Capítulo Quarenta e Sete

Começar do início

Aliás, já tinha até entrado em alguns grupos do Facebook justamente para conseguir alguma orientação, uma vez que a consulta com a Dra. Natália só pôde ser naquele dia. A própria ideia de parar de andar de moto estava em sua mente muito antes de sua mãe e o resto do povo a atacar com proibições. Se Elisa continuava pilotando, era devagar, com todo o cuidado, despedindo-se de sua amante porque demorariam muitos meses para voltarem a se encontrar.

Além do mais, era óbvio que as perguntas sobre o que comer, o que beber e como agir não podiam esperar tanto, só que não havia necessidade de ninguém lhe encher o saco a respeito disso. Ela mesma procurou informações num livro sobre gestantes recomendado por Andressa.

Para completar sua nova e "miserenta" vida, desde que souberam da gravidez, Marco e Elisa andavam reaprendendo a lidar um com o outro. Em uma nova rotina, ele passou a acampar na casa dela, sofrendo com as discussões e noites mal dormidas, assim como com os enjoos matinais. Não podia reclamar de sua parceria, mas a irritação a acometia e se tornava muito fácil descontar as frustrações e o mau humor no coitado.

Sua consciência pesava por passar a agradecer a Deus pela existência daquele ser das Trevas, o gato. Mas era graças a ele que Marco a deixava respirar um pouco, quando ia até o apartamento para lhe dar comida e atenção.

Froga, Elisa se sentia culpada. Era por esse motivo que tinha ido até o escritório naquela manhã, pensando em avisar Marco sobre a consulta. Não que quisesse sua companhia, mas não via problema nisso. Ela não era tímida. Mas depois daquele olhar, acabou fazendo o mesmo que com sua mãe: explodiu.

Foi assim que se viu agarrada a desculpas esfarrapadas. Morria de medo de entrar naquele consultório sozinha e tornar a gravidez mais real do que já era depois do teste e do exame de sangue. No entanto, saber que as pessoas a olhavam como uma mãe desnaturada era o fim, principalmente sendo da sua família. Bom, ela sabia que não encaixava no papel de mãe e que Marco não era sua família, mas ainda assim doía.

E, para completar o quarteto de criaturas sem noção composto pelo pai, avó e tio da criança, havia Andreia, que tinha se unido à causa de enlouquecê-la.

Praticamente podia até ver sua amiga a criar alguma hashtag a respeito. De certo seria algo como #MadrinhasTop ou #TiremAMotoDessaIrresponsável.

Sim, Elisa se encontrava no meio do furacão.

Mas o que a deixava pior – como se essa gripe e sintomas de gravidez já não fossem o suficiente – eram as brigas. Elisa nunca tinha brigado tanto na sua vida. Apenas Fernando estava sendo seu amigo, porque era sábio o bastante para lhe dizer as coisas do modo certo, com calma, primeiro informando que entendia perfeitamente a sua opinião antes de expor a própria. E ela não podia confiar em mais ninguém além dele. Luana havia lhe traído ao permitir que suas mandingas a engravidassem, Andressa andava com um olhar de "eu avisei", Morgana decidira se bandear para o time "Marco" e Fábio ficava dando palmadinhas na sua mão e dizendo: "coitadinha, o dindo vai cuidar do seu filho, não se preocupe".

Era de enlouquecer.

Sem falar nos Moraes em peso, liderados por Guilherme e Sandro, que só sabiam perguntar sobre quando ela faria uma festinha para comemorar.

– E então, Elisa, como você está?

Elisa fez uma careta ao ouvir a pergunta de Natália.

– Desconsolada. Lutando com a froga de uma gripe há semanas que, por desgraça, durará o resto da minha vida.

Natália já estava acostumada ao jeito daquela sua paciente em específico de expor seus problemas sem dar voltas. Porém, quando Elisa passou vários segundos em silêncio sem acrescentar mais nada em sua resposta, ela decidiu comentar:

Meu Adorável AdvogadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora