Capítulo 33 - Eldorado

Começar do início

Em minha frente o ambiente se estendia em um túnel úmido e grandioso, água pingava do teto. Ele era iluminado por grandes tochas acesas por um fogo de tom laranja bem chamativo. Um fogo que não parecia normal. Os outros iam na frente, correndo enquanto atravessavam o corredor largo e vazio. Vi em um dos cantos um suporte diferente montado, de mais ou menos um metro e meio de altura e mais atrás um conjunto de lanças suficiente para uma guerra. O objeto grandioso se assemelhava e muito a um estilingue gigante com vários suportes voltados para a entrada. Meus braços arrepiaram quando percebi que fora dali que vieram as lanças que estavam custando a vida de Julie.

- Podemos continuar? – Ollin me interrompeu e o olhei brevemente antes de começar a andar. Eu realmente não gostava dele.

Poucos passos à frente chegamos à um córrego largo, ele atravessava o caminho, começando ao longe, em algum lugar desconhecido e terminando onde minhas vistas não alcançavam. A água brilhava, refletindo o fogo das paredes. Ali estava estacionado uma balsa não muito grande, o tamanho era suficiente para nos acomodar apenas. Mas não foi isso o que me fez parar e sim o fato da mesma ser completamente dourada, como se fosse feita de ouro em cada detalhe.

- Hay, vamos rápido! – Chris me chamou, ele já estava sentado lá dentro ao lado de Benjamin. Os dois ocupavam o chão, escorando-se nas grades erguidas nas laterais. As meninas tinham sido colocadas próximo a eles, que as seguravam. No ferimento de Julie havia um pedaço de pano grandioso rondando-o, provavelmente uma tentativa daqueles homens de conter o sangue.

Depois de atravessar uma pequena tábua de madeira e me sentar ao lado dos meninos, notei nossas mochilas presas ao barco poucos passos à frente, mas não sabia quem as tinha trazido. Tentei não me desesperar, não tinha certeza se aqueles eram os homens que nos ajudariam, mas preferi pensar que sim, que nenhum deles ia decidir lutar com a gente nos próximos segundos ou mesmo nos jogar na água. Sabia que se aquilo fosse uma pegadinha eu não aguentaria lutar. A balsa começou a ser empurrada pelas águas com a ajuda dos remos – ou o que quer que aqueles pedaços de madeira fossem - utilizados pelos homens dali, aparentemente era mais fundo do que eu pensava.

Segundo depois um vapor quente começou a emanar do córrego ou talvez fossem as paredes. O ar chegava cada vez com mais dificuldade até mim. Minha testa já suava demais, a roupa fechada não estava ajudando.

- Por que aqui está tão calor? – Benjamin me encarou limpando as linhas de suor que ensopavam o rosto e o pescoço.

- A água vem diretamente da cachoeira que abriga os portões, passa pelo córrego e deságua no rio, logo na entrada de Eldorado. Foi criado especialmente por Hal, o deus do Sol. – Ollin começou a explicar - Banhado pelo próprio Sol, as águas são aquecidas para serem tocadas apenas pelo próprio deus.

- Aquecidas? De quantos graus exatamente estamos falando, porque me sinto em uma sauna. – Christopher tentava se abanar com a própria mão, mas não estava funcionando. Sua camisa já estava toda ensopada.

- Graus? – Ollin sorriu de uma piada interna – Digamos que se você caísse, não restariam nem seus ossos.

Não quis me pronunciar, mas a saliva tinha descido com dificuldade. Chris e Benjamin pareciam estar sentindo o mesmo, o olhar de ambos era o reflexo perfeito da preocupação. Olhei as meninas no chão.

- Mas isso é feito de ouro, certo? Por que não derrete se as águas são tão quentes?

- A balsa do próprio deus poderia atravessar temperaturas ainda mais ferventes. – Ollin me respondeu.

- Então foi o próprio deus quem lhes deu a balsa.

- Não apenas isso. Ele mesmo a desenhou e em seguida a entalhou com as próprias mãos.

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!