Capítulo 37 - Caminho de Casa

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- Hay! O que houve? - Christopher veio até mim, apoiando meu corpo com o seu. - Está agitada demais, as mulheres alertaram que não deveria...

- Não vamos falar sobre isso agora, não temos tempo. - o interrompi - Sei que ainda estou fraca, mas vou ficar bem. - ele se calou contrariado e concordou - Vamos!

Com dificuldade me ergui e segurando sua mão fui em direção aos outros. No salão principal todos já estavam reunidos com suas coisas, organizando-se, amarrando suas armas nas cinturas. Ollin já havia reunido alguns guardas, ele sinalizou que saíssemos e foi o que fizemos. Já próximos a cachoeira de águas quentes, Hal se personificou sem avisos bem diante de nós. Por pouco não esbarrei nele.

- Está com a coroa? - perguntou.

- Olá para você também. - respirei fundo - Estou, mas não faça isso de novo.

- Ótimo! - ele ignorou a segunda parte. - Preste atenção, Hailey. Você tem em mãos um objeto muito valioso. Proteja esta coroa de qualquer forma, não deixe que ninguém a pegue. Todo o nosso mundo pode ser afetado se algo der errado. Ela será de grande ajuda futuramente. - pediu e não vi outra escolha a não ser assentir. Novamente eu estava assumindo grandes responsabilidade sem chance de dizer não.

- Certo, vou protege-la. Agora precisamos partir. - todos desviaram de nós e seguiram para mais próximo da beira da água. - Obrigada por tudo. - agradeci porque era o certo. - Minhas amigas só estão bem por sua causa.

Ele dispensou o pedido com um gesto.

- Apenas lembre-se de que há coisas a serem feitas quanto a situação delas. Eu só fiz o que deveria e ajudei parcialmente. Agora vá e tome muito cuidado, não só com a coroa ou com seus amigos, mas com si própria também. Você tem uma mania feia de esquecer essa parte.

A barca parou rente à margem e Ollin nos chamou. Meus amigos entraram apressados, tive tempo de sorrir para o deus antes de ir em frente. Logo a barca avançou pelas águas com leveza. Hal ficou observando nossa partida do mesmo lugar e só desapareceu quando estávamos próximo a queda d'água que agora não era mais uma queda e sim uma subida. Me perguntava o que faríamos a partir dali, se um portal abriria ou algo do tipo quando a resposta veio. Não me questione como, eu apenas sei que a barca começou a subir a cachoeira, como um carro em uma colina.

- Isso é impossível. - Giovanna murmurou agarrando-se nas laterais da barca para se proteger.

- Essa palavra parou de fazer sentido para mim. - respondi entre os dentes. A subida fazia nossos corpos serem puxados para baixo, mas esses eram amparados pelas laterais da barca. Isso infelizmente não impedia minha sensação de enjoo. - Deveria ter visto a queda, foi tão bizarro quanto. - continuei, tentando focar em algo que não me deixasse em pânico.

- Segurem-se bem, não esqueçam das águas quentes. Cair não vai ser uma boa ideia. - Benjamin pediu.

- Obrigada, Benjamin. Meu nervosismo diminuiu com sua declaração. - falei.

Com a confusão estampada nos rostos das meninas, Christopher decidiu explicar toda a história. Tinha esquecido de que elas estavam desacordadas quando fizeram aquele caminho.

Quando finalmente alcançamos o fim da subida, a barca estabilizou e me senti melhor. Isso durou até atracarmos na margem do córrego. Nesse momento senti o medo me tomar novamente. Será que coisas ruins estavam prestes a acontecer em Chidiyon? Isso me deixava uma pilha de nervos. Ollin correu para fora com seus homens e o seguimos. Não demorou para atravessarmos o túnel, que inclusive estava livre daquela armadilha homicida. Nem mesmo para que ele abrisse as portas da cachoeira, a mesma que usamos para entrar em Eldorado. Ollin também parecia nervoso com tudo aquilo, o que não significava uma boa coisa. As meninas que não viram nada anteriormente estavam em êxtase, surpresas demais com tanta magia. No entanto não era hora para explicações, por isso corremos para fora.

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!