Chefe da Segurança.

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Dave Griffin

Depois de passar alguns anos sem ver o cara que diz ser meu pai, resolvi mandar uma carta. A resposta nunca chegou. Pensei se havia sido o correto a se fazer, visto que nunca me deu sequer um pingo de atenção.
Não cresci ao lado dele, mas tenho seu nome na minha certidão de nascimento. Há alguns anos perdi minha mãe e o vazio que me preenchia fez com que eu falasse com alguns contatos importantes e para minha extrema surpresa descobri a presença de uma outra pessoa que seria supostamente membro de minha família. Uma irmã.
Portadora de um pai desconhecido e crescida em um centro de recuperação para infratores conheci Clara. Uma doce menina que na época tinha apenas 10 anos. Isto me encantou. Sua doçura, seus olhos castanhos e o cabelo loiro escuro como o meu. Estava certo de minha teoria. Ela é minha irmã.
Tirei a menina daquele inferno e trouxe para meu lado. Desde então ela é minha companheira para todas as horas.
Sei que na carta que recebi na semana passada chamando-me para trabalhar como segurança naquele manicômio onde meu pai trabalha apenas incluía meu nome, mas bem... Levarei minha irmã para onde eu for.
Andar de barco sempre foi algo que me trouxe paz, mesmo após tanto tempo de viagem. Dei um beijo na testa de Clara quando nos aproximamos da ilha. Ela sente-se muito mal dentro do barco. Vomitou algumas vezes durante os poucos dias de viagem.
É um lugar lindamente sinistro. A enorme construção chama atenção meio a densa vegetação. É como um castelo das histórias de terror mais sinistras. Um lugar que causa repudio a qualquer um que se aproxime, e... De onde eu fui tirar a ideia de aceitar trabalhar aqui?!
Nos aproximamos o suficiente o barquinho nos leva até a praia. Uma praia linda, de areia branca e agua cristalina. Como pode existir um paraíso dentro do próprio inferno?
Minha irmã, agora com 14 anos adorou o fato de termos chegado em terra firme. Adorou a praia e sua água. Ao menos isso ela vai ter para se distrair. Seu cabelo pintado de azul nas pontas parecia ainda mais claro. Minha irmãzinha é linda.
Sigo com ela rumo ao lugar que o piloto do barco nos levou. Entramos pelas grandes entradas do lugar. Tudo parece luxuoso. Uma outra visão do lugar, sem dúvidas. Adentramos pela entrada de visitantes, tudo é claro e iluminado. Clara, assim como eu, fica boquiaberta. É realmente lindo.
A porta que entramos estava escrito "Diretor". Batemos na porta e aguardamos ser chamados, algo que logo acontece. Adentramos na bela sala.
— Dave Griffin. — diz o homem, que logo bate o olhar na minha irmã, estranhando sua presença. — E essa, quem é?
— Ela é minha irmã. Eu cuido dela desde que seus pais adotivos morreram. — A história não é bem assim, mas é o suficiente que ele precisa saber.
— Não me lembro de ter permitido acompanhantes. Qual a idade dela? — Chego a suar frio, mas antes que eu responda, ela se coloca.
— Tenho 14 anos. — Ele dá um risinho e olha para ela como se tratasse de um bebê de colo. Coro de ciúmes.
— Isso aqui não é lugar para crianças. Só pessoas fortes suportam esse lugar. — Tudo bem que é um manicômio, mas... Não parece tão ruim.
— Não sou criança. — Ela responde afiada, mas resolvo cortar a conversa imediatamente.
— Sem mim, ela não teria onde ficar na cidade. — Digo quase em tom apelativo. Ele precisa a deixar ficar.
O homem de rosto deformado a minha frente solta um pouco de ar pela boca, bufando.
— Tá certo, tá certo... — Diz ele maneando com a mão. — A menina pode ficar. Só espero que não atrapalhe o cotidiano, ok?
Ela concorda com a cabeça e eu fico bem mais aliviado.
— Certo. — Diz ele. — Você será o nosso novo segurança. Também chamamos essa função de apoio. Você será a lei aqui dentro.
Possivelmente Erick contou para ele sobre meu trabalho na polícia.
— Seria um prazer.
Ele mal escuta minhas palavras baixas e segue falando em um tom monótono.
— Quando necessário você usará de força física e psicológica para conter os pacientes mais complicados. Entendido? Você não poderá fazer uso de armas de fogo, porém armas brancas estão permitidas. Caso sinta-se em risco de vida, use-as como preferir.
Mantenho-me ouvindo durante toda a explicação de meu cargo. São poucos detalhes mas o suficiente para que eu ja consiga trabalhar. Eu não seria um segurança, mas o chefe dos que ai da virão, visto que por hora sou o único.
Assim que ele termina os pontos que achou interessantes de falar, sou guiado por ele em um 'tour' pelo lugar. A faxada de visitantes é linda, porém extremamente diferente do interior. Fede a mijo e a merda. Tem gente gritando por socorro e esmurrando as portas. Outros eram mais enfáticos e ameaçavam o chefe a todo custo, gritando seu nome e cuspindo em nossa direção. Ele, por sua vez desfilava entre as celas sem se importar com nenhuma das palavras.
Minha irmã sim parecia se importar e ficou extremamente assustada com tudo, porem tentou se fazer de durona. Despedimo-nos do Saether e ao entrarmos no nosso alojamento de apenas uma cama de solteiro, Clara desaba em meu colo. Chorando apavorada mais do que conseguia respirar, gerando suspiros altos.
— Hey, calma maninha! — Abraço ela em tom de cumplicidade. — Eu prometo que vai ser por pouco tempo.
Seria apenas o tempo de conseguir o dinheiro que preciso para comprar nossa casa. Pela grana que vou receber por aqui não vai demorar nada.
Ficamos juntos o resto da noite abraçados. Clara já não soluçava mais, mas chorava em silêncio. Lá para as tantas da noite, batem em nossa porta. Eu, assustado vou abrir, mas acabo deparando-me com algo surpreendente.

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