3 - Futuros Incertos

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Os que ainda estavam vivos, algumas mulheres, homens de idade e os guardas que teriam sido enfeitiçados, foram ordenados a se retirar pacificamente da ilha, em um dos navios ao cais.

Após o tempo de recolhimento, todos estavam prontos para a partida. Antes, uma mulher, bem vestida para ser apenas uma serva, segurando a mão de um menino, aproxima de Morgane que assistia o embarque.

- Gostaria de lhe agradecer pessoalmente. Por ter poupado nossas vidas. - a mulher, por volta dos quarenta anos, expressava-se por piedade.

Morgane apenas assentiu, forçando um sorriso. Apesar de sentir-se excitada por bajulamentos, estava cansada no momento.

A serva então, coloca o menino a sua frente, chamando por atenção.

- Sei que é uma boa pessoa. - inicia com olhar penoso, com suas mãos agora nos ombros dele. - Este é Murilo. Filho de Mercio Cronus. Ficamos em seu aposento durante o ataque. Escondidos.

Morgane fitava bem mais interessada no menino. Deduzia a idade que ele teria. Talvez dois anos mais velho que Malasya.

- Prometi à alteza que cuidaria de seu filho em momentos como este, mas ele não pode voltar para o reino. Infelizmente sua vida corre perigo.

A mulher dragão arque a sombrancelha, curiosa, mas mantendo sua postura de superioridade:

- E porque ele corre perigo?

- Murilo é um filho bastardo. Príncipe Mercio, na época, se apaixonou por uma prostituta. O caso durou alguns anos, e a rainha não suportava a relação dos dois. Insistiu que a tal prostituta fosse banida do reino. Murilo tinha dois anos quando sua mãe se foi, e cresceu no castelo, até vim para cá. Também idéia da rainha, que nunca gostara do príncipe Mercio, pediu ao rei que o mandasse para governar a colônia nesta ilha. Bem longe do reino. Longe da família Cronus.

- Então, se ele voltar para o castelo - Morgane se atraía com o fato contado - a rainha fará de tudo para sumir com este garoto?

- Provavelmente. O rei até criaria ele por pena, mas se dependesse dela, Murilo já estaria morto a muito tempo.

Um homem, de longe, gritou pela mulher. Ele estava no cais, a chamando para o embarque. Estavam todos dentro do navio, prontos para a partida.

- Príncipe Murilo, escute - disse ela agora com a voz mais dramática, encarando o menino - Preciso ir agora. Seja forte. Procure sempre a sabedoria. Já conversamos antes, certo? Lembre-se do que te disse hoje mais cedo. Voce ficará bem.

Assim ela deu um beijo em sua testa, parcialmente escondida por uma franja bagunçada. E termina, pedindo a Morgane:

- Deixo ele em suas mãos.

E com o assentimento de Morgane, que não dizia nada, a mulher saía as pressas para o cais.

A hunimalio, assistindo aquilo, percebera que o menino tinha um laço sentimental com a tal serva. Lágrimas escorriam dele vendo-a partir.

- Não se preocupe, Murilo - ela dizia apoiando uma mão no ombro dele, procurando certa aproximação.

O menino no instante, encolheu os ombros com seu toque. Talvez fosse o susto repentino pela mulher que assassinara seu pai, o tocar. Mas não protestou, continuou calado e com a cabeça baixa.

O príncipe bastardo já estava a quase a meia hora observando a silhueta do único navio naquele vasto mar, se distanciando de sua visão.

Ele agora, sentado na grama seca, acima de um penhasco. Entrelaçava seus dedos entre os filetes verdes do mato quando Malasya lhe deu companhia, sentando ao lado:

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