What used to be

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LOUIS POV

Segunda, 15 de de julho as 19:30.

Ir apressadamente até o carro e manter minha cabeça abaixada, nem sempre é tão fácil. Até quando você pensa que ninguém está olhando para você, alguém está. Fãs, fotógrafos, pessoas no geral veem tudo. Sempre me deixa maravilhado como os fãs veem atráves dos disfarces mais inteligentes. Eles nunca foram enganados, mesmo que nós tentássemos tanto.

Olhando ao redor rapidamente, eu não vejo ninguém que poderia me pegar mas isso não aquieta a minha preocupação. Eu vou até o meu carro e me tranco nele antes de sair de minha garajem pela última vez. Eu não quero relembrar de tudo que estou deixando para trás pois sei que acabarei cedendo. Mas eu não quero ceder dessa vez. Eu estou cansado de ceder e de me entregar. Me conformar com aquela imagem perfeita estúpida que eles esperam de mim. Aquele não sou eu. Nunca foi e nunca será.

As ruas estão engarrafadas mas não é díficil passar. Só leva um tempinho a mais do que eu gostaria. Eu odeio tempo. Ele me faz pensar, e pensar me machuca.

É engraçado como todo mundo me vê como um cara divertido, amoroso e extrovertido. Talvez eu seja esse cara, mas ele está escondido debaixo de uma cama de mentiras e enganos.

Eles todos me veem como o cara que mantém todos juntos com piadas e risadas. Sim, eu me coloco nessa fachada mas isso é tudo. É tudo mentira e para a nossa imagem. Eu não tenho me sentido feliz pelos últimos dois anos, para ser exato. Tudo morreu no dia em que eles tiraram tudo de mim. Aquele também foi o dia em que eles me deram essa vida falsa de merda que nunca pedi. Mas eu acho que eles não se importaram de ver por esse lado.

Eu finalmente chego em meu destino e levanto os olhos para ver o hotel. Nada muito grande mas também não um cubículo. Suspirando, eu pego minha bolsa e saio do carro, tiro os cabelos dos meus olhos e entro. Uma garota de aparência entendiada olha para mim sem me reconhecer. "Quarto para 1?" Ela pergunta e eu assinto em resposta.

"Por quanto tempo?" Ela digita algo em seu computador dando uma segunda olhada para mim.

"Só uma noite, por favor." É tudo que preciso, mas ela não parece notar nada. Ela me perguntas informações básicas antes de eu pagá-la em dinheiro e ela me estender a chave.

"Seu quarto é no segundo andar, tenha uma boa noite." Com isso, ela vai arrumar seus papéis enquanto eu ando até o elevador.

Eu estou quase com medo dessa coisa não funcionar e de morrer de asfixia nesse pequeno elevador feito de mofo. Isso quase me faz rir pela irônia mas sai mais como um soluço estrangulado. O elevador finalmente para e eu saio, indo até o quarto.

O quarto é mal iluminado, frio e pequeno. É perfeito e me faz sorrir um pouco. Eu penduro a placa "não perturbe" na maçaneta e fecho a porta, tendo certeza de que todas as trancas estão no lugar. Eu ando um pouco mais e sento na cama de casal, olhando em volta. Um bolo se forma em minha garganta como eu sabia que formaria quando olhasse o quarto. Parece exatamente o quarto que ficamos por um tempo, há dois anos atrás. A mesma cor nas paredes, mesmo móveis, até a mesma colcha onde estou sentado agora.

Pode parecer maluco mas eu consigo ouvir os ecos de nossas risadas entrelaçadas, assim como nossos corpos. Nossos pensamentos doces e brincadeiras divertidas. Até os nossos beijos leves viraram beijos apaixonados ali.

"Lou, volte para cama." Ele sussurrou para mim enquanto eu andava com uma bolsa cheia do seu café da manhã favorito.

"Não, dorminhoco! É hora de comer, levante agora!" Eu ri e coloquei as coisas na mesa antes de virar para olhá-lo. Ele nunca se sentiu pequeno por eu me maravilhar com o quão lindo é. Todo mundo sempre se apaixonou pela bagunça dos cachos em sua cabeça e olhos verdes brilhantes. Alguns se apaixonaram por aquele sorrisinho permanente em seus lábios, mas eu não. Não, eu me apaixonei pelo nariz dele. Aquele narizinho estúpido e adorável. Me faz rir o quão estúpido isso soa agora mas toda vez que eu podia, plantava um beijinho leve na ponta de seu nariz. Ele podia até enrugar o nariz e me afastar com uma risada mas eu nunca parava.

"Mas eu consigo pensar em coisas muito melhores do que comer." Ele diz com aquele sorriso perspicaz.

"Bem, se você quer ter energia para continuar aquilo então, você vai me deixar comer!" Eu rio levemente e ele revira os olhos e suspira.

"Certo!" Ele ri abafado e levanta da cama. "Mas eu não vou me vestir."

"Eu não quero que você se vista." Eu sorrio e ponho um prato de comida para cada um de nós. Ele silenciosamente se arrasta até ficar atrás de mim, colocando as mãos em minha cintura e seu queixo em meu ombro.

"Nós podemos ficar assim para sempre, Lou?" Ele sussurra em minha orelha, me fazendo olhar para ele.

"Como assim?" Eu pergunto enquanto tento não me distrair com seus dedos fazendo círculos leves em meu estômago e cintura.

"Isso. Nós." Ele sorri levemente. "Eu nunca quero que isso acabe. O que nós temos, é algo que jamais quero perder...Eu amo você demais para isso acontecer."

Meu coração se derrete todas as vezes que ele fala coisas assim e é sempre como a primeira vez. Eu assinto e me inclino para deixar um beijo leve ,mas amoroso, em seus lábios.

"Eu te amo também...E isso nunca será perdido."

Se eu ao menos soubesse o quão vazia era aquela promessa.

Não para mim, mas para ele.

~*~

Eu deixo o quarto ficar um pouco mais frio enquanto a noite pesa e finalmente afasto as memórias.

Toda vez que deixo minha mente voltar á aqueles momentos, eu acabo sentindo um buraco maior ainda em meu coração. Bordas pretas nele e ele tomando um espaço ainda maior.

Eu levanto e pego minha bolsa, a abrindo e espalhando as coisas que estavam dentro dela na cama. Eu rapidamente mudo as roupas para as que trouxe, que eram emprestadas e um pouquinho grandes. Mas cheiram como ele e isso era o que eu precisava agora. Ele comigo, mesmo que seja só uma pequena parte.

Eu jogo a bolsa e as roupas sujas no chão e sento novamente na cama. O albúm de fotos está perto de mim, então eu o pego e o abro na primeira página sem conseguir evitar um sorriso. As fotos estão bagunçadas e são uma coleção de fotos da família com a minha mãe e minhas irmãs. As pessoas mais importantes na minha vida. Nunca teve um dia, depois que fui colocado na banda, que não faço contato com elas de algum jeito. Mesmo que seja só uma simples mensagem ou uma ligação, eu sempre faço contato. Eu nunca quero que minha família esqueça a importância na minha vida. Como o irmão mais velho, elas todas seguem meu exemplo. Não é sempre fácil e eu falho as vezes mas, tento ser o melhor exemplo possível.

Meu dedos traçam levemente os rostos de minhas irmãs, sorrindo para cada uma e silenciosamente mandando meu amor. E por último, olho para a minha mãe e lembro de tudo que ela fez por mim. Tudo que ela tentou fazer por mim. Ela lutou tanto por mim, por nós. Meu amor por ela cresceu ainda mais naquele momento mesmo que no final de tudo, não significasse nada. Ela tem o meu maior respeito não só como a mulher que me trouxe ao mundo mas como a guerreira que nunca parou.

Deus, eu vou sentir tanta falta delas.

~*~

[N/A]: Sou uma pessoa tão boazinha que já to aqui com outro capítulo, olha isso! Me amem.

Enfim, eu já queria agradecer por vocês serem os melhores e por já terem me dado VÁRIOS comentários e votos no PRIMEIRO capítulo ainda. Isso é muito bom, gente! Ainda mais por que essa fanfic é muito maior que yptoid e isso me deixa mais animada a traduzir. Continuem assim.

Só não prometo att diária, até por que é sempre bom deixar um suspense no ar HEHE (e por que eu não tenho tanto tempo disponível).

Amo vocês POR DEMAIS, MELHORES LEITORES <3

Até a próxima!

Thai. xx

27 Minutes (l.s)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora