Capítulo Quarenta e Nove

655 82 25

Lar, doce lar.

Elisa se sentia mais do que satisfeita em entrar em sua casa, tomar um banho, enfiar-se numa roupa bem larga e se atirar no sofá depois daquele dia extenuante.

A verdade era que havia feito tanta coisa que parecia ter passado mil anos ao invés de umas poucas horas desde a primeira olhada naquelas duas manchinhas no monitor.

Também podia ser que fosse ela quem andasse se cansando com mais facilidade, ainda mais por estar recém se livrando daquela gripe do mal. A doutora Natália havia lhe prescrito outros remédios, que não afetariam sua gravidez, então restava-lhe torcer para que enfim melhorasse.

Isso sem contar a parte dos enjoos, que sua médica explicou tenderem a terminar no final do primeiro trimestre da gravidez.

Com a minha sorte, vou vomitar até na sala de parto.

Pelo menos sua moto se encontrava sã e salva na garagem. E Elisa teria de aceitar que Fernando desse a partida e até algumas voltas com sua bichinha para que a bateria continuasse em pleno funcionamento.

Tudo sob sua supervisão, obviamente. Ela não confiava em ninguém com seus bebês motorizados.

Inclinou-se e alcançou o controle remoto do suporte na mesinha de centro. Ligando a televisão, passou os vinte minutos seguintes passeando pelos canais sem prestar atenção em nada. Por fim, deixou no jornal, ajeitou melhor a almofada atrás de si e...

Acordou no susto, quando o smartphone tocou.

Era apenas uma mensagem no WhatsApp.

Oi. Vou precisar da cópia do controle e das suas chaves. Assim não fico incomodando você. Pode abrir para mim?

Elisa queria lhe dar uma resposta bem atravessada, mas seu cansaço lhe impediu de digitar. Usou suas energias para ir até a porta, abri-la e acionar o portão. Viu o carro de Marco entrar e seguir para os fundos, então apertou o botão do controle de novo. Ele que desse a volta e usasse a entrada da frente, porque ela retornaria ao sofá.

Não se mexeu quando ouviu os passos no cascalho, nem mesmo com os resmungos de Marco ao subir os degraus da porta da frente. Apenas o cheiro de comida quentinha alcançando o seu nariz foi capaz de animá-la a olhar para ele.

– É o jantar? – Sabia que tinha perguntado o óbvio, mas o fez estendo os braços e abrindo e fechando as mãos, o que claramente significava: "aproxime-se mais".

Marco sorriu, mas passou por ela com todas aquelas sacolas e desapareceu pela porta da cozinha. Elisa, sem perder tempo, seguiu-o, atraída pelo aroma apetitoso.

Ele mal havia colocado as coisas em cima da mesa e ela já se acomodava numa das banquetas da ilha móvel, puxando uma das embalagens mais para perto.

– Sim, é o jantar. E um suco de morango que comprei na feira de orgânicos – respondeu, aproximando-se dela.

Elisa ergueu os olhos quando Marco lhe estendeu algo. Pensou que fosse mais comida, mas na verdade ele oferecia o que o estômago dela nem lhe deixara prestar atenção: um vaso com o que parecia ser uma muda de árvore.

Encarou as folhas brilhantes e verdes por um instante, franzindo a testa.

– O que é isso? – fez a segunda pergunta tola do dia.

– São a representação do que nós dois fizemos juntos. É uma muda de cerejeira, a árvore do nosso relacionamento. E esses dois passarinhos aqui são nossos filhos. Achei poético lhe dar uma muda assim, afinal, há grandes possibilidades de termos estado no meio do mato quando tudo aconteceu.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now