Capítulo 1

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Existem histórias contadas que nunca saberemos se passam de algo inventado ou se são mesmo reais. Na verdade nunca teremos a certeza de algo até efetivamente nos acontecer a nós próprios. Muitos de nós respondemos "imagino" depois de termos ouvido uma história imaginando o que a pessoa possa ter sentido. Mas o que realmente se sente?

Quando conto o que me aconteceu ao meu psicólogo ele sempre me responde com um mero – Imagino perfeitamente a tua dor, dá para a sentir – Mas dá para imaginar como se ele nunca passou por esse horror? Se ele nunca teve um pai que chegava bêbado a casa e que destruía tudo o que tocava, incluindo a minha mãe e irmã. Será que ele acha que são essas as palavras que me tranquilizam depois de tudo o que passei? Será que é por ele imaginar que me vai fazer sentir melhor? Claramente que não mas também não o iria dizer. Apenas continuo a frequentar as sessões dele porque a minha mãe acha que me vai ajudar de alguma forma. O que se pode fazer em relação a tudo isto sem ser apenas ter que viver com isso tudo presente na nossa memória? Não há nada que se possa fazer quando tudo isso já aconteceu e já nos atormentou, ela também o sabe. Apenas temos que viver com isso da melhor maneira possível, tentar ser o mais positiva possível e pensar que tudo isso já acabou. Mas na realidade não acabou porque nos vai continuar a assustar e vamos arranjar diversas formas de tentar apagar esses momentos na nossa vida até que essa pessoa desapareça definitivamente da nossa vida.

Todo o meu processo de crescimento acabou por ser diferente do das outras crianças. Não que isso me chateie mas a verdade é que sempre gostei de estar sozinha e nunca precisei de ter muitos amigos, apenas os que precisava.

Ao longo da minha vida sonhei diversas vezes com aquele rapaz, aquele meu anjo e a verdade é que me apaixonei por ele mesmo que não exista. Mas o que sabemos nós sobre o que existe ou não? Muitas pessoas imaginam coisas horrivelmente terríveis como vampiros, zombies, lobisomens... Eu apenas imagino o meu anjo da guarda e acredito verdadeiramente que é ele que me protege de muita coisa ruim que acontece na minha vida.

Os seus olhos não queriam desaparecer dos meus sonhos e sempre que o imaginava uma calma surgia e sentia tranquilidade na minha mente. O seu sorriso era encantador e admirava cada traço seu acariciando os seus belos caracóis.

Já estou em Portugal há uns bons anos e posso afirmar que a minha vida mudou positivamente apesar de todas as dificuldades. Foi um país que me consegui ambientar facilmente e a verdade é que me agrada muito mais do que o Reino Unido, muito devido ao clima confesso.

Acordei antes do despertador e permaneci deitada a contemplar o teto do meu quarto enquanto penso o que poderei vestir neste dia tão especial. Estávamos no mês de novembro, mais concretamente dia 23, o dia do meu aniversário.

Passado uns 10 minutos o meu despertador toca e num gesto rápido desligo-o para que aquele som ensurdecedor termine. Espreguiço-me com vontade de encarar este dia e saio apressadamente da cama.

- Parabéns! – a minha mãe e Louise entraram de rompante no meu quarto com um pequeno bolo e duas velas com o número dezoito enquanto eu já estava perto do armário a escolher o meu outfit do dia. Começaram-me a cantar os parabéns e voltei a sentar-me na cama rindo agradecida. Quando terminaram levantei-me e apaguei as velas. Abracei-as com força e agradeci.

- Então maninha, como te sentes sendo já maior de idade? - Louise começou aos pulinhos de felicidade e eu ri.

- Sinto-me especialmente diferente – disse divertida. Elas as duas começaram a rir juntamente e abraçaram-me.

Depois de muitas carícias e discursos que me deixaram extremamente feliz saíram do meu quarto para que eu me pudesse despachar. Lá fora o tempo não parecia estar muito frio por isso optei por vestir uma saia de ganga, uma t'shirt branca e um casaco de malha que me pudesse aquecer. Caprichei um pouco na maquilhagem e quando me senti verdadeiramente gira desci as escadas e fui para a cozinha onde a minha mãe e Louise já se encontravam. O pequeno-almoço já estava na mesa, sentei-me e comecei a comer.

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