PRÓLOGO

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PRÓLOGO

Vicente

— Obrigado, Rodolfo. Você não vai se arrepender de trazer a sua conta para a Camargo Consultoria. Somos os melhores — digo, com orgulho. Pois é exatamente isso que somos: os melhores no mercado. — Converso com você no almoço da semana que vem. Até mais.

Desligo o telefone, sorrindo. Mais um contrato fechado com sucesso. Espere só até meu pai saber que consegui trazer Rodolfo Morales para a nossa empresa.

Encosto na cadeira desconfortável da sala que estou usando e fecho os olhos para não xingar. É por pouco tempo, Vicente — medito para não pirar.

Trabalhei a minha vida inteira para assumir a presidência da empresa da família. E não é uma cadeira desconfortável que vai me desanimar. Ainda mais agora, que falta tão pouco.

Levanto, estico o corpo e abro a porta da pequena sala. O lugar é tão precário que, para conseguir um café decente, preciso ir até o andar de baixo. Um desastre. Colocarei isso no meu relatório. Tudo pelo bem da empresa, como diz meu pai. Romeo Camargo fundou sua firma de consultoria ainda jovem. Trabalhou de forma árdua para ter o prestígio que tem hoje e, por isso, me orgulho tanto dele. Além de ser um pai maravilhoso, Romeo é um chefe exemplar, que desejo seguir os passos.

— Bom dia, Sr. Vicente. — Uma menina nova, que não consigo lembrar o nome, entra na minha frente. — O seu pai pediu para eu vir até você e lembrá-lo que...

Não consigo ouvir o restante do falatório, pois Rose entra no meu campo de visão.

A morena que está tirando o meu sono.

— Sr. Vicente?

— Ah, sim. Me dá um minuto, já vou até o meu pai. Só preciso resolver um assunto antes.

— Tudo bem — diz, me olhando de forma estranha e, no fim, dá de ombros.

Ela volta para o seu caminho bem a tempo de eu ver Rose Magalhães entrar na sala de arquivo geral.

O universo está a meu favor.

Arrumo a gravata e sigo para lá. Empurro a porta com delicadeza para não a assustar e ouço o sussurrar de uma música. Não consigo identificar qual é, mas isso não importa. Meu foco vai para a saia grudada em seu corpo, a bunda arrebitada, as panturrilhas definidas e um salto fino, que me deixa sem ar. Seu corpo está curvado, procurando algo em uma prateleira inferior e a visão não poderia ser melhor.

Sempre achei essa mulher espetacular, mas algo mudou nos últimos tempos. Rose passou a se vestir mais profissionalmente, com isso, ficou mais sexy, na pose de executiva. Ela não tenta se mostrar e nem de longe é vulgar, e isso só me atiça para descobrir o que esconde por debaixo das roupas. Será que é tímida ou voraz na hora do sexo?

Não costumo perseguir mulher alguma. Pelo contrário, ela tem cara de menina que sonha com o príncipe encantado, coisa que eu não sou, porém, o desejo que assola o meu corpo sempre que a vejo, fala mais alto. Preciso prová-la.

— Oi, Rose — digo, no mesmo momento que apago a luz.

Assim fica mais fácil de não ser descoberto.

— Ai que susto, Vicente. O que houve com a luz? — Se vira em minha direção e o espetáculo está melhor ainda. A blusa branca contorna o sutiã e minha vontade é mergulhar a boca ali.

Eu odeio passar vontade. Por isso, dou um passo em sua direção, a prendendo no lugar em que está.

— Acho que deu curto — minto, me aproximando.

*Degustação* A Promessa Onde as histórias ganham vida. Descobre agora