Capítulo 2

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CAPÍTULO DOIS 

Rose

Não há um limite no céu

Que eu não voaria por você

Não há nenhuma quantidade de lágrimas nos meus olhos

Que eu não choraria por você

Com cada respirada que eu dou

Quero que você compartilhe o ar comigo

Não há uma promessa que eu não vá cumprir

Vou subir numa montanha, não há nada muito íngreme

Acelero ainda mais meus passos, pensando sobre a música 2U do David Guetta que entrou na minha playlist de corrida hoje. Eu gostaria tanto de um amor como esse. Gostaria de ter alguém para lutar. Para buscar a felicidade. Isso, infelizmente, não é minha realidade. Este coração tonto está vidrado em um homem que não faz questão nenhuma de mostrar que vale alguma coisa. Ele cheira a problema de longe.

Aquele sorriso cafajeste já deveria ter me alertado desde o início, mas não. Achei o homem tão lindo, que deixei meus olhos serem tampados.

Burra.

Desacelero e, aos poucos, estou caminhando e recuperando o fôlego. Faço um alongamento na saída do parque que fica a apenas duas quadras de casa e tomo meu caminho.

As ruas do meu bairro são sempre tranquilas, mas domingo de manhã, conseguem ser ainda mais. Entro na padaria do seu José, na esquina e repito o mesmo pedido de sempre: pão, pão de queijo quentinho e uma surpresa para a dona Márcia. Sei que ela está precisando de um agrado.

Agradeço o bondoso senhor que me viu crescer e desço a rua, cumprimentando as poucas pessoas que cruzam o meu caminho.

Não me vejo morando fora daqui. Sei que muitos jovens têm o sonho de conquistar sua liberdade e morar em um apartamento minúsculo, junto com a solidão. Eu não tenho isso. Talvez eu seja assim por ter sido criada pelos meus avós e não me enxergar longe deles, mas o fato é que, entrei e saí da faculdade e, mesmo tendo condição suficiente para me manter sozinha, nunca pensei em me mudar. Agora que meu avô faleceu, que eu não iria mesmo. Amo morar com a minha avó e não saberia dizer quem precisa mais de quem.

— Bom dia, Rosinha. Que pique, hein. Tudo isso é para não ficar gorda? — pergunta a vizinha fofoqueira do portão da frente.

— Bom dia, dona Lourdes. Correr é praticamente uma terapia para mim — contorno seu veneno, sorrindo, e entro em casa pé com pé para não acordar a minha avó, afinal, ainda não são nem sete da manhã.

Um barulho na cozinha me faz ficar alerta e seguir para lá.

— Já acordada, vó? — questiono. — Pode deixar que eu faço o café. Vá se deitar.

— Não sou nenhuma imprestável, Rose. Posso muito bem passar um café.

O tom de reprimenda da minha avó me faz sorrir. Ela anda abatida e calada demais, por isso, me alegro ao vê-la animada hoje, até mesmo para me dar uma bronca.

— Comprei pão de queijo — conto, colocando as sacolas da padaria em cima da mesa.

— Pão de queijo — resmunga ela. — Eu queria mesmo era um sonho, muito recheado.

— Vó! A senhora sabe que não pode abusar nos doces — digo, tentando não entregar o que comprei. O médico deixou explícito que não era para abusar, mas um só não é abuso, não é?

*Degustação* A Promessa Onde as histórias ganham vida. Descobre agora