Cena Bônus.

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Sete minutos.

Dizem que é exatamente esse tempo que levamos para ter o filme de nossa vida, por isso a ideia de sete vidas, sete camadas do céu, do inferno... tudo gira em torno do número sete, logo a morte não seria diferente.

Passei os meses que se arrastaram pensando no que realmente é justo, no que é justiça... seria justo um estuprador voltar as ruas? Seria justo ele gozar da liberdade?

Quando a audiência foi marcada, parece que esse senso justiceiro aflorou em mim. Porra, o cara foi responsável pelas duas perdas que tive; cometeu atrocidades, tende cometer, visivelmente ele me ameaçou... vou viver com medo? Vou contar com a justiça ou com a sorte de meus colegas o manter preso em um pais como o Brasil?

E se ele for solto por algum juiz desonesto? Isso acontece, não sou ingênua.

Se ele mandar me fazer mal mesmo de dentro da cadeia? Tem esse risco, o sistema carcerário é falho... por isso não pensei duas vezes em ligar para Sambataro há algumas semanas atrás.

—Capitã de Ferro! A que devo a honra de sua ligação?—ele atende rápido.

—Necessito de sua ajuda, Sam.

—Manda.

—Necessito saber o que Ricardo está aprontando cada passo dele para só então saber o que farei.

—É uma missão difícil, mas não impossível. Considere feito.

E assim foi. Sambataro infiltrou gente de segurança dentro do presídio, colocou escutas na sala e em regiões estratégicas no pátio, além, é claro, de grampear todos os celulares que usavam a rede próxima. E assim o pegamos:

—E então?—eu vir encontrar Sambataro numa clínica, para não levantar suspeitas. Tudo que eu não preciso neste momento é um Henrique em suspense. Isso só me atrapalharia.

—Você tinha razão. Ele estava com planos grandiosos.—Sam me mostra um áudio, no qual Ricardo a esquematizar seu plano:

—Eu tenho que ser julgado porra. Tenho que fazer aquela puta acreditar que a justiça está sendo feita.—ele sorri ao falar no telefone

Como eu sei? Seu timbre muda quando pronuncia a palavra justiça. Ela é proferida como um deboche.

—Doutor, isso é arriscado. Vai sair mais caro, tá ligado?

—Não me importa o valor. Só faça o que mando. Vocês vão me resgatar quando eu for voltar para a cela.

—Se o doutor quer assim... mas ai, pega a visão. Vai te custar duas pilhas, sacô? Um pá mim e o outro pros parça. Vamo mandar dois carros fortes enquadrar o seu.

—Escuta Jabá, o guarda está vindo. Mas dê um jeito do avião estar me esperando para eu ir para Medelim e de lá para Bogotá ao encontro de Rodrigo.

A gravação encerra.

Foi ali que vi que ele não estava de brincadeira. Bem, eu também não. Não serei vítima do meu próprio sistema. Não mais. Óbvio que quem disse onde Rodrigo estava foi eu. Seu irmão me deu de presente de natal sua localização.

Nas semanas que se arrastaram depois de ouvir a gravação tive que decidir que passo seguir. E fiquei em duvida sobre se valia a pena sujar minhas mãos, mas a questão girava mais que isso, na segurança de minha família e minha paz de espirito. Não suportei o pesadelo:

Eu estou em uma casa grande como eu sonhei quando tinha 15 anos. Com um imenso jardim. Tem uma menininha de cabelos negros liso e vestido branco do outro lado me chamando com as mãos

Treinada para não Amar_ Katrina[CONCLUÍDO]Leia esta história GRATUITAMENTE!