Prólogo

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Era uma vez... E assim começa a história de pai para filho, de avó para neta. Os contadores de histórias passam suas memórias com a mais sincera certeza de que são a verdade e, desse modo, as gerações conhecem as histórias, os contos, os enlaces de amor, as paixões, as vinganças, as tragédias e, por que não dizer os contos de fadas? Aquelas histórias tão mágicas e indeléveis que ficam nos corações de crianças, jovens e velhos por décadas, séculos, milênios. Quem poria em dúvida que uma jovem perdeu seu sapatinho de cristal e seu príncipe a encontrou através do tal sapatinho? Quem lutaria contra uma jovem branca e bela que comeu uma maçã envenenada, morreu e reviveu através do beijo do amor verdadeiro? A magia e o encantamento são ingredientes da verdade de corações crédulos, daqueles que acreditam no poder do amor verdadeiro e na existência de finais felizes.

Então, querido leitor, o que passo a lhe contar nas próximas páginas, trata-se de uma dessas histórias mágicas, que ecoam nos corações dos apaixonados e tomam a imaginação dos que têm fé. Perdoe a minha memória, pois já se passaram pesados anos e, provavelmente, posso ter alterado um detalhe ou outro, como a cor do vestido da bela moça, que talvez fosse azul e eu o descrevi como verde, ou, ainda, o moço tinha olhos azuis e eu os relatei negros como a noite, mas não perca seu ânimo. Tenha a certeza de que a essência da história é pura e verdadeira, assim como os anos que somam minha idade. Vamos começar!

Tudo começou com o cheiro de rosas e um festival de cores aos olhos da pequena Cecília. Ela não se cansava de estar ali, no meio daquele roseiral imenso, uma profusão de rosas de todas as cores possíveis, embora as que mais a encantassem fossem as vermelhas. Tinham uma cor tão viva e tão atraente, que a pequena Cecília não resistia e sempre que se via longe das vistas da mãe, pegava uma pétala e a colocava no bolso do avental. Aquelas pétalas secavam em poucos dias e depois a pequena as guardava em uma caixa de sapato que ficava embaixo de sua cama. As pétalas vermelhas eram seu tesouro, a magia das rosas vermelhas que só a Mansão das Rosas produzia.

Sua mãe, Augusta, trabalhava no roseiral da Mansão e, aos sábados, sempre cedia aos pedidos de Cecília para levá-la ao campo. É verdade que Cecília pouco ajudava na colheita das rosas, já que gostava mesmo era de dançar por entre as fileiras de flores, cantando cantigas de roda, mas Augusta gostava da presença da filha e cedia aos pedidos irresistíveis que só uma criança consegue fazer.

Certa manhã de sábado Cecília percebeu que a casa estava agitada além do normal. Sua mãe fazia o café da manhã com pressa, e seu pai, Mauro, também andava agitado, como se fizesse mil tarefas, sem, entretanto, fazer nada de concreto.

— Bom dia.

— Bom dia, querida. Sente-se e tome seu leite. O bolo está quentinho.

Mauro afagou os cabelos da menina, bagunçando-os e, em um só gole, tomou o resto do café.

— Augusta, tenho que ir. O patrão pediu para que eu supervisionasse a chegada de umas coisas lá da cidade.

— Vá, querido. Chegarei em breve.

Cecília viu o pai sair apressado e voltou o olhar suplicante para a mãe.

— Posso ir hoje, mamãe?

— Não, querida. Hoje, não.

— Mas, por quê? — indagou com sua voz manhosa.

— Hoje é dia de festa na Mansão, então, eu e seu pai teremos muito trabalho. Tudo está bem agitado por lá e não poderia ficar de olho em você.

— Mas eu me comporto.

— Cecília, já disse que não.

A menina abaixou os olhos e tomou um gole do leite quente. Não entendia o motivo de os adultos sempre quererem afastar as crianças dos momentos importantes, pois, dada a correria dos pais, com certeza, era algo muito importante o que aconteceria na Mansão das Rosas naquele dia.

Quando a música morreu (DEGUSTAÇÃO)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora