Capítulo Quarenta e Três

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Sem ter uma razão lógica para impedir Elisa de subir para seu apartamento, Fernando a deixou ir na frente. Se ela sentisse alguma tontura e desmaiasse, conseguiria segurá-la – anos batendo massas à mão o deixaram bem mais forte do que aparentava.

O andar de cima, que ele costumava chamar de "apartamento", era um tanto diferente do andar da irmã. Ao escolherem onde cada um moraria, Elisa optou por não precisar de escadas sempre que tivesse que sair de casa de madrugada por causa de algum cliente com o carro batido pedindo socorro e, principalmente, devido às noites em que voltava um tanto alta.

Já Fernando quis o segundo andar devido ao tamanho da cozinha, que, depois de uma rápida reforma, ocupava praticamente um terço de todo o lugar.

E o fato do apartamento de cima ser maior, graças às metragens das duas varandas, também não prejudicou a escolha dele.

Assim que entraram no "lar doce lar" de Fernando, Elisa olhou em volta da cozinha limpa e organizada e deu um longo suspiro.

Para ela, ter um irmão de quase vinte e quatro anos era a sua experiência de como criar um filho. Por que precisaria de outro se acompanhou Fernando crescer, aguentou seu choro pelas madrugadas, aconselhou-o sobre tudo o que envolvia drogas, bebidas e sexo, pagou sua faculdade e o ajudou a ter seu primeiro carro, casa e aquela cozinha equipada com tudo o que ele precisaria profissionalmente?

Elisa já tinha ajudado a criar uma criança e se sentia bem orgulhosa de como o havia feito.

Fernando tinha sonhos e corria atrás deles. Dona Nonô e ela o apoiavam. E era por isso que a irmã orgulhosa não entendia porque precisaria passar por todo o processo de gravidez e de criar outra criança, quando a criança que ela cuidara já estava pronta para alçar voos sozinha.

Para sua imensa satisfação, Elisa era um quebra galho na vida de Fernando, uma irmã mais velha cujo papel lhe servia como uma luva. Não queria substituir o posto de sua própria mãe, muito menos criar um posto novo, que até horas atrás não existia.

Que diabos vou fazer?, perguntou a si mesma. Não quero ter que virar responsável, cruzes...

– Que froga você está fazendo agora? – Ela olhou para Fernando, que estava agarrado no smartphone dele, angustiado.

– Estou pesquisando os ingredientes que posso usar na sopa.

Ela franziu a testa.

– Você nunca precisou pesquisar nada para fazer uma simples sopa, Fernando.

– É que preciso confirmar que nenhum dos ingredientes que vou pôr prejudicará o nosso bebê.

Nosso bebê. Que vontade Elisa teve de dar uns tapas nele.

– Não tem nada de "nosso" na situação em que me encontro. Além disso, gravidez não é doença, Fernando. E depois de todas as portarias de chás que a Luana me fez tomar, uma sopa vai ser o de menos. – Elisa parou ao perceber o que havia acabado de dizer. – Mas que froga! Mas que FROGA!

Fernando se virou para Elisa. A agitação dela até o fez esquecer o interesse de ouvir um nome que sempre o deixava ansioso.

– O que foi? O que aconteceu? Você está sentindo algo?

– Raiva, Fernando. Eu estou sentindo raiva! – Elisa queria quebrar algo. Ou, para ser mais exata, queria esganar alguém. – A Luana e suas mandingas me embucharam. Ela me entupiu de chás para melhorar da gripe e tirar a Dona Zica do caminho da minha vida sexual, mas e se esses troços destravaram o caminho até os meus ovários? E se foi por isso que agora eu estou assim?

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now