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— Meu amor, estou saindo com sua irmã. Daqui a pouco estamos aí — Disse minha mãe na porta do meu quarto.

Minha mãe sempre tem essas saidinhas a noite com minha irmã, não que eu tenha ciúmes, mas elas sempre saem às quintas a noite. Sinceramente eu nunca sei pra onde elas vão, mas também eu nunca perguntei. As vezes eu gostaria de ir com elas e ver que programa fazem, mas eu também não gostaria de estragar algo que é delas, elas nunca me chamam. Então eu deixo isso pra lá e foco no que estou fazendo agora. Estou lendo um livro pro trabalho da faculdade, mas não sei se vou durar muito lendo não, está muito calor. 

Um calor do inferno.

Tá confesso, eu não sei como é lá em baixo pra pensar desse jeito, é só o modo dizer, e também tem um pouquinho da mágica de figura de linguagem. Hipérbole no caso. Sim eu amo português. Nesse calor eu não sei se aguento, EU ODEIO O VERÃO, odeio tudo que tem haver com a palavra quente.

 Eu moro em frente a praia, a minha casa não é grande coisa mais tem três andares, então sim a minha casa é muito grande. Geralmente eu pego um lençol e vou a praia, fico lá pensando na vida, lendo ou conversando com umas das minhas amigas que chamo. Quando eu não vou a praia eu fico aqui mesmo no meu terraço, e lá ninguém me incomoda. Eu gosto de ir quando está calor, então, pois é, estou indo pra lá agora mesmo, preciso terminar esse livro hoje e acabar com essa chatisse de trabalho. Com o livro já na mão, pego um lençol no meu armário e um travesseiro, para apoiar minhas Costas. Saindo do meu quarto vou direto pra sala,  e lá vejo meu tio escrevendo, ele parece concentrado naquilo que está fazendo, e como eu gosto de perturbar ele, vou chegando de fininho e finjo está lendo o que ele está escrevendo. Ele se assusta quando me ver e logo esconde o papel. Eu diria que está até preocupado.

— o que você está escondendo aí tio? — pergunto fazendo biquinho. Quando ele olha meu biquinho, começa a sorrir. Meu tio é tão bonito.

— isso não é da sua conta Hope, o que você está fazendo aqui? — e ele como sempre sendo direto. Ele fala o que pensa e o que acha certo, então se ele não gostar ele vai falar.

— tio, para de mudar de assunto, é uma carta de amor? —  insisto. Será que ele deve está apaixonado? Nunca vi meu tio antes com alguém que gostasse porque ele é muito cauteloso nisso. Sinceramente não sei porque ele se esconde. Já ouvi falar que ele estava com uma mulher, mas eu nunca vi — você está apaixonado né, só quero que saiba que eu apoio e que eu desejo conhecê-la — pisco pra ele e começo a sorrir. Meu tio é bonito com seus cabelos castanhos claro, nariz empinado, seus olhos é com certeza  de matar, é um castanho claro e acho o mais lindo que eu já vi. O que eu mais gosto em meu tio é com certeza, seus olhos, são tão lindos. Queria ter puxado os seus olhos. O meu é tão sem graça, preto.

— por que você não vai fazer o que estava fazendo? minha querida isso não é pra você, vá se divertir um pouco ainda é cedo — terminando de falar, se levantou da cadeira, beijou minha testa e saiu. Esse meu tio é demais. Mas eu ainda vou descobrir o que ela está escondendo de mim.

O que eu posso fazer é voltar ao meu caminho para o terraço. Quando eu subo as escadas ouço a voz da minha irmã, não entendo direito, quanto mais me aproximo vai ficando mais alto.

— mãe, você precisa viver um pouco, você nunca quer ir voando — escuto Milena falar pra minha mãe. Voando sério? O que essa doida está falando pra mamãe. Ela está falando tão baixo que não dá pra ouvir direito, com certeza eu estou ouvindo perfeitamente, com esse meu ouvido que ouve sem por cento. Estou lendo muita ficção que to ouvindo minha irmã falar “voando”. Isso me faz  rir. É cada coisa que a gente escuta. Pensei que elas já tinham saído.

— você está louca e não tem cuidado nenhum, sabe que não podem saber da gente — agora era a voz da minha mãe. Tá, agora essa conversa está ficando estranha.

BONES WIZARDSWhere stories live. Discover now