Capítulo Onze

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Adrian D'Ávila

Acordo sentindo minha cabeça latejar e solto um resmungo inaudível. Abro meus olhos devagar, para os fechar em seguida, devido a claridade que entra no quarto. Espero alguns minutos e abro meus olhos novamente, me acostumando com a luz que ultrapassa as cortinas. Sinto um gosto horrível na boca e faço uma careta.

Olho ao meu redor e vejo que estou em meu quarto na fazenda. Sinto minha cabeça um pouco zonza e confusa e espero um tempo até me levantar da cama. Assim que já estou de pé, sigo até meu banheiro e tiro minhas roupas, entrando debaixo da água fria do chuveiro em seguida. Estremeço de frio no começo, mas logo me acostumo com a temperatura da água. Começo a me lavar e aos poucos flashes de ontem retornam a minha mente e algo me faz paralisar no lugar.

- Droga! Que merda eu fiz? - Falo e me sinto um idiota.

Solto um suspiro e termino de tomar banho. Saio do box com uma toalha enrolada na cintura e paro em frente a pia, olhando meu reflexo no espelho. Penso em ontem a noite e só consigo me sentir envergonhado pelo papel que fiz. "Caralho! Eu beijei ele!" Esse fato me vem e me arrependo mais uma vez por ter deixado a bebida me encorajar mais do que deveria.

Resolvo deixar isso de lado por enquanto e faço minha higiene bucal, saindo do banheiro logo em seguida. Pego uma cueca boxer na cor preta, calça jeans simples, uma camisa de botões branca e meu cinto. Me visto e calço minhas botas, pegando meu chapéu em seguida. Saio do quarto e desço as escadas, indo diretamente para a cozinha... desejando mais que tudo um café bem forte e amargo.

Entro na cozinha e sinto meu coração se acelerar em meu peito, quando vejo Castiel e Evan juntos com Clarisse e Maurício.

- Bom dia! - Falo entrando e me sento em uma das cadeiras de madeira vaga.

- Bom dia menino! Quer café? - Clarisse é a única a me responder.

- Por favor! - Peço e ela me estende uma xícara com o líquido quente em seguida.

Olho para Evan dormindo em seu carrinho e sinto um vazio no peito. Não sei como é possível que eu ame tanto esse garotinho em pouco tempo. As vezes sinto até que ele é meu próprio filho e sei que isso é errado, mas quem diz isso ao coração?

Olho para meu irmão sentado em silêncio na mesa e estranho seu comportamento.

- Está tudo bem Maurício? - Pergunto preocupado e ele me olha de forma emburrada.

- Perfeitamente! Eu estou indo pra faculdade e não venho almoçar em casa. - Ele fala sério e logo em seguida se levanta e sai sem olhar para trás.

Sinto um vinco se formar em minha testa e olho para Clarisse, que balança a cabeça em negação.

Termino de tomar meu café em silêncio e logo me levanto.

- Castiel, pode me acompanhar? Preciso falar com você. - Falo com calma e olho para ele por um segundo.

Ele não diz nada e apenas passa por mim, seguindo pelo corredor. Solto um suspiro e olho mais uma vez para Clarisse.

- Me deseje sorte. - Peço a ele, que solta uma risada.

- No caso de vocês, precisam bem mais que isso. - Ela ri e eu balanço a cabeça.

Respiro fundo e também sigo pelo corredor, indo até meu escritório. Passo pelo retrato dos meus pais na parede e peço que eles me ajudem nesse momento.

Entro no escritório e vejo Castiel de pé em frente a janela, no mais completo silêncio. Fecho a porta atrás de mim e me aproximo dele. O silêncio reina por mais alguns minutos, até que eu encontre novamente minha voz para falar.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora