Capítulo Quarenta e Cinco

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Ninguém reconheceria Marco atrás do volante naquele dia. E isto porque foi a muito custo que ele se controlou para dirigir de forma correta, sem correr e sem buzinar para os imbecis que resolveram andar a 20km/h numa pista rápida de 60km/h.

Ao chegar em sua rua, ele também praticamente não xingou quando o controle do portão eletrônico do prédio trancou. Apenas respirou fundo e ficou apertando o maldito botão uma meia dúzia de vezes antes de o ordinário finalmente acionar.

Sua cabeça estava a mil.

Enquanto lutava contra a ansiedade, Marco largou o casaco, o cachecol e a pasta em cima do sofá. Então, foi tratar o gato. Afinal, ele era responsável por um ser vivo e, logo, seria responsável por mais um.

William sequer notou que seu humano estava estranho. Até porque havia ganhado uma boa esfregada, pedaços de salmão defumado e um potinho de leite. Encontrava-se mais do que satisfeito.

Marco, por outro lado, pensava nas dezenas de coisas que ainda teria que fazer. Precisava ligar para seus pais e lhes contar a novidade, assim como analisar se seu apartamento era grande o suficiente para Elisa trazer suas coisas e para que o filho ou filha dos dois tivesse um bom espaço. A casa dela estava fora de cogitação, por ficar em um local muito perigoso, de frente a uma rua extremamente movimentada, perto do centro. Não havia segurança o suficiente para sua família ali.

Assim que olhou para a bancada de sua cozinha, ele sentiu uma dor ciumenta. Era fato que depois do nascimento, eles procurariam um lugar maior e todo aquele trabalho de reforma provavelmente seria passado adiante. Teria que conversar com Elisa sobre isso também.

Não fazia mal. Começariam os dois do zero, num apartamento ou casa adequada para uma criança.

Tomou seu banho em tempo recorde e enquanto se vestia, ligou para seus pais e colocou o smartphone no viva-voz.

– Alô? – sua mãe atendeu e, por sorte, parecia alegre.

O melhor é dar a notícia aos poucos, pensou, preparando-se para o grande momento. Não queria que seus pais tivessem um ataque cardíaco ou algo do gênero.

– Oi, mãe, sou eu. E aí, tudo bem com vocês?

Oi, filho! Tudo bem sim, graças a Deus. Seu pai está bem disposto, então demos um grande passeio na pracinha. Agora me conte: como vão as coisas? E o William, está bem?

Marco revirou os olhos. Só sua mãe para perguntar do gato.

– Ele está ótimo. Escuta, mãe, eu tenho uma novidade.

Sobre aquele caso que não estava deixando-o dormir há dias? Você vai largar o cliente?

Que caso? Ele não conseguia se lembrar de nada mais do que a situação dele e de Elisa.

– Não. É outra coisa.

Dona Mirian estava obstinada em adivinhar.

Sobre aquela viagem que você quer de todo jeito que eu faça? Filho, já disse que não vou ficar longe do seu pai...

– Não, mãe, não é sobre nada disso. – Marco se divertiu.

Dona Mirian não era impaciente, mas pelo visto estava sendo contagiada por sua animação, só podia.

Bem, então...

De repente, ele escutou um barulho, e logo a voz do seu pai também surgiu pelo aparelho:

– Quem é? E por que você está com essa cara, mulher?

– É o nosso filho, meu bem. Ele tem uma novidade.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now