Capítulo Treze

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Castiel Almeida

Saio pela porta dos fundos sem olhar para trás, e só consigo ver a cena de Adrian beijando aquela jararaca se repetindo várias vezes na minha cabeça.

- E ainda diz que gosta de mim... vagabundo, sem vergonha! - Falo comigo mesmo, sentindo uma raiva enorme tomar conta de mim.

Por que merda eu me importo tanto com aquele ogro? Ver aquele beijo não deveria me incomodar, mas incomodou  muito..., mas quer saber? Isso foi bom para que eu visse que ele é igualzinho a todos. Com certeza queria só me usar e depois me descartar, exatamente como o filho de uma puta do Alan fez.

Paro de andar e fecho meus olhos, tomando uma respiração profunda em seguida. Não vou me abalar por causa de alguém como Adrian, tenho prioridades muito maiores em minha vida, e uma delas é meu filho.

Deixo todos os pensamentos que envolvem Adrian de lado, e sigo até a casa da minha avó.

Assim que entro em casa, vejo Evan sentado no tapete, brincando com seus bichinhos de pelúcia.

Deixo a mamadeira em cima do balcão  que separa a cozinha da sala, e vou até meu filho, me sentando ao seu lado. Evan me nota, e logo sobe em meu colo, com uma vaquinha de pelúcia em suas mãos pequenas.

- Mu mu! - Ele imita o som, querendo dizer que animal se trata.

- Mu mu é vaquinha que faz amor? - Pergunto olhando para ele, que apenas sorri para mim, e deita sua cabeça em meu peito.

Abraço meu filho e tento aliviar todos os sentimentos que estão dentro de mim. Parece que estou vivendo no meio de um furacão, e eu só queria a calmaria que eu vivia antes de vir para cá.

Eu tinha realmente decidido não me envolver com ninguém, não depois do que sofri com Alan. Depois daquela grande decepção minha prioridade sempre foi meu filho. E agora aparece esse homem em minha vida, bagunçando todas as minhas barreiras. E o pior de tudo, é que eu sinto algo... Não sei o que, mas sinto.

Escuto um estalar de dedos ao meu lado, e isso me tira dos meus pensamentos, me fazendo acordar. Olho para o lado e vejo minha avó me olhando atentamente.

- Por quê está tão pensativo? - Ela pergunta e se senta no sofá, ficando em um nível um pouco mais elevado que eu.

- Pensando na bagunça da minha vida. - Falo e deixo Evan sair do meu colo, para ir até seus outros brinquedos.

- Então ajeita tudo meu amor... isso não é difícil. - Ela fala, me olhando, mas eu rapidamente desvio meu olhar.

- É sim vó, mais do que a senhora imagina! - Falo e me levanto do chão. - Pode olhar ele para eu tomar banho? - Pergunto olhando rapidamente para ela.

- Claro! - Ela responde, e eu deixo eles para trás após sua confirmação.

Sigo a passos lentos até meu quarto, e pego uma troca de roupa para levar comigo para o banheiro.

Assim que entro debaixo da água gelado do chuveiro, deixo as primeiras lágrimas cair por meu rosto. Choro por tudo o que vivi nos últimos anos, choro pelas decepções, choro pelo abandono que sofri das pessoas que deveriam me apoiar... e choro por não saber o que eu estou sentindo nesse momento. Há uma  confusão de sentimentos dentro de mim, e isso me deixa completamente confuso... o que eu odeio estar.

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Adrian D'Ávila

Pego mais uma dose de conhaque e bebo de uma vez, sentindo o líquido descer queimando por minha garganta. Olho para o porta-retrato em minha mão, contendo a foto de Carolina, e me sinto um lixo de pessoa.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora