Capítulo 39 - Fuga

325 62 32

A pressão dos dedos de Mahlars ao redor do meu pulso era preocupante, atrelado a sua pequena corrida pelos corredores do castelo era ainda mais desesperador. Transmitia uma mistura de urgência, ansiedade e agressividade que fazia toda a minha coragem ser jogada no lixo.

Eu queria parar, queria que ele me soltasse e afastasse aqueles dedos nojentos da minha pele, mas não importava o quanto eu lutasse, o bruxo era inatingível. Foi ali que pensei na minha missão dos deuses: matar Mahlars. Pela primeira vez eu começava a entender o medo de Ágatha e toda a sua superproteção, completar aquilo parecia impossível.

- Perdoe minha pressa. – ele disse – É que estou um pouco ansioso para testar algumas de minhas armas novas. As guardei exclusivamente para você.

Aquelas palavras fizeram com que eu tivesse certezas que eu não queria sobre meu destino. Desde que saíra da sala do trono, minha mente montava os possíveis motivos para sua pressa. Guardas parados na porta abaixaram seus olhares ao ver o bruxo passar, isso se repetiu por todos os corredores, mas o olhar que Ramon furtivamente jogou para mim me fez perceber que eu tinha feito a pior escolha: confrontar Mahlars.

- Não sabe o quanto esperei por isso, querida. Não deveria ter demorado tanto para chegar. – ele continuou provocando-me. Eu queria gritar, nunca sentira tanta repulsa por um apelido como estava sentindo por aquele "querida" pronunciado por um homem tão asqueroso.

Mahlars tomou um caminho diferente do que eu conhecia, podia sentir uma mudança de clima considerável. Meus dedos descobertos já tremiam de frio, precisei me ajeitar no casaco.

- Não se preocupe, já estamos chegando. – falou, debochando do meu silêncio.

Ramon vinha mais atrás, caminhando lentamente a uma certa distância e evitando novamente meu olhar que eu insistia em tentar direcionar a ele. Viramos em outro corredor, nesse, um número ainda maior de guardas estavam dispostos. Eles menearam a cabeça enquanto o bruxo atravessava, foi nesse momento que ouvimos passos apressados.

- Senhor! – um guarda se aproximou eufórico, parando em frente ao bruxo que com um estalar de dedos e sem deixá-lo falar, jogou o homem bruscamente em direção à parede.

- Já disse para não interromper meus assuntos. – emitiu em uma voz calma sem parar de andar.

Engoli em seco, aquele homem era um psicopata de verdade! O guarda jogado na parede escorregou até o chão, em seguida ergueu-se devagar, segurando as costelas que deveriam no mínimo ter sido fraturadas. Inutilmente, pois logo caiu no chão novamente.

- O assunto é sério, senhor. – ele emitiu um som doloroso - É sobre os outros prisioneiros e sobre a princesa. – completou com dificuldade.

Isso pareceu ter ganhado a atenção de Mahlars que parou bruscamente fazendo com que eu tropeçasse nele. Sua mão me segurou no lugar sem que ele ao menos me olhasse.

- Ainda estão dando problemas? – o homem no chão assentiu com dificuldade. – Essas crianças desobedientes... – o ouvi murmurar, o que me deixou alerta. – Não conseguiu dar um jeito neles ainda? – Mahlars continuou a questionar, mas dessa vez o guarda não respondeu, pois já estava desacordado... ou morto... eu não sabia dizer. – Levem-no! – ele indicou a dois guardas próximos e suspirou como se estivesse cansado.

- O que ele quis dizer com isso? Sobre qual princesa vocês estão falando? – questionei temerosa. – Que prisioneiros?

- Quem mais senão sua amiguinha Ágatha? – Mahlars negou com a cabeça. – Acho que estou perdendo minha paciência com ela. Não é possível que seu nome sempre interrompa meus negócios. Você como uma boa amiga deveria avisá-la sobre o perigo que corre ao fazer isso.

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!