Trato de Casamento

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No dia seguinte após o almoço, eu e o Shinkerd, partimos em direção à mansão Freinderion, que se localizava próxima aos confins do reino, provavelmente aquela era só uma mansão de verão.

Ao chegar nela, somos recepcionados por um mordomo, que se encontrava na frente das grandes portas douradas, ele nos guia por longos corredores banhados em ouro, com quadros de paisagens locais, dependurados estrategicamente em suas paredes.

Somos deixados em um sala que continha quatro poltronas vermelhas, com duas janelas e uma lareira, e logo acima da lareira havia um enfeite de duas espadas cruzadas cobertas por um escudo, tendo em todas as paredes menos nada lareira, prateleiras repletas de livros, dos mais variados tipos.

Permanecemos em silencio por alguns segundos, até que a porta da sala fosse novamente aberta, e por ela um homem alto trajando roupas de alta qualidade, sendo um terno acinzentado, e uma calça de mesma cor. E atrás dele a Skardeni, veio em seguida, trajando um belo e formoso vestido vermelho, que remetia ao desabrochar de rosas.

Ambos se locomovem até os dois lugares vagos da sala, com passos firmes e olhares frios, quando eles se sentam o homem chama um criado e fala algo em seu ouvido, ele sai de imediato e tranca a porta, com frios estalos.

- Bom... Vocês devem saber o motivo de nos encontrarmos aqui hoje certo? – O homem falou com uma voz fria, que gelava até a minha espinha. – Esse homem profanou os lábios de minha filha, e agora devera assumir a responsabilidade de tal ato!

- Senhor Freinderion... – Shinkerd assume a palavra. – Eu entendo que para nós o primeiro beijo é algo sagrado, tendo que ser feito apenas no dia do casamento, mas o Sarvim não teve culpa quanto ao infeliz acidente, e concordo que devemos pensar em algo para resolvermos sem necessitar o derramamento de sangue alheio.

- Eu posso cumprir com qualquer coisa que deseje senhor, e realmente adoraria resolver o quanto antes esse assunto, pois deverei me ausentar, para partir em uma nova jornada... – Falo com certo nervosismo.

- Aonde planeja ir senhor Sarvim?

- Partirei para o labirinto de Harghedital, lá enfrentarei tudo que se encontrar em meu caminho, até chegar ao seu centro...

- Fará isso para aumentar ainda mais a sua fama? De qualquer forma eu não me importo, Sarvim você deve se casar com minha filha, para pagar as suas dividas.

- Posso até me casar com ela, mas você terá que aguardar o meu retorno.

- Pode ser uma boa forma de divulgar sobre o casamento, durante a celebração pela morte do demônio... Certo Sarvim, estou de acordo com os termos propostos. – Ele estende o braço para apertar a minha mão, para fechar o contrato.

- Nightmare! – A Skardeni berra, e todos olham para ela assustados. – Eu irei com você em sua jornada!

- Não! – Respondo a ela em tom seco. – Não levarei um peso morto, para deixar para os corvos! – Falo friamente.

- Mas... Eu tenho que me garantir que você volte para o nosso casamento... – Ela ignora totalmente o que eu falei.

- Eu prefiro que você me aguarde viva em segurança, do que com o risco de perder a vida durante alguma batalha, ou nos atrapalhar.

- Certo... – Ela aceita e abaixa a cabeça.

- O-o senhor é o Nightmare?! – O velho homem fala assustado. – Eu devo tudo ao senhor! É uma honra lhe entregar a minha filha! – Ele se curva diante a mim, e ignora toda a conversa que tivemos até então.

- Certo... – Falo desconfortável. – Shinkerd, acho que está na hora de partimos...

- Realmente, se está tudo resolvido deveríamos partir imediatamente, para que você retorno o mais rápido possível para o casamento, de acordo? – Todos acenamos, e com um bater de palmas a porta é destrancada, e somos acompanhados pela Skardeni até a saída.

- Tenho uma boa viajem então... – Ela falava sem jeito e com o rosto completamente corado. – Querido...

- Estamos indo. – Falo friamente dando as costas para ela, e indo juntamente do Shinkerd, para a carruagem, que logo após segue novamente para "casa".

Mais tarde no mesmo dia eu, Luna, Wilenei, Charmli e Shinkerd, nos encontramos na saída da mansão. Olhando para o horizonte e vendo o longo caminho que eu teria que seguir junto de minhas companheiras, cheio de perigos e desafios; me despeço junto a Luna e Wilenei, da Charmli e do Shinkerd, agradecendo a hospitalidade que recebemos nos últimos dias que se passaram, mesmo não tendo ficado o tempo do combinado.

Então partimos rumo ao desconhecido, o lugar que todos temiam, por causa das criaturas que habitavam a área, como desejávamos chegar rapidamente ao aglomerado de montanhas em Harnashi, partimos em cavalgadas aceleradas.

Não poderíamos demorar muito durante essa jornada, o plano era de completa-la em torno de uma semana, para quando voltássemos vitoriosos pudéssemos viver em paz com todos da nação.

Esse era o meu desejo, mas eu sabia que a minha busca pela verdade não terminaria naquele terrível labirinto...

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