Descobertas & Garotas

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          O tempo estava acabando. Se Leroy não fosse encontrado nas próximas horas, eu teria que me entregar em seu lugar. Esse pensamento me assombrou durante toda a noite, e, de manhã, toda vez que olhava um relógio sentia que estava ficando mais fraco.

          Por que diabos esses ponteiros são tão rápidos?!, pensei, sentado na mesa da cozinha do meu quarto no Hotel Miscolan.

          Bem... O quarto não era apenas meu, infelizmente.

          — Cecyl... Por favor, não pare... de me pisar — falava um Jacob dorminhoco, tendo sonhos esquisitos.

          — Eu não... piso em... lixo. — Cecyl, também dormindo, deu a resposta em seu quarto do outro lado do corredor.

          — Fale isso de novo... mas como se eu... fosse um verme.

          Enquanto eu ouvia seus delírios estranhos, ouvi barulhos vindo do quarto das garotas. Alguns minutos depois, Gale saiu de lá, ainda sonolenta. Fui percebido apenas depois dela beber água e coçar os olhos, com passos lentos por causa do sono.

          — Eles sempre fazem isso? — perguntei.

          — Nem sempre. Às vezes, Jacob está sendo ignorado e Cecyl não quer olhar para ele. Com passatempos sadomasoquistas é mais raro.

          Olhando para os corredores que davam para os quartos, eu quase consegui rir da situação.

          — Os dois são bem próximos, né?

          — Amigos de infância — respondeu Gale, também se sentando. — Estudam juntos há muito tempo, e as duas famílias são amigas.

          — Você acha que eles já foram namo...

          — Com certeza — falou Gale antes mesmo que eu tivesse terminado de perguntar. — Num passado distante e tenebroso que os dois querem esquecer, com certeza.

          — É estranho pensar que eles continuam sendo tão bons amigos mesmo depois de terem acabado um relacionamento.

          — Cecyl é madura demais para ficar chateada com alguém por muito tempo. E Jacob... Bem, ele é burro demais para entender o ódio ou o rancor.

          Sem perceber, sorri. Aquela conversa estava me deixando alegre, me fazendo esquecer por um segundo de todo o caso com Leroy. Talvez eu estivesse me preocupando demais. Era uma coisa séria? Sim, muito. Mas se eu me deixasse ser muito afetado por isso, iria atrapalhar mais do que ajudar.

          — Você é um peso morto que sempre foi um problema. Um mero e completo fardo — falou ela do nada.

          — Espera, você estava lendo meus pensamentos?

          — Não, eu apenas senti vontade de te xingar.

          — Ah... Eu não sei se isso me conforta ou me entristece.

          Sorrindo, Gale olhou para o relógio da parede da cozinha. Já se aproximavam das sete horas. Se levantando, ela bateu no meu ombro e disse:

          — O refeitório já abriu. Quer comer alguma coisa?

          — Claro.

          Me distrair um pouco seria bom. Conversar com outras pessoas, limpar minha mente. Isso com certeza me relaxaria.

          — Sua mente é mais suja que um esgoto, seu porco psíquico.

          — Olha, você fez de novo! Pare de me insultar aleatoriamente!

Sociedade dos MagosOnde as histórias ganham vida. Descobre agora