Capítulo 41 - Perdida

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Um pesadelo... Era isso o que eu estava vivendo, um verdadeiro e bem nítido pesadelo. Continuei encarando Alec em minha frente, meio envergado para caber na cela, implorando mentalmente que Mahlars soltasse sua risada maligna e me dissesse que era tudo uma grande mentira, uma brincadeirinha, apenas magia negra para me assustar. Infelizmente a parte racional do meu cérebro estava me castigando com seu realismo, aquilo não ia acontecer. E ali estava meu amigo, vestido como um comandante do submundo com roupas escuras, apertando uma máscara esbranquiçada e bizarra em mãos e mais do que isso, sem esboçar qualquer sinal de arrependimento pelo que fizera.

Não consegui reagir. Logo minha mente fez o trabalho sujo reunindo lembranças de Alec e provocando uma explosão na minha cabeça. Cada luta travada, cada conhecimento que ele possuía, cada palavra e gesto, tudo que um dia servira para me ajudar, agora parecia uma piada. Que pais arqueólogos que nada! Tudo não passara de uma grande falácia, eu sabia muito bem os motivos que o levaram a me ajudar a adquirir todos aqueles prêmios. Era visando entrega-los a seu chefe, o grande monstro Mahlars, quando chegasse a hora.

- Vai continuar calada? – o bruxo questionou em deboche. – Você sempre tem uma resposta para tudo, querida. – meu silêncio permaneceu. - Isso está melhor do que eu pensei.

Eu queria reagir, queria questionar, queria mais do que tudo acertar Alec até deixá-lo inconsciente.

- Por quê? – consegui emitir ainda paralisada – Por que você fez isso? Você...

- Não é o momento para dramas, Hailey. – ele respondeu, me interrompendo rudemente. – Eu apenas fiz o que era necessário fazer. Cumpri as ordens que me foram dadas por quem devo minha gratidão e respeito.

- Gratidão e respeito? – repeti em uma forma de internalizar o absurdo que eu havia acabado de escutar. - Você me enganou! Mentiu para todos nós! – no impulso me ergui do chão. Com o pouco de força que restava, meu corpo já se agitava em meio as correntes, fazendo-as balançar. – Como você pôde ser tão falso?!

- Falso? – ele franziu o rosto. – Acho que você se enganou, não me lembro de prometer-lhe nada para me chamar de falso. Até mesmo a ajudei a resgatar os presentes dos deuses. – disse irônico.

- Em prol da sua missão, não porque se importava comigo ou com meu reino!

- Não deixo de estar certo. – ele revirou os olhos e precisei respirar bem fundo para não voar em seu pescoço.

- Você é inacreditável! Como nunca percebi o ser asqueroso que tinha ao meu lado? – parei para tentar respirar novamente, eu estava muito alterada. O problema que a única a sair machucada ali era eu mesma, tanto fisicamente quanto emocionalmente. A forma calma como Alec lidava com aquilo me deixava ainda pior. – Você era o informante, por isso Mahlars sempre sabia de tudo. Você, sempre foi você!

- Basicamente. – deu de ombros. Isso me fez ficar ainda mais incrédula.

- Ágatha... Você... você também... – minhas palavras sumiram enquanto eu negava com a cabeça ao pensar na sereia e no quanto aquilo seria doloroso quando descobrisse.

- Acredite, toda essa missão foi bem divertida. – ele sorriu e senti nojo – E quanto a Ágatha, essa sim foi a melhor parte. Nunca pensei que receberia um prêmio à altura dos meus esforços.

- Prêmio? É assim que você chama a mulher que tanto confia em você?

Percebi que Mahlars olhou de modo bem curioso para Alec, mas não compreendi exatamente o que se passava na cabeça do bruxo. No entanto, a atitude do homem que eu julgava ser meu amigo até poucos minutos atrás, era repugnante demais para que eu prestasse atenção em qualquer outra coisa.

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!