se tentando acalmá-la.

Levantei-me e fui em direção ao meu quarto. Precisava de estar sozinha e se tinha que ler aquela carta seria sem ninguém por perto que me pudesse perturbar.

- Onde vais Rose? – a questão saiu dos lábios da minha mãe e eu apenas a olhei. Ela percebeu que eu precisava de me afastar desta confusão e continuou a tentar acalmar Louise que quase chorava com os nervos que possuía.

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