Segui para a terceira mala, onde havia mais roupas e acessórios. Terminei de guardar o restante das coisas, me levantei e fui ao banheiro, sentei em frente ao espelho, fiquei olhando meu reflexo, passei a mão pelo rosto, peguei uma escova e comecei a escovar os cabelos, passava a escova lentamente e sem querer, passei onde estava machucado, fiz uma cara de dor, coloque a mão no local e pressionei um pouco e senti o galo, apertei e doeu. Fechei os olhos, como vou aguentar isso? ser machucada desse jeito.

Continuei passando a escova nos fios dourados, meus cabelos estavam bem compridos, eu mesmo as vezes cortava as pontas. Lembrei imediatamente do que Enrico falou: "Nunca corte seus cabelos, eu gosto deles compridos." Aquela lembrança me fez ter vontade de corta-los, eu queria corta-lós curtos, tão curtos que não desse para ele os pega-lós e puxa-lós como ele faz quando me penetra por trás. Aquele pensamento me fez ter raiva, em um impulso, abri a gaveta a minha frente e procurei por uma tesoura, logo achei.

Fiquei olhando para a tesoura, será que tenho coragem? me pergunto. A pego, olho para o espelho, repouso a tesoura na bancada, junto os cabelos e os seguros com uma das mãos. Se eu os cortar, ele vai ficar zangado, provavelmente vai me bater, estuprar e todas as coisas que ele sempre faz quando eu o desobedeço.
Dei de ombros, o cabelo é meu e eu faço o que quiser.

Posiciono a tesoura rente a raiz do cabelo, se eu cortar aqui vai ficar super curto. Fecho os olhos fortes, respiro fundo
— O que está fazendo?
Me assusto com a voz dele, tiro a tesoura rapidamente do cabelo, olho para ele através do espelho com os olhos arregalados. Minha boca estava seca, minha garganta apertada, estava bastante consciente do olhar frio dele me observando através do espelho, meu coração batia descompassado.
— Estou esperando uma resposta — ricocheteou como uma bala
Dei um pulo na cadeira, meu corpo começou a tremer e falei gaguejando:
— Eu - eu -eu, só- só estava imaginando como ficariam se eu cortasse meu cabelo
— Mentira! Você estava pronta para corta-los de fato.
Uma onda de fúria me invadiu e sem pensar falei:
— É meu cabelo e eu faço o que quiser com eles.

Ele avançou para mim e me pegou nos braços, me fez levantar e me sacudindo disse:
— Você gosta de me desafiar não é, tenho certeza que estava fazendo isso somente por que lhe pedi que não o fizesse.
— Você não pediu, ordenou
— É isso mesmo, eu ordenei e quando eu ordeno alguma coisa é para que me obedeçam, mas você, gosta de invocar meus demônios, depois não aguenta com as consequências

Ele falava tudo isso me sacudindo, como uma boneca e me empurrando contra a bancada. Eu tentava me soltar do aperto dele.
— Me solta!
Ele me abraçou e me apertou em seus braços, senti que ainda estava com a tesoura na mão, ele pegou nos meus cabelos e torceu entre seus dedos puxando-os, a dor era enorme, eu gritei, ele com ódio disse:
— Seu cabelo me pertence, seu corpo me pertence, sua vida me pertence, tudo em você me pertence.
— Não!
Eu o empurrei, porém ele não saiu do lugar, seu aperto cada vez mais intenso, então sem raciocinar, levantei a mão e finquei a tesoura em seu braço. Ele arregalou os olhos me encarando fixamente, seu rosto começou a ficar vermelho, as mãos em meu cabelos afrouxaram, porém, ele ainda me segurava. Eu só chorava sem acreditar no que eu tinha feito.

Finalmente ele me soltou, olhou para o próprio braço, eu ainda estava com a tesoura na mão ensangüentada. A soltei assim que olhei para ela, eu havia feito aquilo, eu havia o machucado. Os tremores em minhas mãos eram incontroláveis, eu estava paralisada, não conseguia dar um passo. Ele se moveu, tirou o sobre tudo, dobrou a manga da camisa e o observou o ferimento, foi até a pia e lavou, o sangue escorria pela pia abaixo, eu olhava tudo aquilo como se estivesse em outro plano, como se nada daquilo fosse real. Ouvi-o falar:
— Abre aquele armário e pega a caixa de primeiros socorros
Eu olhei para a direção que ele apontava e com desespero corri até lá e peguei a maleta, fui até ele e coloquei-a perto dele, a abro, ele fica olhando para mim, eu nervosa pergunto:
— Eu posso ajudar?
Ele dá uma gargalhada cheio de sarcasmo e fala:
— Vai em frente docinho, queria me matar e agora quer me ajudar, as mulheres são realmente confusas.
— Eu não queria te matar, foi só um tentativa de defesa.
— É mesmo? Você com essa carinha de anjo já fez coisas que nem meus piores inimigos ousaram fazer, acho que você ficou pouco tempo na fortaleza.

Gelei, será que ele vai me levar para a fortaleza novamente?
— Vai logo com isso Norah, quero ver se suas habilidades de enfermeira são melhores que suas habilidades de assassina.

Sem demora, peguei gazes e pressionei contra o ferimento, por sorte o braço atingido não foi o que tem a tatuagem, caso contrário, poderia tê-la estragado. Depois que limpei o ferimento, percebi que o corte não foi tão profundo. Peguei um pomada antisséptica e passei no local, Enrico não falava nada, só ficava observando o que eu estava fazendo com seus olhos de água astuto. Passai uma atadura em volta do braço e fechei com esparadrapo. Terminei de fazer o curativo e olhei para ele.
— Muito bem!

Ele se afastou e saiu do banheiro, fiquei parada ali sem saber o que fazer. Olhei em volta e abracei-me. Ele voltou, estava sem camisa, seu peito e tórax a mostra,estava com um nó na garganta, meus olhos o seguiam observando atentamente todos os seus movimentos. Ele abaixou-se, pegou a tesoura que estava no chão e jogou na lixeira, depois olhou para minha direção, aproximou-se de mim, minhas pernas estavam plantadas no chão, não conseguiria me movimentar nem se eu quisesse. Ele chegou perto de mim, estendeu as mãos e deslizou nos meus cabelos. As mãos passaram dos cabelos para o rosto, ele me fez olhá-lo, olhos nos olhos, sustentando o contato visual

— O que devo fazer com você? — Ele perguntou
— Me deixar em paz —falei com ousadia
— Você é realmente uma ragazza corajosa, eu gosto disso, quanto mais me desafia, mais te desejo.

Abalada por tudo o que havia acontecido e pelas palavras, eu apenas o olhava, vi seus lábios aproximar-se dos meus, senti sua respiração e fechei os olhos, seus lábios firmes e quente e constaram nos meus,  porém ele os manteve fechados, por esse motivo, ficou fácil me manter passiva. Ele não aprofundou o beijo e sem que eu percebesse, suspirei, senti necessidade de intensificar  e retribuir. Sem aviso, ele levantou a cabeça e separou-se dos meus lábios, pegando-me de surpresa, fiz um gesto de perca, eu não queria que ele parasse, queria que ele aprofundasse o beijo, me condenei por isso.

Ele percebeu a minha luta interna, o meu desejo de repeli-lo ou acolhe-ló. De seus lábios surgiu um esboço de sorriso, ele estava brincando comigo, estava se divertindo as minhas custas. Indignada, o empurrei, para minha surpresa ele afastou-se, Então eu disse nervosa:
—Por favor, o que aconteceu foi um acidente, eu peço desculpas. Só gostaria que me deixasse alguns minutos em paz.

Ele olhou para mim, não estava mais com uma expressão de brincadeira, seu rosto era aterrorizante, então sentenciou:

— Vamos para mais uma etapa do treinamento, hoje não quero te dar prazer.

Todo vestígio de algum desejo por ele desapareceu nesse momento.

Mais um capítulo concluído
E vamos para segundo dia de treinamento
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