Capítulo Quarenta e Quatro

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Marco custou a processar a informação que Elisa atirou em cima dele naquela tarde. Ou melhor, que atirou em cima da sua mesa. Com o palito em mãos, permaneceu em sua sala, olhando por um bom tempo para o resultado à sua frente.

Vou ser pai. Meu Deus, eu vou ser pai!

Desde o momento em que aquela informação foi atirada em sua cara, Marco não conseguia se concentrar em outra coisa. E, se não fosse a ação traidora e rápida de Morgana, teria conseguido sair atrás de Elisa assim que ela deixou sua sala, a fim de confirmar a verdade daquela declaração bombástica.

Eu vou ser pai!

Preocupou-se pelo estado de Elisa. Ela estava furiosa com ele e ficou ainda mais enraivecida quando Jenifer caiu esticadinha no chão do corredor. Viu-a ir embora do mesmo jeito que chegou, parecendo um furacão e levando tudo consigo.

Foi quando surgiu a dúvida: segui-la ou não? A decisão acabara sendo retirada de suas mãos por Morgana, tão irritada com toda a situação que se recusava a ficar sozinha com Jenifer, caso ela acordasse histérica.

Por isso, só depois de Jen se recuperar do desmaio, Marco abandonou o teste de gravidez na mesa e pegou as chaves do carro, pronto para ir atrás de Elisa. Até porque Morgana não estava mais lá para impedi-lo.

Só que não foi tão fácil como imaginara. Elisa não atendia ao telefone e, segundo seus funcionários, não tinha voltado para a oficina. Resolveu dar um pulo em sua casa, e tampouco a encontrou lá. As janelas estavam completamente fechadas, assim como as portas da garagem que ocupava todo o final do terreno.

Sem alternativa, Marco voltou para o escritório e começou a ligar para todo mundo. A começar por Dona Nonô, porque além de talvez saber o paradeiro de Elisa, ela seria a avó do seu filho ou filha e precisava saber.

Nem percebeu que, com aquela decisão, ele assinaria sua sentença de morte.

Entretanto, momentos desesperados pedem medidas desesperadas, não é?

– Meu filho, que bom que você ligou! – disse Dona Nonô assim que o atendeu. – Eu ia mesmo dar uma passadinha aí no escritório. Como está da gripe? E como vai a Elisa? Aquela filha desnaturada não me retorna, nem atende as minhas ligações...

E assim Marco tomou conhecimento sobre o paradeiro de Elisa: desconhecido.

Embora soubesse que as duas não se falavam há algum tempo – Elisa lhe contou que discutiram naquela mesma noite da boate e, desde então, tentava evitá-la –, esperava outra resposta, pois nessas horas era natural os filhos procurarem as mães.

No entanto, este não foi o caso e Marco não pretendia preocupar Norma com o sumiço de Elisa. Já bastava ele angustiado atrás daquela maluca.

– Estamos bem, Dona Nonô – respondeu ao final. – A gripe continua firme e forte, mas nos recuperaremos.

– Ai, que bom, meu filho! Vocês precisam se alimentar bem, e tomar umas vitaminas. Até porque eu quero lhes encomendar os meus netos, e para isso preciso dos dois saudáveis!

Para quem ouvisse a conversa, pensaria que aquela era uma brincadeira entre sogra e genro. Porém, Marco sabia muito bem que Dona Nonô jamais brincava com assunto sério. Ela queria seus netinhos, não importando se Elisa e ele eram um casal ou não.

Bem, aquele parecia o momento ideal para largar a bomba.

– Quanto aos seus netos...

Marco se interrompeu, num acesso de espirros que lhe encheu os olhos de lágrimas. Logo, refletiu melhor sobre o que estava prestes a fazer. A preocupação maior no momento era com Elisa, então o correto seria deixar para contar as novidades mais adiante.

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now