Capítulo 32

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Sem Revisão

Norah

Já estava na casa do meu pai a dois dias, desde que cheguei, não queria ouvir sua desculpas, porém hoje não tive escapatória. Estava sentada no sofá, meu pai a minha frente, eu não consigo olhar para ele, todos esses anos eu sofri enquanto ele estava vivo e muito bem. A revolta começou a crescer dentro de mim, sempre fui pacata, de natureza calma, sofri desde que nasci a acho que aprendi a conviver com isso, mas o fato de saber que meu pai me deixou a mercê de madame, sabendo como ela me tratava, foi a gota d'água, nada me fará perdoa-lo

— Norah, quero que você escute o que tenho a dizer e tenta entender
— Entender o que? Você me abandonou
— Foi preciso, eu estava sendo ameaçado de morte pelos capangas do Senhor Falcon

Olhei para meu pai com olhos arregalados, sobre o que ele estava falando? me perguntei alarmada. Ele percebeu minha confusão e disse

— Eu devia muito dinheiro para ele, joguei nos cassinos, tentado ganhar algum dinheiro pra recuperar a empresa, no início até ganhei alguma coisa, então me tornei viciado e jogava tudo que ganhava, quando não tinha mais, tirei da empresa que já não estava bem das finanças por causa das extravagâncias da Odete, ela exigia cada vez mais e eu precisava de dinheiro. O resultado foi à falência total e uma dívida enorme com a Máfia.

Eu escutava tudo aquilo sem acreditar, não fazia ideia que papai jogava em cassinos e muito menos que devia a máfia e pior ainda, para o Enrico. Tudo aquilo era novidade para mim. Ele continuou

— O Senhor Falcon, dava duas chances para os devedores pagarem, a primeira vez foram os capangas que me procuraram para ameaçar e dar um prazo para pagamento. Na segunda vez, eles espancavam e davam um prazo de 24 horas, na terceira vez era a execução se não houvesse pagamento.

Estava de cabeça baixa absorvendo todas aquelas informações, muito confusa, meu pai era amaçado pelos capangas do Enrico, será que ele sabia que eu era a filha de um dos seus devedores? Por isso me tratava daquela maneira? Muitas dúvidas rondava minha cabeça. Meu pai voltou a falar

— Eu não deixei nem chegar na segunda vez, simulei meu suicídio e fugi para cá e desde então, moro aqui

Levantei o rosto e analisei a expressão do meu pai, ele parecia desolado, triste, abatido, seus olhos azuis estavam ralos pelas lágrimas, senti meu coração doer, mas não podia ceder ainda, preciso saber se ele sabia o que passei todos esses anos

— Você sabia as minhas condições no bordel?
— Eu fiquei sabendo que vocês haviam se mudado para o bordel, através da Margaret, ela tinha o restaurante, quando simulei a morte, ela me ajudou, com dinheiro, não tínhamos contato antes, eu havia dado o local para ela por causa do Patrick, não queria deixá-los desamparados
— No entanto me deixou a minha sorte com madame Remy — Falei com indignação, estava me sentindo ferida
— Não foi isso Norah, eu não podia levá-la comigo, se o fizesse Odete saberia, também queria me livrar dela

Balancei minha cabeça com revolta, ele me deixou com aquela mulher por pura covardia, por suas escolhas erradas, ele nunca me amou, em nenhum momento, aquela constatação me magoou muito

— Por que você nunca me amou? — Perguntei entre soluços
— Eu não te odeio, eu te amo, eu só não sabia lidar com você, a sua beleza, seus olhos, tudo em você lembrava a sua mãe...
— Não! — Dei uma pausa — Esse não é um motivo plausível para fazer tudo que fez comigo

Um silêncio constrangedor ecoou no ambiente, só se ouvia meus soluçosos de tristeza, toda a minha vida fui desprezada e usada pelas pessoas.

— Por que resolveu me tirar de lá agora? Por que me tirou do Enrico, o homem que amo?

Sob o Jugo do Mafioso +18 concluído Leia esta história GRATUITAMENTE!