Capítulo 1

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Capítulo 1 - Music teacher

|Sam|
|👑|

Terminei de arrumar a mesa e me direcionei para o quarto de Anna, certeza que teria que enfiá-la debaixo do chuveiro para que acordasse, infelizmente ela puxou o meu pior lado: o da preguiça.

Assim que adentrei o quarto fiquei surpresa ao vê-la em pé arrumando a cama, desde cedo ensinei que ela deveria manter o quarto limpo e arrumado, talvez assim ela ficasse mais organizada que nem o pai e não tivesse outro defeito meu.

-Deu formiga na cama? - Perguntei me encostando na porta do quarto.

-Não, só quero chegar cedo na escola porque hoje tem aula de música. - Revirei os olhos já entendendo o que ela queria dizer.

-Então vai correndo para o banho, quando Alexia for te buscar você termina de arrumar tudo. - Ela passou por mim correndo em direção ao banheiro. - Porta encostada!

Anna tem um novo professor de música esse ano, e parece que os dois se deram bem porque desde que ele chegou, conquistou o coração dela, o que pra mim foi uma surpresa já que ela sempre demora a confiar em homens mais velhos.

Tirei seu uniforme passado do guarda roupa e o coloquei na cama para ela vestir quando terminar o banho, e depois fui em direção ao meu quarto pegar o celular do carregador e os meus saltos que estavam ao lado da cama.

-Anna não demora e se seca direito! - Falei alto a vendo passar pelo corredor e indo para o quarto.

Peguei meu celular para ver se tinha alguma mensagem da assistente do meu chefe, e não tinha nada. Apenas dei de ombros e fui em direção ao quarto de Anna que estava terminando de se arrumar.

-Penteia meu cabelo? - Ela pediu e eu sorri assentindo, mesmo que não precisasse já que seu cabelo era naturalmente liso. - O tio disse que hoje ensinaria todo mundo tocar teclado, por isso eu quero ir logo. - Prendi seu cabelo em um rabo de cavalo alto e a virei para mim.

-Não fique ansiosa, vai dar tempo. - Dei um beijo em seu rosto e ela sorriu. - Vamos comer logo.

Enquanto ela tagarelava sobre como gostava do professor fiquei pensando o que ele deveria ter feito para fazê-la ficar tão empolgada assim com ele. Pensando no pior e tentando afastar esses pensamentos balancei a cabeça.

-E qual o nome dele? - Perguntei tomando um gole do meu café e ela deu de ombros. - Anna, você não sabe o nome do seu professor?

-Pra mim e pra todo mundo o nome dele é tio, ué. - Ela respondeu e eu ri revirando os olhos. - A senhora sempre disse pra eu não fazer isso se não meu olho nunca mais volta para o lugar.

-Isso mesmo!

-Então por que a senhora faz? - Ela perguntou fazendo bico e eu respirei fundo.

-Porque eu sou adulta. - Respondi a analisando. Não tinha nada de diferente, nenhuma marca, nem machucado.

-Adultos são imunes? - Ela parecia interessada e eu suspirei.

-Quase isso, termina de comer para a gente não se atrasar. - Ela assentiu e voltou a comer em silêncio.

Me: Bom dia, Lexia. Sabe me dizer o nome do professor de música da Anna?

Alexia fica com Anna desde os 6 meses da pequena, me ajudou muito quando minha mãe e Mel não estavam aqui em casa e eu tinha que trabalhar.

Agora ela tá com 18 anos e no último ano do ensino médio, o dinheiro de babá é um extra pra ela não ter que depender totalmente da mãe e do pai. Claro que quando Anna era apenas um bebê eu deixava na casa de Alexia e a mãe dela, que é dona de casa, ajudava a menina com as coisas por ainda ter só 12 anos.

Eu só deixei porque a mãe dela insistiu muito e eu não trabalhava o total de horas que eu trabalho hoje em dia, então era só algumas poucas horas.

-Vou escovar os dentes! - Ela avisou se levantando e eu assenti voltando os olhos para o celular.

Me: Mel, como percebe que uma criança ta sendo molestada? Ela se apega muito à pessoa não é?

Me: Pelo menos eu vi isso em 'As Vantagens de ser Invisível' quando era mais nova.

Me: Ou ele não foi molestado? Ainda fico confusa com isso.

Me levantei colocando o que estava sujo na pia e tampando o que tinha ficado na mesa, depois fui até o banheiro para escovar os dentes também.

-Pega a mochila. - Falei assim que encontrei Anna sentada no sofá, coloquei meus saltos quando ela voltou e peguei minha bolsa.

Fiz o ritual de sempre, a analisei para ver se estava faltando algo e olhei em volta para saber se não tinha esquecido algo, como não lembrei de nada que pudesse ter esquecido saí de casa com Anna trancando a porta em seguida.

Peguei na mão dela e vi se Melanie tinha me respondido, e tinha.

Chase ♥: Tá louca, garota?

Chase ♥: Mas pelo que sei ou a criança fica apegada demais ou odeia muito a pessoa.

Chase ♥: O que aconteceu com a Anna?

Me: Nada, que eu saiba.

Me: Só to achando ela apegada demais à esse professor de música.

Chase ♥: Deve ser coisa da sua cabeça, mas corre atrás pra ver isso.

Me: Claro que vou ver, né

Me: Agora vou dirigir, beijos

Chase ♥: Tá bom, me mantenha informada. Beijos e manda um beijo para a princesinha.

Coloquei o celular na bolsa novamente e pus o cinto em Anna, saindo do estacionamento enquanto a mesma folheava um livro infantil que eu mantenho no carro.

-Sua tia mandou um beijo. - Falei assim que saímos da garagem e ela me olhou animada.

-Ela vem aqui? - Perguntou e eu neguei vendo sua animação esvair. Anna é tão apegada à Melanie quanto à mim porque minha amiga ficou com a gente durante um tempo, depois falou que não estava feliz com a vida que levava e casou com um velho rico que é gay mas não quer se assumir por causa da idade. Segundo ela, eles se dão muito bem e as vezes parece que ele é a melhor amiga dela e não eu. - Ela abandonou a gente!

-Não, ela não nos abandonou. - Falei sem tirar os olhos da estrada. - Ela só está vivendo a vida dela. Um dia você também vai ir pra longe e eu vou ter que aceitar.

-Eu nunca vou deixar você, mamãe! - Ela me assegurou me olhando com o cenho levemente franzido e eu sorri.

-Eu e você pra sempre? - Perguntei desviando o olhar para ela e a vi sorrir.

-Sempre, sempre. - Voltei com os olhos para a rua e estiquei o dedo mindinho para que ela cruzasse junto com o meu selando nossa promessa.

Anna é tudo o que eu tenho. Eu não sei o que sou capaz de fazer se alguém estiver fazendo algum tipo de ruindade com a minha princesinha, eu acho que eu mato sem pensar nas consequências dos meu atos.

Suddenly Us - Shawn MendesOnde as histórias ganham vida. Descobre agora